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Pesquisadora do campus Salvador é selecionada para intercâmbio na Colômbia

Durante o intercâmbio Deise vai apresentar atividades e estratégias didáticas para uma educação antirracista a partir da sua experiência no IFBA.
por Henrique Soares publicado: 30/10/2024 19h40, última modificação: 30/10/2024 19h40

Deise VianaA pesquisadora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus Salvador, Deise Viana foi selecionada para participar da primeira edição do “Programa Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul”, desenvolvido pela  Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes) do Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) do Brasil, em parceria com a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), com sede na cidade de Praia, República de Cabo Verde e a Secretaría de Educación Distrital, com sede na cidade de Bogotá, República da Colômbia.

A docente vai realizar esse intercâmbio de pesquisa de 4 a 18 de novembro em Bogotá, Colômbia. Voltado para professores do ensino básico e estudantes de licenciatura, o programa tem como finalidade estimular e promover a socialização de conhecimentos, de experiências e de políticas públicas que contribuam com o combate e a superação do racismo no Brasil e da história e cultura africana e da diáspora africana para a educação das relações étnico-raciais.

Deise informa que durante o intercâmbio vai apresentar atividades e estratégias didáticas para uma educação antirracista a partir da sua experiência no IFBA. “A experiência de um intercâmbio de pesquisa enriquece tanto o aspecto acadêmico quanto o desenvolvimento pessoal, resultando em uma formação mais completa e conectada globalmente. Neste caso, a integração Sul-Sul é um projeto do atual governo que percebe o Brasil como integrante da América Latina, não apenas geograficamente, mas sobretudo do ponto de vista político-cultural”, pontua.

A pesquisadora destaca que essa primeira edição do Caminhos Amefricanos “é um marco da luta antirracista fora do eixo hegemônico de acordos de pesquisas que tradicionalmente são firmados pelo Brasil. Olhar para os países latino-americanos não pode ser apenas um discurso. São necessárias ações efetivas que perpassam tanto pela garantia do ensino ensino da língua espanhola na Educação Básica, como também por movimentos de integração entre instituições de ensino para produção de conhecimentos a partir das vozes do Sul epistêmico”.

Ela acredita que esse programa vai fortalecer a educação antirracista. “Estou muito feliz pela oportunidade de ampliar meu campo de pesquisa e de formação docente. É um momento único no país em que dois ministérios decidem romper as fronteiras acadêmicas e culturais contemplando 50 professores/as brasileiros/as com bolsas de pesquisa para pensar e desenvolver a educação básica em um eixo tão necessário e importante para a formação cidadã da nossa sociedade que é a educação antirracista. Tais ações são chave na luta contra o racismo, na valorização das políticas afirmativas e no reparo histórico da dívida que este país possui com a população negra”.

Plano de trabalho


Deise VianaCom sua tese “Língua estrangeira e raça: o pensar e o agir nas práticas decoloniais de professores de espanhol” recém publicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e relacionada com a formação antirracista e com a formação de professores da educação básica, Deise explica que o plano de trabalho selecionado envolve ações de ensino, pesquisa e extensão.

No ensino, as ações estarão ligadas à lei 10.639/2003 e  11.645/2008, que estabelecem, respectivamente, a obrigatoriedade do ensino de "história e cultura afro-brasileira" dentro das disciplinas que já fazem parte das grades curriculares, estabelece o 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra no calendário escolar e torna obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio.

Na pesquisa, Deise lembra a publicação eletrônica do Ministério de Igualdade Racial, que vai disponibilizar os resultados de pesquisa e extensão, “pois o edital prevê ações de divulgação científica em eventos locais. No meu caso, pretendo realizar no campus Salvador”. As ações extensionistas também serão realizadas na instituição.