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Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais
O Programa Nego Bispo é uma iniciativa estratégica da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC), em parceria com o Instituto Federal da Bahia (IFBA), que visa valorizar e integrar os saberes tradicionais afro-brasileiros, indígenas e quilombolas na formação docente inicial e continuada, contribuindo para uma educação pública mais equitativa, diversa e inclusiva.
Numa perspectiva decolonial, o Programa Nego Bispo visa à promoção dos saberes tradicionais, transformando as práticas pedagógicas e curriculares, aplicando saberes ancestrais dos africanos e afro-brasileiros, dos povos indígenas e das comunidades quilombolas e dos povos de terreiro, contribuindo para o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação- LDB, por meio das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornaram obrigatório o Ensino da História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena na Educação, bem como a consolidação das Diretrizes Nacionais Curriculares de Educação Escolar Quilombola — Resolução n° 08, de 20 de novembro de 2012 — e a implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), a que se refere a Portaria n° 470, de 24 de maio de 2024, do Ministério da Educação.
O Programa Nego Bispo será executado em rede de âmbito nacional, a Rede Confluência,
Quem foi Nego Bispo?
Nascido no Vale do Rio Berlengas, antigo povoado Papagaio, hoje município de Francinópolis (PI), Antônio Bispo dos Santos era ativista político, mestre quilombola, lavrador, escritor e professor. Formado pelos ensinamentos de mestras e mestres de ofício do quilombo Saco-Curtume, em São João do Piauí, tornou-se o primeiro de sua família a ser alfabetizado.
Autor de obras como "Quilombos, modos e significados" (2007) e "A terra dá, a terra quer" (2023), o líder quilombola desenvolveu proposições para compreender os saberes tradicionais dos povos "afro pindorâmicos" — expressão que criou para se referir aos descendentes africanos e indígenas. Integrou a rede de mestres do Encontro de Saberes, lecionando em universidades como UnB, UFMG e UFRJ. Faleceu em 3 de dezembro de 2023, aos 63 anos.
Eixos do programa
EIXOS
I - Saberes Tradicionais Afro-brasileiros;
II - Saberes Tradicionais Indígenas;
III - Saberes Tradicionais Quilombolas.
SUBEIXOS
a. Artes e Ofícios: práticas de atividades criativas que envolvem tanto a teoria quanto o domínio de técnicas relacionadas à expressão de ideias, emoções e valores em linguagens artísticas. Produção de objetos e obras que combinam habilidades técnicas com expressão criativa, seja através de métodos tradicionais ou inovadores. Engloba tanto a produção de itens utilitários com apelo estético e ritual quanto expressão artística em si, materializada na pintura, escultura, dança, música, artesanato, vestuário, instrumentos musicais entre outras formas de manifestação.
b.Línguas e Narrativas: ações de valorização das línguas originárias e das tradições orais de povos e comunidades tradicionais. As línguas expressam visões de mundo e vínculos com o território, enquanto as narrativas - como mitos, cantigas e provérbios - transmitem saberes sobre a natureza e modos de vida, fortalecendo identidades e preservando culturas por meio da oralidade. Na perspectiva do educador quilombola Nego Bispo, Línguas e Narrativas são expressões de mundos próprios, criados e sustentados por comunidades que se organizam fora da lógica colonial. Para ele, a língua não é apenas um meio de comunicação, mas uma forma de existência, um território simbólico onde habitam as memórias e os valores de um povo.
c. Memórias e Oralidade: são pilares fundamentais dos saberes tradicionais. A memória coletiva guarda os conhecimentos ancestrais, experiências históricas e modos de vida que formam a identidade de um povo. A oralidade é o principal meio de transmissão desses saberes realizada em conversas, relatos, cantos, rezas, histórias e ensinamentos partilhados entre gerações. Nessa dinâmica, a palavra falada carrega não só informação, mas também emoção e pertencimento. Na visão de Nego Bispo, são expressões vivas da ancestralidade e formas próprias de produção e transmissão de saberes. A memória é coletiva e se atualiza no cotidiano, enquanto a oralidade é uma escrita viva inscrita no corpo, na terra e na prática que transmite sensibilidade, espiritualidade e ética comunitária, resistindo às imposições do pensamento colonial.
d. Cosmociências: conjunto de conhecimentos e saberes ancestrais dos povos tradicionais que articulam a relação entre o ser humano e o cosmo, a natureza e a espiritualidade, de forma interconectada e não hierárquica. Diferente do conhecimento científico moderno, as Cosmociências valorizam a experiência, a ancestralidade e a relação com o território como fontes primordiais de conhecimento.
Equipe coordenadora no IFBA
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Lançamento do Programa Escola Nacional Nego Bispo
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