Você está aqui: Página Inicial > Campus Salvador > Comunicação > Notícias > 2025 > Memórias: ministro da Casa Civil Rui Costa recorda período em que estudou na Escola Técnica
conteúdo

Memórias: ministro da Casa Civil Rui Costa recorda período em que estudou na Escola Técnica

por Henrique Soares publicado: 11/11/2025 11h18, última modificação: 11/11/2025 14h57

Memórias_Egressos

RUI COSTA DOS SANTOS

Instrumentação Industrial - 1978 a 1981

Rui

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e cada um/a dos/as seus/suas egressos/as formam elos eternos de ensinamentos mútuos, boas recordações e influências positivas. Os mesmos pés que caminham sob o chão da Praça Vermelha do campus Salvador são os que também andam nos mais diferentes locais de influência dos rumos políticos, econômicos, sociais e artísticos do nosso país.

"A Escola Técnica, hoje o Instituto Federal, guarda uma memória muito forte de excelência de curso, de convivência entre os jovens e de uma formação profissional extraordinária. E a grande maioria dos meus colegas, além de trabalhar, conseguiram depois e fizeram o curso superior, porque era uma base muito sólida de ensino. Era excelente o ensino. Os alunos que saíam de lá conseguiam emprego fácil e todos, quase 100%, passavam automaticamente no vestibular, passavam em cursos de medicina, em cursos de engenharia, ou seja, eram sempre os primeiros colocados"

Rui Costa

Atualmente os passos do nosso egresso Rui Costa dos Santos são dados na Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde está localizado o Palácio do Planalto, seu local de trabalho. Ministro da Casa Civil do Governo Federal, Rui Costa tem uma trajetória capaz de inspirar a sociedade a concluir: quando um país constrói e fortalece instituições de ensino público de qualidade que estendem as mãos a jovens dedicados e disciplinados, essas parcerias são capazes de transformar não somente a vida dos indivíduos, mas a própria coletividade que é beneficiada pelo trabalho desses profissionais. Sim, essa foi a história do egresso que abre essa série de reportagens que pretende registrar quem são nossos/as ex-alunos/as que hoje estão levando os aprendizados e valores do IFBA para os quatro cantos do mundo.

Depois que finalizou o curso de Instrumentação Industrial, concluído em 1981 após estágio na Copene, no Polo Petroquímico de Camaçari, Rui teve uma trajetória marcada pela atuação técnica e sindical, iniciou sua carreira como desenhista projetista na Copene Petroquímica do Nordeste, entre 1981 e 1985. No ano seguinte, atuou como técnico de instrumentação na Promon Engenharia e, em 1986, como desenhista projetista na Natron Consultoria e Projetos, além de projetista industrial na Terra Passos Projetos até 1987. Paralelamente à experiência no setor industrial, destacou-se no movimento sindical, exercendo a função de diretor no Sindicato dos Químicos e Petroleiros entre 1984 e 2000 e, posteriormente, na Confederação Nacional dos Químicos, de 1992 a 1998.  

Após concluir seu curso da Escola Técnica, Rui também se tornou economista, vereador de Salvador, secretário de Relações Institucionais, deputado federal, secretário da Casa Civil e governador da Bahia antes de assumir a gestão do Ministério da Casa Civil. Casado com a enfermeira Aline Peixoto, Rui é pai de Rui Filho, Malu, Marina, Caio e Aline.

Rui Costa
Rui Costa ao lado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a posse como ministro da Casa Civil da Presidência da República em janeiro de 2023..

O começo da vida e a busca por formação técnica

Essa história começou no verão soteropolitano, em 18 de janeiro de 1963, uma sexta-feira, dia em que Rui Costa nasceu. Nesse ano, o Brasil era governado pelo presidente João Goulart e a Bahia por Juracy Magalhães, sucedido em abril por Lomanto Junior. Certamente nem o presidente nem os dois governadores imaginavam que naquele mês de janeiro nascia o segundo filho do metalúrgico Cloves dos Santos e da dona de casa Maria Luzia Costa dos Santos e que no futuro se tornaria governador da Bahia como eles nem que estaria trabalhando na Presidência da República como ministro da Casa Civil. Nesse mesmo ano de 1963, estiveram à frente da Casa Civil, em Brasília, o jurista Evandro Lins e Silva e o antropólogo, historiador e educador Darcy Ribeiro.

Rui teve um irmão mais velho, Robson, e dois mais novos, Roberval e Rosemeire e passou a infância e a adolescência na Liberdade, em Salvador, considerado um dos bairros negros mais populosos fora da África. 

"E, naquela época, o diretor da escola se chamava Ruy Santos e ele era interventor do regime militar. Nós estávamos ainda na década de 70, quando eu entrei, e o movimento estudantil fazia uma campanha fora Ruy Santos, para tirar o diretor da escola e para que houvesse uma escolha democrática do diretor. E, desde então, eu comecei a usar meu primeiro e segundo nome, Rui Costa, e até hoje ficou como Rui Costa. E o Santos, que era de meu pai, ficou em desuso em função do diretor da escola"

Rui Costa

O ministro da Casa Civil relembrou o período em que estudou na antiga Escola Técnica Federal da Bahia — hoje Instituto Federal da Bahia — e destacou a importância da formação técnica em sua trajetória pessoal e profissional. "Eu entrei na Escola Técnica em 1978, cursei em 78, 79, 80 e saí em meados de 81. Portanto, eram três anos e meio, três anos do ensino médio e meio ano que se fazia o estágio e tinha que apresentar relatório para dar a conclusão do curso. Naquele momento, eu fiz o estágio na antiga Copene (Companhia Petroquímica do Nordeste), no Polo Petroquímico de Camaçari", lembra.

Ele conta que a escolha do curso de Instrumentação Industrial foi influenciada pelo pai, que trabalhava na indústria, e pela boa perspectiva de emprego que o polo oferecia na época. “Tinha muita vaga de emprego, o Polo Petroquímico estava se consolidando naquele momento. E tinha muitos anúncios de emprego, de contratações, tinha primos meus que trabalhavam no polo. O salário naquela época era um bom salário e a gente enxergava como uma oportunidade, portanto, de trabalhar e ajudar a família. Eu estava no último semestre do curso quando comecei a estagiar lá. Logo em seguida, consegui o contrato de emprego e fui efetivado em 1982”.

Como Rui soube da aprovação no processo seletivo

Oriundo de uma família humilde, o ministro recorda que o ingresso na instituição foi um marco. Como ocorre ainda hoje, para conquistar uma vaga era necessário enfrentar processo seletivo. Rui lembra que, ao saber que o resultado estava disponível, foi até o campus no Barbalho para conferir a lista e foi informado que não havia sido aprovado. “Aconteceu algo engraçado, porque eu sempre fui, naquela época, chamava de CDF, estava entre os alunos mais dedicados. Eu fiz, confiante que tinha feito uma excelente prova, mas assim que saía o resultado, primeiro eles publicavam dentro dos muros da Escola Técnica. E aquela multidão de jovens do lado de cada grade e os funcionários do lado de dentro olhando a lista pregada na parede, vindo na grade e responder ao aluno. Então, ficava aquele empurra-empurra, todo mundo ansioso para saber se tinha passado no vestibular e só no dia seguinte saía publicada a lista no jornal. Pois bem, assim que eu soube que saiu o resultado, eu corri e fui lá para a porta do colégio com outros jovens e perguntei a um dos funcionários que estava lá, que tinham muitos funcionários, se meu nome constava na lista. Ele voltou e me disse que não. E eu voltei para casa muito triste, naquela época chorando, fiquei em casa o dia inteiro muito triste, minha mãe tentando me consolar”, recorda Rui.

Mas no dia seguinte, o engano foi desfeito. “Um vizinho veio correndo para a minha casa e me disse: ‘olha aqui o jornal seu nome está no jornal, por que você está triste?’ E aí foi uma emoção grande lá em casa porque eu tinha passado e na verdade o funcionário é que tinha olhado errado o resultado. E a gente ficou feliz porque como sou de uma família muito humilde, meu pai era metalúrgico, minha mãe fazia doce e salgado de encomenda, e quando não tinha ela fazia faxina na casa dos outros. Eu e meus irmãos, nós queríamos fazer logo um curso técnico para poder trabalhar e ajudar a nossa família. Então, eu fiz escola técnica, meu irmão fez escola técnica, porque era o jeito mais fácil, mais rápido, primeiro, de ter um excelente curso; segundo, de ter uma profissão”, destaca Rui.

As dificuldades e surgimento do nome que o faria conhecido no Brasil

Durante os anos de estudo, ele enfrentou algumas dificuldades. “Eu ia a pé todo dia, de onde eu morava, da Liberdade até o Barbalho, porque não tinha dinheiro para transporte e, às vezes, não tinha dinheiro para alimentação. No máximo, não tinha um trocado. Naquela época, a gente comia um pão de passas, que era bem barato. Era um pão enorme, que a gente dividia para dois. Aí, a gente, normalmente, comprava aquele refrigerante em litro e dividia para todos os alunos. Era assim que a gente passava o dia lá estudando. São recordações importantes, porque foi uma experiência única onde a gente teve um aprendizado extraordinário”, relembra.

Uma curiosidade que marcou sua vida também nasceu nesse tempo: o uso do nome “Rui Costa”. O então diretor da escola chamava-se Ruy Santos Filho, que permaneceu no cargo de 1974 até 1986, e era alvo de protestos estudantis. "Normalmente, você usa o primeiro nome e o último. A maioria das pessoas fazem isso. E, naquela época, o diretor da escola se chamava Ruy Santos e ele era interventor do regime militar. Nós estávamos ainda na década de 70, quando eu entrei, e o movimento estudantil fazia uma campanha fora Ruy Santos, para tirar o diretor da escola e para que houvesse uma escolha democrática do diretor. E, desde então, eu comecei a usar meu primeiro e segundo nome, Rui Costa, e até hoje ficou como Rui Costa. E o Santos, que era de meu pai, ficou em desuso em função do diretor da escola", completa.

Posse_Rui Costa

Sobre o ensino na instituição, Rui Costa ressalta o alto nível de formação oferecida. Ele afirma que a escola se destacava pela excelência dos cursos e pela convivência entre os alunos. "A Escola Técnica, hoje o Instituto Federal, guarda uma memória muito forte de excelência de curso, de convivência entre os jovens e de uma formação profissional extraordinária. E a grande maioria dos meus colegas, além de trabalhar, conseguiram depois e fizeram o curso superior, porque era uma base muito sólida de ensino. Era excelente o ensino. Os alunos que saíam de lá conseguiam emprego fácil e todos, quase 100%, passavam automaticamente no vestibular, passavam em cursos de medicina, em cursos de engenharia, ou seja, eram sempre os primeiros colocados".

Método de estudo utilizado

Entre as atividades acadêmicas mais marcantes, o ministro menciona o método chamado “passo”, utilizado nas aulas de física, química e matemática.  “Sempre eram duas aulas seguidas da matéria. Por exemplo, física, a primeira aula era a aula teórica, ficava assistindo o professor ensinar, eletricidade, mecânica. Depois, ia para o laboratório fazer um experimento daquela aula que teve, isso que se chamava 'passo'. E tinha que concluir o experimento, fazer um relatório e fazer uma espécie de simulado, de cálculo daquele experimento que foi feito. Então, todo dia era assim. Isso consolidava muito o aprendizado, os alunos saíam com um aprendizado muito sólido”. 

Já são mais de quatro décadas que Rui Costa deixou de ser nosso estudante para brilhar em sua trajetória profissional, aplicando conhecimentos e guardando no coração valores como esforço, convivência e superação que o acompanham ao longo da vida pública. Rui Costa estará para sempre na memória do campus Salvador do Instituto Federal da Bahia!

Rui Costa

Fotos: Assessoria Especial de Comunicação da Casa Civil da Presidência da República; José Cruz/Agência Brasil; Manu Dias/SecomBA; .
Arte: Henrique Soares, com imagens reprodução da internet, Freepik e Partido dos Trabalhadores .