Estudantes do Curso de Segurança do Trabalho do IFBA marcaram presença em Seminário de (Re)Aproveitamento de Resíduos Sólidos Produzidos na Mariscagem no Vale do Iguape
No dia 5 de dezembro de 2025, estudantes do curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Segurança do Trabalho do IFBA – Campus Santo Amaro participaram ativamente do Seminário de (Re)Aproveitamento de Resíduos Sólidos Produzidos na Mariscagem: Alternativas de Cuidado com o Meio Ambiente e Ampliação de Renda. O evento, realizado das 8h30 às 16h, ocorreu na sede da Associação Comunitária de Santiago do Iguape (ACASI), no município de Cachoeira, e foi promovido pela Associação de Mulheres Quilombolas e Marisqueiras do Vale do Iguape.
Representando o IFBA estiveram as estudantes bolsistas de iniciação científica Jaqueline Reis de Oliveira e Reigiane dos Santos Silva Reis, acompanhadas do professor orientador Lúcio Veimrober Júnior, docente do curso de Segurança do Trabalho.
Pesquisa, território e saberes tradicionais
A participação das estudantes está alinhada às pesquisas que ambas desenvolvem por meio de bolsas PIBIC.
Jaqueline é bolsista do projeto “Cultivo de hortaliças utilizando resíduo de mariscagem”, contemplado pelo Edital nº 10/2025/PRPGI — Ações Afirmativas do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC-EM-AF). Para ela, o seminário ampliou horizontes e reforçou a importância do tema em sua trajetória acadêmica:
“Foi muito enriquecedor. Recebi muitas informações e reflexões que me fazem pensar em tanta coisa que ainda podemos construir nessa temática.”
Já Reigiane integra o projeto “Crescimento de mudas de dendezeiro (Elaeis guineensis Jacq.) com uso de efluente doméstico tratado”, financiado pelo Edital nº 07/2025/PRPGI/IFBA, referente ao PIBIC-EM/CNPq. Ela destacou a força das mulheres quilombolas e marisqueiras e o valor dos conhecimentos compartilhados:
“Foi uma experiência extremamente enriquecedora, especialmente por ter sido realizada por mulheres quilombolas e marisqueiras. Elas trouxeram contribuições valiosas que levaremos para vida.”
Programação voltada ao diálogo entre ciência e tradição
O evento reuniu marisqueiras do Vale do Iguape, pesquisadores, professores, estudantes e agentes ambientais. A programação combinou ciência, práticas tradicionais e tecnologias sociais.
Entre as falas, destacou-se a apresentação de Jeferson Pascoal, professor de Geografia, cientista ambiental, mestrando, quilombola, pescador e filho de marisqueiras. Ele abordou os saberes tradicionais da mariscagem e o papel das mulheres na construção histórica e social da comunidade de Santiago do Iguape.
A professora Gabriela Lúcia Pinheiro, do CETEC/UFRB, apresentou possibilidades reais de uso dos resíduos da mariscagem para geração de renda, ampliando o debate sobre sustentabilidade e economia circular.
Houve ainda a contribuição de Maria Candeias, instrutora do Senar e mobilizadora social, que compartilhou experiências práticas de beneficiamento e higienização dos resíduos, e da analista ambiental Rafaela Farias, chefe da Reserva Extrativista Marinha da Baía do Iguape (ICMBio), que discutiu os impactos ambientais do descarte inadequado na RESEX.
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O evento também promoveu oficinas de tecnologias sociais voltadas às próprias marisqueiras, fortalecendo autonomia e protagonismo feminino no território.
Uma experiência de aprendizagem e reconhecimento
O professor Lúcio Veimrober Júnior, que acompanhou as estudantes, destacou a potência da mobilização comunitária das mulheres do Vale do Iguape:
“Fiquei perplexo com o nível de organização e mobilização das mulheres quilombolas e marisqueiras. São mulheres de muita vitalidade, união e desejo de crescer coletivamente. O trabalho delas é incrível e tem muito a nos ensinar.”
Ele destacou, com entusiasmo especial, a liderança e sensibilidade das falas de Dona Olgalice, coordenadora da Associação de Mulheres Quilombolas e Marisqueiras do Vale do Iguape, referência na luta pelo reconhecimento do território e da cultura local."







