Pesquisa do IFBA Seabra conecta café, ciência e desenvolvimento territorial na Chapada Diamantina
Por Ana Novaes*
A produção científica desenvolvida no Instituto Federal da Bahia (IFBA) - Campus Seabra tem contribuído para a construção de conhecimentos voltados às demandas sociais, culturais, ambientais e econômicas da Chapada Diamantina. Por meio de investigações acadêmicas em áreas como educação, tecnologia e sustentabilidade, a instituição projeta sua atuação para além dos limites escolares, conectando o fazer científico ao território.

O campus mantém grupos de pesquisa certificados e núcleos em estágio de consolidação, articulando professores e estudantes em torno de dinâmicas e interesses interdisciplinares, integrados à realidade local.
De acordo com a coordenadora de pesquisa do IFBA - Seabra, Michele Santos, a execução dessas propostas têm papel estratégico para o desenvolvimento regional.
"As atividades de pesquisa desenvolvidas no campus evidenciam um compromisso permanente com a geração de conhecimento aplicado, a inovação e o fortalecimento do desenvolvimento sustentável", destaca.
Café Chapadeiro: Trilhando Caminhos & Possibilidades
Entre as iniciativas em andamento, o projeto Café Chapadeiro, focado na Indicação Geográfica (IG) do café e nas rotas de turismo rural de base comunitária, analisa diretamente uma das matrizes econômicas mais tradicionais do território. A iniciativa integra ações de pesquisa e extensão desenvolvidas pelo IFBA e foi contemplada em edital da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC) voltado à promoção das Indicações Geográficas no Brasil.
Coordenado pelo professor doutor em Geografia Henrique Oliveira de Andrade, o projeto conta com a participação de pesquisadores dos campi Seabra e Feira de Santana do IFBA, além de cooperativas, associações de produtores e instituições parceiras. A iniciativa busca fortalecer ações ligadas à Indicação Geográfica do Café da Chapada Diamantina, relacionando a produção cafeeira ao turismo rural de base comunitária e à transição agroecológica.
Segundo Andrade, a proposta surgiu a partir da trajetória do IFBA junto às organizações produtivas da Chapada Diamantina. O pesquisador explica que o papel do Instituto vai além da produção acadêmica: "O papel do Instituto é fazer a articulação entre as diversas entidades envolvidas, funcionando como um catalisador das ações ligadas à IG do café. A partir dessa rede, buscamos fortalecer as cooperativas, as associações e as iniciativas de desenvolvimento territorial”, explica.
As atividades incluem reuniões com produtores e organizações parceiras, realização de cursos e oficinas, construção de bancos de dados e atualização de plataformas digitais já utilizadas pela cadeia produtiva do café. Entre os parceiros, estão a Associação Aliança dos Cafeicultores da Chapada Diamantina (AACCD), detentora da Indicação Geográfica do Café da Chapada Diamantina; cooperativas da região, além de instituições que atuam no fortalecimento da cafeicultura e do turismo comunitário.
O que é indicação Geográfica (IG)?
A Indicação Geográfica é um reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos ou serviços que possuem características específicas associadas ao seu território de origem. No caso do Café da Chapada, o selo foi conquistado em 2024, sendo o 1º do estado da Bahia na modalidade Denominação de Origem. A certificação reconhece a reputação, a qualidade e as particularidades da produção regional, agregando valor ao produto e fortalecendo sua identidade territorial.
O IFBA tem atuado no fomento, pesquisa e incubação de Indicações Geográficas no estado, apoiando produtores e comunidades no reconhecimento da origem e da qualidade de produtos tradicionais. A instituição integra o Fórum Baiano de Indicações Geográficas, participa de ações de levantamento e diagnóstico de potencialidades regionais para novos registros e desenvolve projetos de extensão voltados ao fortalecimento de produtos com identidade territorial. Além disso, a temática também está presente em atividades de ensino e pesquisa, como as desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação (PROFNIT), reforçando o compromisso institucional com a valorização dos saberes locais e o desenvolvimento regional.
O estudo parte do reconhecimento de que o café produzido na Chapada Diamantina, premiado nacional e internacionalmente em concursos como o Cup of Excellence, considerado a principal competição de cafés especiais do mundo, possui características que o diferenciam no mercado brasileiro e contribuem para impulsionar o desenvolvimento sustentável das comunidades locais. "A pesquisa busca compreender a relação entre a produção de cafés especiais, a identidade territorial e as possibilidades de fortalecimento do turismo rural de base comunitária", explica o coordenador do projeto, professor Henrique Andrade.
Além de investigar aspectos relacionados à indicação geográfica do café, o projeto dialoga com temas como agricultura familiar, economia solidária e valorização dos saberes locais, evidenciando como a pesquisa científica pode contribuir para fortalecer as atividades socioeconômicas da região.
Pesquisa e formação estudantil: Cultura Científica em Foco
A participação dos estudantes constitui um dos pilares das ações de pesquisa desenvolvidas no campus. Os projetos de iniciação científica e tecnológica permitem que os discentes atuem como bolsistas ou voluntários, desenvolvendo atividades de investigação sob orientação de docentes pesquisadores.
"Essa participação possibilita não apenas a formação de novos pesquisadores, mas também a ampliação das perspectivas acadêmicas e profissionais, ao estimular o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a capacidade de buscar soluções para problemas concretos”, afirma Michele Santos, que completa: “A inserção dos discentes nesses projetos fortalece incentiva a continuidade dos estudos e fortalece a cultura científica no âmbito institucional".
Entre os participantes do projeto está Emili Alves, estudante do 4º ano do Curso Técnico em Meio Ambiente. Ela destaca que a experiência permite relacionar conteúdos aprendidos em sala de aula com situações cotidianas.
"O Café Chapadeiro representa, na prática, muito do que aprendi ao longo dos quatro anos de formação. Diversos temas estudados estão diretamente relacionados à pesquisa, como sistemas agroflorestais, manejo sustentável, uso de adubos e agroquímicos, agroecologia, sustentabilidade e território. Participar do projeto me permite aprofundar esses conhecimentos e colocá-los em prática em um contexto real, ligado às comunidades e aos produtores da região", comenta a estudante.
Na edição 2025 do concurso institucional Uma ideia na cabeça, uma inovação na mão o Campus Seabra conquistou o 3º lugar na categoria Growthr com o projeto Transformando Resíduos de Café em Bioplásticos Sustentáveis, evidenciando o protagonismo estudantil na popularização da ciência.
Grupos de pesquisa:
- GEPI Chapada Diamantina
- TecAmb
- Laboratório de Educação STEAM Maker
- Criação e Educação Musical
- Três novos grupos em processo de análise
Ciência conectada ao território
Para a coordenadora de Pesquisa do IFBA Seabra, essa aproximação entre produção científica e realidade local contribui para a construção de soluções inovadoras voltadas aos desafios da Chapada Diamantina.
"Além de produzir conhecimento relevante, essas pesquisas fortalecem a integração entre instituição e comunidade, favorecendo a construção de soluções inovadoras para os problemas da região, como a gestão dos recursos naturais e a valorização das comunidades tradicionais", ressalta Santos.
Nesse sentido, iniciativas como o projeto Café Chapadeiro demonstram como a pesquisa pode contribuir para apoiar atividades estratégicas e ampliar as possibilidades de desenvolvimento sustentável, preservando o patrimônio cultural e ambiental da região.
* Sob supervisão da jornalista Verusa Pinho (IFBA - Jacobina)
Crédito das fotos: Acervo da Coordenação do Projeto
