Recriando o Nós: encontros coletivos para promover saúde mental e pertencimento

A vida é um oceano de desafios em que vamos mergulhando...mergulhando...buscando as pérolas que muitas vezes se escondem em meio a tantas incertezas. Quando menos se espera, é necessário parar, inspirar, expirar e estabelecer conexões humanas para que não esqueçamos do verdadeiro propósito dessa grande aventura. Por isso, um espaço para compartilhar experiências, construir vínculos e sentir-se acolhido/a pode fazer toda a diferença.
Com essa proposta, o Campus Salvador do Instituto Federal da Bahia (IFBA) lançou o projeto "Recriando o Nós", iniciativa da equipe de Psicologia Escolar da Coordenação de Atenção ao Estudante (CAE) da Diretoria Adjunta Pedagógica e de Atenção ao Estudante (Depae) em parceria com o estágio em Psicologia Escolar da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob supervisão da professora Patrícia Zucoloto.
O projeto iniciou suas atividades práticas em abril e nasceu da percepção de que muitas das dificuldades enfrentadas por estudantes, servidores/as e funcionários/as terceirizados/as não podem ser compreendidas apenas como questões individuais. Segundo a psicóloga do campus Ana Caroline Menezes, as demandas recebidas pela Psicologia Escolar frequentemente refletem os impactos da intensa rotina acadêmica e das relações vividas dentro da instituição. “A ideia surgiu da necessidade de criar uma alternativa potente ao modelo de atendimento de consultório individualizado que, além de não dar conta do volume da demanda de forma satisfatória, muitas vezes isola o sujeito”, explica a equipe responsável pelo projeto.
A iniciativa reúne psicólogas servidoras do campus, dois estudantes bolsistas e integrantes do estágio em Psicologia Escolar da UFBA para criar um espaço de acolhimento baseado na escuta, no diálogo e na construção coletiva de soluções para os desafios cotidianos.
Saúde mental construída em comunidade
Mais do que um grupo de conversa, o Recriando o Nós busca enfrentar uma cultura que frequentemente transforma sofrimentos coletivos em problemas individuais. De acordo com Ana Caroline, um dos principais objetivos é combater a individualização e a patologização das dificuldades vividas no ambiente escolar. A proposta é mostrar que sentimentos como ansiedade, cansaço, insegurança ou medo do fracasso muitas vezes estão relacionados às exigências da vida acadêmica e às condições sociais, e não a falhas pessoais.
Nesse contexto, a promoção da saúde mental torna-se parte fundamental do processo educativo. “A escola não é apenas um lugar de transmissão de conteúdos técnicos, é um espaço de produção de vida e de subjetividades. Promover saúde mental aqui é garantir que a educação seja um processo emancipatório e saudável, e não um gerador de adoecimento”, destaca a profissional. Além do acolhimento emocional, o projeto contribui para a permanência estudantil ao fortalecer o sentimento de pertencimento à comunidade acadêmica.
Rodas de conversa, jogos e trocas de experiências
Os encontros acontecem de forma descontraída e participativa. Não há aulas, palestras ou exposições formais. Em vez disso, os/as participantes são convidados/as a ocupar um espaço horizontal de diálogo.
As atividades ocorrem em círculo, favorecendo a troca de experiências entre todos os presentes. Para estimular as conversas, podem ser utilizados jogos de cartas com perguntas reflexivas, baralhos temáticos, dinâmicas expressivas e até atividades manuais, como o crochê.
A partir desses estímulos, surgem debates sobre temas presentes no cotidiano da comunidade escolar: expectativas em relação ao futuro, rotina de estudos, relações interpessoais, inseguranças, projetos de vida e formas coletivas de enfrentamento das dificuldades.
O diferencial está justamente na construção conjunta das reflexões. Nesse espaço, a psicologia atua como mediadora dos diálogos, incentivando que a própria comunidade produza redes de acolhimento, cooperação e autonomia.
Participação livre e sem necessidade de inscrição
O Recriando o Nós é aberto a estudantes, servidores/as e terceirizados/as do IFBA interessados em compartilhar experiências, propor atividades ou simplesmente fazer uma pausa acolhedora na rotina.
A participação é totalmente voluntária e flexível. Não é necessário realizar inscrição prévia, comparecer a todos os encontros ou justificar ausências. Basta chegar à sala de acolhimento da CAE nos horários disponíveis e integrar a roda.
Os encontros acontecem na CAE/DEPAE, Bloco A, 1º andar, nos seguintes horários:
Segunda, quarta e sexta-feira: das 10h às 11h;
Quarta, quinta e sexta-feira: das 17h às 18h.
Mais informações podem ser obtidas diretamente na CAE/DEPAE ou pelo WhatsApp (71) 2102-9573.

Arte: Coordenação do projeto; adaptação Henrique Soares; imagem Freepik
