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IFBA é titular de mais uma patente: analisador de unidades eletrocirúrgicas

Pesquisa e Inovação

A invenção patenteada foi desenvolvida por professores pesquisadores do campus Salvador
por Jamile Teixeira publicado: 15/04/2025 16h15, última modificação: 17/04/2025 15h40

Patente do analisador de unidades eletrocirurgicasÉ preciso muito estudo e pesquisa para desenvolver uma invenção. Mas, conseguir patentear também demanda bastante esforço e paciência. Um grupo de professores, pesquisadores e inventores do campus Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) conseguiu cumprir todos os requisitos para obter o registro de patente do analisador de unidades eletrocirúrgicas. São eles: Handerson Leite, Josemir Alexandrino, Marcus Navarro, Ruy Brandão, Hugo Antônio Silva e Cláudio de Souza.

O depósito do trabalho foi realizado no ano de 2012. Enfim, em 2025, foi concedida ao IFBA a titularidade da patente de invenção pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, o INPI. Autarquia atualmente vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o INPI exerce seu papel de aplicar, em nível nacional, as normas que regulam a propriedade industrial para que esta cumpra seu papel social, econômico, jurídico e técnico. Também é a instituição que se manifesta sobre a conveniência de o Brasil firmar ou revisar acordos internacionais sobre o tema. Um total de 24 pedidos de patentes do IFBA ainda aguardam análise pelo INPI.

Já aposentado do IFBA desde o ano de 2019, o professor titular e pesquisador Handerson Leite é um dos inventores do analisador. Doutor em Saúde Coletiva, Leite hoje em dia exerce o cargo de diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). Em entrevista, é ele que nos explica do que se trata o analisador de unidades eletrocirúrgicas.

ENTREVISTA

Handerson Jorge Dourado LeitePágina do Campus Salvador - O que é o analisador de unidades eletrocirúrgicas?

Handerson Leite - O analisador de unidades cirúrgicas é um equipamento que faz a avaliação das condições de conformidade de um bisturi elétrico. As unidades elétrica na verdade são bisturis elétricos usados para fazer cirurgia. Então, esse analisador testa se o bisturi está funcionando corretamente e perfeitamente para evitar qualquer dano, qualquer acidente com o paciente.

PCS - Qual é a função?

HL - A função dele é avaliar os bisturis elétricos no início do uso ou após manutenção para ver se os parâmetros que estão sendo fornecidos, os parâmetros de potência, de corrente e de tensão estão em conformidade com aquilo que o médico quer usar para determinada cirurgia.

PCS - Qual é o diferencial?

HL - O primeiro grande diferencial é que é um equipamento totalmente nacional, ou seja, com uso de tecnologia nacional. O único que existe no mundo é de tecnologia americana e custa muito caro. Do ponto de vista do diferencial tecnológico, talvez o que mais seja razoável para explicar é que ele usa uma rede de resistores ultra-precisos, resistores semicondutores para simular os tecidos humanos na hora de fazer o teste. Outras diferenças são muito técnicas. Eu diria que essas duas grandes questões: primeiro é uma tecnologia nacional desenvolvida toda por nós aqui do IFBA e segundo a gente usa esse sistema de resistores para simular os tecidos humanos, o que dá muito mais confiabilidade e precisão no processo de avaliação de unidades eletrocirúrgicas ou bisturis elétricos.

PCS - Qual é a importância social e acadêmica deste trabalho?

HL - Do ponto de vista acadêmico, eu acho que ele é relevante não só porque desenvolvemos uma tecnologia aqui no Instituto, como também é porque envolvemos alunos nesse processo. Tivemos bolsistas alunos que participaram desse trabalho que dá pra eles um conhecimento e uma cancha grande. Do ponto de vista social, no momento em que a gente consiga transferir essa tecnologia para uma produção nacional, deve-se reduzir muito o custo do uso desses equipamentos e, portanto, aumentar o uso nas unidades de saúde, nos hospitais para fazer esse tipo de análise dos bisturis antes de usá-los.

PCS - Como a equipe trabalhou para o desenvolvimento dessa tecnologia?

HL - O primeiro grande passo foi identificar que não existia esse equipamento nacional, que esse equipamento era importado e que a tecnologia de construção deles tinha pouca confiabilidade no sentido técnico da palavra, ou seja, tinha pouca precisão. E a gente podia fazer algo mais preciso que permitisse uma melhor confiabilidade na análise dos equipamentos. Essa foi a primeira questão. Depois a equipe se organizou. Nós elaboramos o projeto. Apresentamos esse projeto no edital. Esse projeto foi aprovado e nós iniciamos o trabalho fazendo o desenvolvimento conforme planejado em nosso projeto.

PCS - Como acontece o processo de registro de patente?

HL - O processo de registro de patente segue as regras do Dinov - Departamento de Inovação, do Instituto, ou seja, a gente precisa primeiro fazer uma consulta para ver se é possível fazer a patente. Eles avaliam se tem alguma já naquela área e, não tendo, ele dá o sinal verde, a gente escreve a patente. Eles também fazem as críticas. Depois passa por avaliadores externos, geralmente avaliadores ad hoc, que vão ver a eficiência ou não. Somente depois isso vai ser registrado no INPI.

PCS - A partir do registro, quais são os próximos passos? O que pretendem?

HL - Veja, a ideia é fazer a transferência de tecnologia para uma empresa. [...] É uma tecnologia que hoje é do IFBA e que pode ser transferida a qualquer momento, inclusive pelo Polo de Inovação.

PCS - O analisador será comercializado?

HL - Quanto à comercialização, ela depende da transferência de tecnologia. É preciso primeiro transferi-la para que uma indústria possa absorvê-la e usar esse analisador. O que a gente já fez lá no passado. Para que [essa indústria] possa produzir e comercializar no Brasil. Existem outros casos que a gente fez que já foram transferidas a tecnologia através do Polo de Inovação, como o caso do analisador de incubadoras. O bisturi, exatamente, não. Mas aí, ele fica à disposição, podendo ser transferido a qualquer momento.

Foto e imagem: Arquivo pessoal. 



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