Projeto Alvorada celebra inclusão social e formação cidadã em conclusão do primeiro curso no IFBA

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) realizou, na última sexta-feira (19), a cerimônia de encerramento e certificação da turma do Projeto Alvorada – Ciclo II, no Auditório 2 de Julho, na Reitoria, em Salvador. O evento marca a conclusão do curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) de Pintor para Construção Civil e Reformas Prediais, desenvolvido ao longo de 2025, e reuniu estudantes concluintes, familiares e convidados. A solenidade contou com a presença de autoridades do IFBA, representantes de órgãos parceiros, integrantes da equipe executora do projeto, docentes e técnicos administrativos.
Durante a cerimônia, a diretora geral do campus Salvador, Luanda Kívia Rodrigues, destacou que a realização do ciclo só foi possível graças ao trabalho colaborativo entre as instituições envolvidas e relembrou a ligação que recebeu do professor Georges, já próximo ao encerramento do prazo para a inclusão da Bahia no Projeto Alvorada. Mesmo com o tempo reduzido para conhecer todos os detalhes da iniciativa, a diretora-geral recordou prontamente sua resposta: “O campus Salvador vai receber com muita honra o Projeto Alvorada”. Na ocasião, ela também parabenizou os concluintes e desejou sucesso aos novos egressos do Instituto Federal da Bahia.
Em seu discurso, a reitora do IFBA, Luzia Mota, reforçou a importância dessa decisão ao recordar que “o campus Salvador disse 'sim', queremos acolher o curso Alvorada aqui no nosso campus, e isso foi importante para a gente iniciar essa semente”. Ela ressaltou ainda o caráter pioneiro da iniciativa, lembrando que foi a primeira vez que o Instituto Federal recebeu o programa, e manifestou o desejo de que a experiência não se encerre nessa turma, mas que novas edições sejam realizadas, inclusive em outros campi da instituição.
Participaram da mesa solene o diretor de Acompanhamento Biopsicossocial de Internos da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), Alan Rodrigo Simões, a assistente social da Seap e representante do Escritório Social da Bahia, Wérica Alves, a coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas Egressas do Sistema Prisional e mentora do Projeto Alvorada - Ciclo II, Luz Marina Silva, assim como a juíza Marcela Pamponet, do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Patronato de Presos e Egressos (GMF), do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

Pelo IFBA, estiveram compondo a mesa a reitora, Luzia Mota, a diretora-geral do campus Salvador, Luanda Kívia Rodrigues e o coordenador institucional do Projeto Alvorada - Ciclo II, Georges Souto Rocha. A cerimônia contou também com a presença do professor Misael França da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Segurança Pública e Execução Penal e membro do Instituto Baiano de Direito Processual Penal.
Também participaram da solenidade o pró-reitor de ensino do IFBA, Jancarlos Lapa, a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Hingryd de Freitas, a pró-reitora de Desenvolvimento Institucional, Elís Lopes, e a coordenadora de Atividades de Extensão do campus Salvador, Raquel Sachdev e representantes da empresa parceira Renovar Engenharia. A cerimônia, que contou com a apresentação artística de estudantes do curso técnico de Instrumento Musical do campus, simboliza um momento de reconhecimento do percurso formativo dos concluintes e do impacto social promovido pela iniciativa.

Alvorada no campus Salvador
Em 2025, o Projeto Alvorada – Ciclo II ganhou destaque nacional ao conquistar o 7º Prêmio Espírito Público, na categoria Segurança Pública, promovido pelo Instituto República.org.
Desenvolvido pela primeira vez no IFBA, o campus Salvador foi o escolhido para a iniciativa. O Projeto Alvorada – Ciclo II integra uma política nacional coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen/MJSP) e executada em parceria com instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. A ação tem como foco a inclusão social e produtiva de pessoas egressas do sistema prisional e de seus familiares, por meio da qualificação profissional, do acompanhamento pedagógico e do estímulo à inserção no mundo do trabalho. No IFBA, o projeto foi iniciado em abril de 2025 e atendeu 30 estudantes, com uma carga horária total de 720 horas, distribuídas entre aulas teóricas, práticas, estágio supervisionado e atividades complementares.
Ao longo do ano, os participantes tiveram acesso a uma formação ampla, que incluiu conteúdos técnicos específicos da área da construção civil, além de disciplinas voltadas à educação básica, empreendedorismo, projeto de vida, saúde, segurança no trabalho e habilidades profissionais. O percurso formativo foi acompanhado por uma equipe multidisciplinar composta por docentes, mentores e pelo Núcleo de Inclusão Social e Produtiva, responsável por apoiar os estudantes na construção de trajetórias de inserção profissional, seja por meio de estágios, empregos formais ou iniciativas autônomas.
Em 2025, o Projeto Alvorada – Ciclo II ganhou destaque nacional ao conquistar o 7º Prêmio Espírito Público, na categoria Segurança Pública, promovido pelo Instituto República.org. A premiação reconheceu a iniciativa como uma ação inovadora do serviço público, alinhada à Política Nacional de Atenção às Pessoas Egressas do Sistema Prisional (PNAPE) e ao Plano Nacional Pena Justa, evidenciando a relevância do papel dos Institutos Federais na promoção da ressocialização e da cidadania por meio da educação profissional.
Para o coordenador institucional do Projeto Alvorada Ciclo 2 do campus Salvador, Georges Souto Rocha, a iniciativa foi muito positiva pois certificou a maioria dos estudantes matriculados. Ele conta que a participação tem gerado oportunidades concretas de inserção no mercado de trabalho, com grande parte dos cursistas já empregados ou em processo de formalização de vínculos.
Georges recorda que além dos impactos sociais, o projeto deixou um legado institucional: no âmbito da disciplina Práticas de Pinturas, os estudantes realizaram a limpeza e pintura de dois espaços do IFBA — as futuras salas da Diretoria de Gestão da Tecnologia da Informação (DGTI), na Reitoria, e da Diretoria Adjunta de Engenharia e Manutenção (DAEM) junto com a Divisão de Manutenção Geral (Dimag), no bloco C do campus Salvador — intervenções conduzidas sob orientação profissional e com materiais fornecidos pelo próprio projeto.

Educação, reinserção social e atuação interinstitucional
Um dos destaques do Projeto Alvorada – Ciclo II no campus Salvador foi a participação do Escritório Social da Bahia (ESBA), equipamento fomentado desde 2016 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para dar suporte à reinserção social e produtiva de egressos do sistema prisional do Estado da Bahia. Inaugurado em 2020, o ESBA é órgão vinculado à Seap e tem como o coordenador Everaldo Jesus de Carvalho, responsável por acompanhar ações do Escritório junto ao IFBA.
Everaldo destaca que a parceria entre o Projeto Alvorada e o Escritório Social foi fundamental para ampliar o acesso de egressos do sistema prisional e seus familiares a oportunidades formativas, a partir de critérios como vulnerabilidade social, interesse pela qualificação, disponibilidade para participação contínua e fortalecimento da empregabilidade, com atenção especial a mulheres com histórico de privação de liberdade. Segundo ele, essa articulação permitiu alcançar um público historicamente excluído das políticas educacionais, garantindo diversidade, permanência e acompanhamento mais humanizado.
Ao avaliar os impactos do Ciclo II, Everaldo aponta transformações significativas nos estudantes, como maior engajamento, fortalecimento da autoestima, ampliação da autonomia e reconstrução de projetos de vida, resultado da combinação entre formação técnica, mentoria e atuação do Núcleo de Inclusão Social e Produtiva. Para os próximos ciclos, a expectativa é de ampliação e fortalecimento da rede construída. “A parceria [do IFBA] com o Escritório Social não só deve continuar como tende a ser expandida, dada a relevância e os resultados alcançados”, destacou Everaldo.
Georges complementa lembrando que a promoção da capacitação exigiu a adoção de uma pedagogia em construção por se tratar de educação voltada a pessoas privadas de liberdade, o que trouxe desafios superados com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), da Diretoria Geral do campus Salvador, do Escritório Social da Bahia, da empresa parceira Renovar Engenharia e de mentores, docentes e coordenações envolvidos. "De modo geral, os cursistas têm uma avaliação muito boa do programa e muitos deles revelaram aspectos da mudança positiva de suas vidas e as oportunidades que foram criadas para superação de barreiras, estigmatização, preconceitos e criação de oportunidades reais para a inclusão social e produtiva", conclui.
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Mais informações
Edição da matéria: Andréa Costa. Fotos: Lêda Xavier (cerimônia de encerramento), Jamile Castro (cursistas no auditório), Arquivo Senappen (Prêmio), Arquivo Prodin e Dimag (práticas de pintura), Acervo pessoal (Everaldo de Carvalho)
