
Histórico¹
O Programa Mulheres Mil é um programa inovador que visa qualificar mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica em suas jornadas educacionais e profissionais. A proposta de política pública surgiu a partir de um processo de cooperação entre Brasil e Canadá, iniciado por instituições de ambos os países em 2001, a partir do Projeto Escola Conectando Escola, tendo como resultado o desenvolvimento de currículo personalizado na área de Turismo e Hospitalidade. Naquele ano, o sucesso do projeto determinou a continuidade da cooperação internacional, ocasionando a construção e implementação de um projeto-piloto na mesma área, mas agora com foco em gênero e no acesso à educação e ao emprego, utilizando a metodologia canadense de Avaliação e Reconhecimento da Aprendizagem Prévia (ARAP) com comunidades e instituições – basicamente os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs, hoje IFs) - das regiões Norte e Nordeste, de agosto de 2005 a março de 2006.
No ano de 2006, os resultados positivos dos projetos-piloto desenvolvidos pelas diferentes instituições, culminou com a formatura de 60 mulheres integrantes no CEFET-RN, o que viabilizou a elaboração de proposta de aperfeiçoamento, ampliação e continuidade da cooperação bilateral Brasil-Canadá. A nova proposta, agora batizada de Projeto de Cooperação Brasil-Canadá Mulheres Mil – Educação, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável, teve por meta capacitar 1.000 mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica das Regiões Norte e Nordeste, moradoras de territórios com índices de pobreza acentuada, utilizando a metodologia canadense ARAP. O novo projeto foi financiado pelo Programa de Intercâmbio de Conhecimentos, para a Promoção de Equidade (PIPE), uma ação promovida pelo governo do Canadá com a inclusão de novos parceiros por meio da SETEC/MEC, culminando numa nacionalização do programa e na materialização de 13 projetos-piloto, desenvolvidos pelos CEFETs, com prazo de execução proposto para o período de setembro de 2006 a agosto de 2010.
Em 24 de novembro de 2008, juntamente com a apresentação oficial do Projeto ao Ministro da Educação do Brasil, ao Embaixador do Canadá no Brasil e à Agência Brasileira de Cooperação (ABC), foi também lançado o Documentário “Mulheres Mil – Eu Tenho um Sonho” (https://www.youtube.com/watch?v=reJN2hiAVmE).
No decorrer dos anos, sob a égide da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (SETEC/MEC), os projetos-pilotos foram ganhando amplitude e capilarizando-se nas demais regiões do país, ao tempo em que os acúmulos e a sistematização de conhecimentos gerados a partir das experiências cooperadas cederam as bases para que o Brasil criasse técnica própria, chamada Metodologia de Acesso, Permanência e Êxito (MAPE), desenvolvida pelo próprio Programa Mulheres Mil.
O modelo brasileiro, “além de prever o reconhecimento dos saberes ao longo da vida, inova ao contemplar instrumentos e mecanismos de acolhimento de população em situação de vulnerabilidade social, que viabilizassem o acesso a formação profissional e cidadã, [...], a inserção produtiva e a mobilidade no mundo do trabalho, o acompanhamento das egressas e os impactos gerados na família e na comunidade”, conforme diz o Guia MAPE, em sua versão preliminar, atualizada neste ano de 2023.
Ocorrendo a nacionalização a partir de 2011, o Programa Mulheres Mil passa a integrar o PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego do Governo Federal, no âmbito da Bolsa-Formação. Tudo isso contribuiu para a estruturação de uma política nacional, resultando na criação da Portaria nº 1.015 de 21 de julho de 2011 (https://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/brasil_sem_miseria/portaria-mulheres-mil-n-1015.pdf) , que instituiu o Programa Nacional Mulheres Mil “com o objetivo de fomentar a formação profissional e tecnológica em articulação com a elevação de escolaridade de mulheres em situação de vulnerabilidade social”. Ainda em 2011, foi lançada, em 3 idiomas (inglês, francês e português), a publicação “Mulheres Mil – Do Sonho à Realidade” (https://map.mec.gov.br/attachments/download_inline/6974/Livro%20Mulheres%20Mil_portugues.pdf) , que consite em registro da trajetória do projeto, sob narrativas e olhares das mulheres participantes. Ao final daquele ano, a SETEC/MEC registrou a matrícula de 8.454 mulheres, distribuídas em 99 unidades escolares da Rede Federal (IFs).
No ano de 2012, a SETEC/MEC publicou a Chamada Pública nº 1/2012 (http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/209-564834057/17709-programa-mulheres-mil-ganha-mais-101-nucleos-em-todo-o-pais) com o objetivo de incluir mais 101 unidades de Institutos Federais em projetos do Programa Mulheres Mil, e expectativa de abrir mais 20 mil vagas. Após a adesão à chamada pública, o órgão contabilizou 210 unidades da Rede Federal com projetos do Programa Mulheres Mil e 17 mil matrículas realizadas naquele ano.
Desde o projeto-piloto, em 2005, quando promoveu a formação de 60 mulheres no Rio Grande do Norte, em 2008, capacitando 1.000 mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica, mais de 8 mil matrículas em 2011 e 17 mil em 2012, o Programa Mulheres Mil tem crescido em número e se estabelecido como política pública do Governo Federal. O relançamento do programa neste ano de 2023, por meio da Portaria nº 725, de 13 de abril de 2023 (https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-725-de-13-de-abril-de-2023-476993529) , reafirma marcadores importantes como a promoção da igualdade de gênero em todas as esferas – educação, trabalho, participação política, cultura, saúde –, no enfrentamento a violência contra a mulher e na redução das desigualdades sociais e econômicas, além de ter estabelecido uma marca de mais de 100 mil mulheres matriculadas nos cursos de qualificação profissional.
Em se tratando do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA, pode-se dizer que é um dos pioneiros no que tange à implementação do Programa Mulheres Mil na Bahia, uma vez que ofertou vagas desde 2006, quando o programa ainda era nomeado de Projeto de Cooperação Brasil-Canadá Mulheres Mil – Educação, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável, oriundo dos primeiros projetos-piloto fruto da cooperação Brasil – Canadá, mencionado anteriormente, quando da nacionalização do programa. Além disso, participou da sistematização da metodologia do programa, que resultou na elaboração da primeira edição do Guia da Metodologia do Acesso Permanência e Êxito do Programa Mulheres Mil (MAPE), em 2008.
Dessa participação - que se deu a partir da extensão projeto-piloto no estado do Rio Grande do Norte para mais 12 instituições federais, tendo a Bahia com o IFBA como uma delas -, o resultado destaca-se pela formação de egressas do Projeto já em 2008, cujos relatos podem ser encontrados na publicação “Mulheres Mil – Do Sonho à Realidade”, mencionada anteriormente. Posteriormente, de 2011 a 2022, o IFBA ofertou no total 3.433 vagas, tendo, nesse período, o envolvimento direto de 211 profissionais.
Atualmente, no IFBA, o Programa Mulheres Mil está estabelecido em 5 dos 22 campi, sendo eles Eunápolis, Simões Filho, Salvador, Irecê e Seabra, totalizando 400 vagas. Oferece os seguintes cursos, em seus respectivos campi:
Cuidadora da Pessoa Idosa - Eunápolis, Salvador e Simões Filho;
Em março de 2025 aconteceu, nos campi, a Aula Inaugural, com a presença da Pró-Reitoria de Extensão, coordenadoras, professores, estudantes e comunidade, demarcando o início das aulas e a participação em ações nas unidades. Os cursos têm previsão de término com formatura em julho de 2025.
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¹ Por Ana Carolina Dantas Santos, com contribuições das Profas. Vigna Nunes Lima, atual Coordenadora Geral do Programa Mulheres Mil na Bahia, e Paula Mara Messias Costa, essa última tendo estado no Programa de 2006 a 2013. Adaptado do Guia da Metodologia do Acesso, Permanência e Êxito do Programa Mulheres Mil (MAPE), Versão Preliminar. Data:14 nov, 2023.
² Guia da Metodologia do Acesso, Permanência e Êxito do Programa Mulheres Mil (MAPE), Versão Preliminar.
³ Com dados do documento intitulado “Declaração”, assinado pela atual reitora Luzia Matos Mota, para fins de comprovação das condições necessárias às ofertas da Linha de Fomento da Bolsa-Formação – Programa Mulheres Mil, datado de junho de 2023.
