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IFMaker fortalece cultura "mão na massa" e mobiliza servidores para ampliar atuação no campus

Com projetos que vão da impressão de robôs em 3D à produção de maquetes culturais, o IFMaker do Campus Salvador se consolida como um espaço de inovação e aprendizagem prática.
publicado: 05/05/2026 17h45, última modificação: 11/05/2026 10h21

Por Sarah Sanches

Enquanto estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) – Campus Salvador se preparam para a Olimpíada Brasileira de Robótica 2026, o Laboratório IFMaker se reafirma como um espaço estratégico de inovação, aprendizagem prática e interdisciplinaridade dentro da instituição.

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Antônio Bitencourt, professor e coordenador do IFMaker no Campus Salvador. Foto: Sarah Sanches

Mais do que um ambiente voltado apenas para áreas técnicas, o laboratório busca ampliar sua atuação e convida docentes e técnicos-administrativos (TAEs) a integrarem a comissão de gestão e fortalecerem a cultura maker no campus.

Atualmente coordenado pelo professor Antônio Bitencourt, o espaço ainda funciona com equipe reduzida, o que limita o alcance de suas atividades. A proposta é justamente ampliar essa participação para que o laboratório possa atender de forma mais efetiva a comunidade acadêmica e externa.

“O principal objetivo é a difusão da cultura maker, a partir de um espaço colaborativo e inovador, com apoio técnico e científico”, explica Antônio Bitencourt, coordenador do laboratório.

"Esse é um espaço multiusuário, cujo funcionamento depende da participação de todos, os docentes para orientar e os discentes para aprender fazendo. Aqui, o aprendizado é de ambos porque o professor também aprende, a cada dia, uma tecnologia nova, uma metodologia nova, tanto de ensino, quanto da execução de projetos", comenta o coordenador. 

Tecnologia e experimentação no processo formativo

A preparação dos estudantes para a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), uma das principais olimpíadas científicas do país, é um exemplo prático da atuação do IFMaker. Utilizando impressoras 3D, os alunos desenvolvem robôs e protótipos que serão utilizados durante a competição.

A OBR é uma iniciativa pública, gratuita e sem fins lucrativos que busca incentivar jovens de 6 a 19 anos a seguirem carreiras científico-tecnológicas. A competição integra robótica e inteligência artificial aos conteúdos vistos em sala de aula, mostrando como diferentes áreas do conhecimento podem ser aplicadas na criação de soluções práticas.

Com modalidades teórica e prática, a olimpíada reúne competições em que estudantes constroem e programam robôs para cumprir desafios, além de provas que avaliam, por série, os conhecimentos dos estudantes nas áreas contempladas. As inscrições para a modalidade prática já foram encerradas, e suas etapas regionais e estaduais ocorrem entre 29 de maio e 13 de setembro. Já o prazo para participação nas provas teóricas segue até12 de junho. A premiação inclui medalhas e, para estudantes do ensino médio e técnico, a nota obtida pode ser utilizada para concorrer a vagas olímpicas no ensino superior. 

Mais do que uma competição, a experiência reforça a cultura maker ao mostrar que aprender também passa pelo fazer e que a inovação nasce, muitas vezes, da coragem de tentar. 

Aprender fazendo: o que é a cultura maker?

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Desenvolvimento de protótipo em laboratório. Foto: Arquivo pessoal

“A cultura maker se baseia em ações como fazer, compartilhar, aprender, participar e permitir-se errar”, destaca o professor Antônio Bitencourt.

Inspirada no princípio do “mão na massa”, essa abordagem valoriza o aprendizado ativo e colaborativo, estimulando estudantes a deixarem de ser apenas receptores de conteúdo para se tornarem protagonistas na criação de soluções reais para problemas do cotidiano. 

No ambiente maker, o que foi aprendido em sala de aula ganha forma em protótipos, projetos e experiências concretas, o que contribui para tornar o processo formativo mais dinâmico e conectado com os desafios do mundo contemporâneo. 

A professora Rafaelle Souza, docente do curso de Física e orientadora de diferentes projetos que utilizam o IFMaker como espaço de criação e execução, destaca como essa vivência amplia as possibilidades de aprendizagem. 

“A presença do maker no IFBA contribui para que o aluno venha, imagine uma possível solução e possa executá-la usando os equipamentos que aqui estão disponíveis. Já orientei projetos voltados para a detecção de tremores derivados do Parkinson, questões neurais e início de incêndios, além de iniciativas relacionadas à energia e à sustentabilidade”, comenta a docente, evidenciando a diversidade temática e o potencial interdisciplinar das atividades desenvolvidas no laboratório.

Um espaço de criação para todas as áreas

Para o professor Antônio Bitencourt, o IFMaker não se limita à robótica ou às engenharias. A proposta do laboratório é justamente romper a ideia de que a fabricação digital pertence apenas aos cursos técnicos. 

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Catiane Rocha, coordenadora do projeto Mapa Cultural. Fonte: Reprodução (Site Mapa Cultural)

Um exemplo disso é a produção de mapa solicitada ao laboratório para o projeto Mapa Cultural, mostrando como o espaço também pode atender demandas das áreas de humanidades, artes e produção cultural.

Segundo Catiane Rocha, coordenadora do projeto, a parceria com o IFMaker surgiu da necessidade de desenvolver materiais acessíveis voltados tanto para a comunidade acadêmica quanto para o entorno do campus, especialmente instituições como o Instituto de Cegos da Bahia e o Centro de Surdos. “Há uma carência de materiais acessíveis voltados à educação e à cultura, e o IFMaker aparece como um espaço fundamental para suprir essa lacuna”, explica.

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Peças produzidas para o mapa sensorial. Fonte: Arquivo pessoal.

A iniciativa integra os chamados “Caminhos Culturais”, que mapeiam pontos e agentes culturais dos bairros Barbalho, Lapinha e Santo Antônio Além do Carmo. A partir desse trabalho, já foram desenvolvidos mapas físicos com audiodescrição, e, agora, em parceria com o IFMaker, a equipe avança na criação de mapas sensoriais. “Não serão simples maquetes. Estamos desenvolvendo protótipos que envolvem elementos táteis, como relevos e braile, além de recursos sonoros, térmicos e olfativos”, destaca.

Conforme ressalta a docente, o IFMaker atende a qualquer área do conhecimento, oferecendo suporte técnico para iniciativas inovadoras. “No campo das Humanidades, há grande demanda por esse espaço, pois temos a expertise de elaborar metodologias interdisciplinares visando as questões sociais”, afirma.

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Rafaelle Souza, docente, e Ariane Benedito, estudante. Foto: Reprodução (@fisica_contextualizada)

Essa versatilidade oferecida pelo laboratório também aparece na experiência da estudante Ariane Benedito, do curso de Licenciatura em Física. Ela utiliza o IFMaker para aprender modelagem e desenvolver brindes para os convidados do podcast Fisicamente, lançado em 2023 e idealizado por ela.

Atualmente vinculado a um projeto de divulgação científica sobre física e mecânica quântica, realizado sob orientação da professora Rafaelle Souza, o programa recebe pesquisadores e estudantes em bate-papos semanais que duram cerca de 30 minutos. “O IFMaker entrou como uma forma de os convidados que participam do podcast terem uma lembrança, algo que remeta ao projeto”, explica a estudante.

 De laboratório à biblioteca de tecnologia

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Impressora 3D, um dos equipamentos disponíveis. Foto: Arquivo pessoal.

Entre os equipamentos disponíveis estão impressoras 3D por filamento (FDM) e resina, escâner 3D, cortadora de vinil, CNC laser e outros recursos de fabricação digital. Segundo o coordenador do espaço, o potencial é amplo, mas a falta de pessoal ainda é um dos principais desafios. 

“O IFMaker Salvador deveria funcionar como uma biblioteca de tecnologia”, afirma Bitencourt, retomando e ampliando o conceito defendido pelo professor Davi Rego, um dos fundadores do espaço. A proposta é transformar o laboratório em um ambiente aberto para consulta, aprendizado e experimentação com tecnologias associadas à cultura maker.

De acordo com ele, o principal desafio para que essa ideia se concretize é a falta de mais docentes e servidores atuando no espaço. “Contudo, pela falta de pessoal fixo e pelo número reduzido de professores envolvidos, esse conceito ainda não pôde ser implementado”, explica.

Convite à participação de outros servidores

“O interesse e a disponibilidade em fazer funcionar o IFMaker Salvador por meio da difusão da cultura maker é a única exigência”, reforça Bitencourt.

O comitê local do IFMaker deve ser formado por servidores efetivos, sem exigência de formação técnica específica ou experiência prévia. A participação também conta como atividade de gestão institucional, com carga horária reconhecida pela resolução vigente.

Além da gestão e supervisão do espaço, docentes e TAEs contribuem com capacitações, treinamentos e acompanhamento de projetos, fortalecendo o IFMaker como um ambiente coletivo de criação e inovação.

Como informa Bitencourt, uma chamada será aberta para que os professores possam aderir ao Comitê Geral de Gestão via portaria. Além disso, é possível se somar ao IFMaker a partir de projetos de ensino, pesquisa e extensão que dialoguem com a proposta do laboratório. "As portas estão abertas, os docentes e servidores podem me procurar, para conversarmos e pensar como o espaço pode contribuir com as pesquisas e projetos", convida o coordenador.