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IFBA promove VI Ser-tão Inclusivo e debate estratégias de permanência estudantil

Evento reuniu a comunidade acadêmica para discutir acessibilidade e combate ao capacitismo no ensino técnico e superior
publicado: 30/04/2026 12h49, última modificação: 30/04/2026 13h20

Por Ana Novaes*

O Instituto Federal da Bahia - Campus Seabra realizou, nos dias 24 e 25 de abril, a 6ª edição do Ser-tão Inclusivo. O evento mobilizou o IFBA e toda a comunidade em torno do debate sobre um dos maiores desafios da educação brasileira: a garantia de que estudantes com deficiência não apenas acessem as instituições, mas concluam seus cursos com êxito.

A iniciativa, que integra o calendário institucional de eventos, ocorre em um contexto de urgência. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 18,6 milhões de brasileiros (8,9% da população) possuem algum tipo de deficiência. A trajetória acadêmica desse grupo ainda é marcada por obstáculos: apenas 7,4% conseguem concluir o ensino superior, um índice drasticamente inferior ao da população sem deficiência.

Ser-tão Inclusivo
Mesa Institucional/abertura do Ser-tão Inclusivo

Nesse sentido, o IFBA desenvolve políticas voltadas à inclusão, que incluem o Atendimento Educacional Especializado (AEE), com foco em adaptações curriculares e acompanhamento individualizado. No Campus Seabra, 22 estudantes são acompanhados atualmente pela Coordenação de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (CAPNE).

Conheça algumas normativas institucionais voltadas para a temática da Inclusão:

Você Sabia que o Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial, considerando estudante com transtorno do espectro autista pessoa com deficiência para fins da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva? A finalidade da normativa é garantir o direito à educação em um sistema educacional inclusivo para estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades ou superdotação, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades. 

Para o professor Alan Santos, coordenador da CAPNE, o evento funciona como ferramenta estratégica no enfrentamento ao capacitismo, ajudando a comunidade a reconhecer e combater o preconceito na prática diária: "É um momento de autorreflexão. Conseguimos afinar o nosso olhar para perceber as barreiras que estão postas e que, às vezes, nos passam despercebidas", pontuou.

A dimensão política e social da inclusão foi um dos eixos centrais do evento. A professora de Libras do campus, Jéssica Lacerda (IFBA), destacou que a iniciativa é ferramenta estratégica no enfrentamento ao capacitismo, o preconceito contra pessoas com deficiência.

Jéssica Lacerda em aulão de Libras
Jéssica Lacerda em aulão de Libras

"O Ser-tão Inclusivo se consolidou para garantir que as pessoas com deficiência sejam protagonistas de suas próprias trajetórias. É um manifesto para que toda a comunidade assuma uma postura de aliada", afirmou Lacerda. 

Vivência e Sensibilização

Aproveitando as celebrações do Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), comemorado em 24 de abril, o evento buscou a sensibilização através da prática. A programação foi pensada para tirar a comunidade da zona de conforto e promover a empatia. Estiveram em destaque aulões de Libras, rodas de conversa e oficinas temáticas, abrangendo temas como autismo, deficiência intelectual, deficiências físicas e sensoriais.

Aulão de Libras
Aulão de Libras

De acordo com o diretor acadêmico, professor mestre Lucielton Mascarenhas, iniciativas como o Ser-tão Inclusivo têm impacto direto na permanência estudantil: “Ao criar espaços de diálogo e visibilidade, o evento contribui para a construção de um ambiente mais inclusivo e sensível às diversas realidades do campus, ultrapassando o acesso e  alcançando dimensões como pertencimento, acolhimento e reconhecimento das diferenças”, afirma Mascarenhas.

A Coordenação de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (CAPNE) realizará, ao longo do semestre, atividades voltadas à inclusão e acessibilidade no campus. Entre as ações programadas estão:

  • Oficina de xadrez adaptado, com uso de tabuleiros acessíveis para pessoas com deficiência visual;

  • Oficina de introdução ao sistema Braille;

  • Atividade cultural em parceria com o Núcleo de Arte e Cultura (NAC).

 

*Sob supervisão da jornalista Verusa Pinho (IFBA - Jacobina)