Pesquisador do campus Salvador lança inventário analítico de Beatriz Nascimento pela EDIFBA
O pesquisador do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Salvador, Wagner Vinhas acaba de lançar, por meio da Editora do Instituto Federal da Bahia (EDIFBA) o livro “Inventário Analítico da Coleção Maria Beatriz Nascimento”.
O objetivo da publicação é auxiliar pesquisadores/as e estudantes na identificação documental e servir de referência à organização do acervo depositado no Arquivo Nacional. De acordo com Wagner, no prefácio, trata-se de “um conjunto factual da trajetória e da relevância de uma intelectual negra ainda pouco estudada, mas com um potencial analítico ainda por ser reconhecido pelo campo intelectual brasileiro. O nosso objetivo foi trazer à tona o inventário de um vasto conjunto de registros da vida e da obra de Beatriz Nascimento e tornar disponível à comunidade científica uma série de materiais textuais”.
Em 124 páginas, a obra reúne detalhes sobre as correspondências, documentos pessoais, produção intelectual, livros, periódicos, recortes de jornais, anotações e impressos.
Wagner conta no prefácio que foi ao Rio de Janeiro em 2012 e passou duas semanas no Arquivo Nacional, onde fotografou 43 envelopes com materiais doados pela família de Maria Beatriz Nascimento. No fim do trabalho, eram cinco mil registros fotográficos . Depois ele examinou as cópias digitais e elaborou uma ficha de catalogação, cujos elementos alimentaram um banco de dados. Com esses registros digitalizados, ele confeccionou o Inventário Analítico, que é um instrumento de pesquisa que descreve as unidades de arquivamento de um fundo ou parte dele.
Trajetória de Beatriz Nascimento
Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju (SE) em 1942 e migrou com a família para o Rio de Janeiro, em 1949. Filha de uma mãe dona de casa e um pai pedreiro, Beatriz estudou em escolas públicas da capital e ingressou no curso de História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1967. Entre 1979 e 1981, ela cursou especialização em História do Brasil, pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ao lado de pesquisadores e pesquisadoras negras, Beatriz fundou o Grupo de Trabalho André Rebouças na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela iniciou o curso de mestrado em Comunicação em 1994, sob a orientação do professor Muniz Sodré, pela UFRJ. Enquanto pesquisadora, Beatriz Nascimento se dedicou durante duas décadas ao estudo das formações dos quilombos no Brasil.
Embora seja considerada uma das maiores estudiosas do país a respeito do tema, Beatriz Nascimento é mais conhecida pelo documentário Ôrí, lançado em 1989 e dirigido pela cineasta Raquel Gerber. O filme recupera os percursos dos movimentos negros que emergiram no Brasil entre 1977 e 1988, entrelaçados pela diáspora africana, tendo os quilombos como fio condutor.
Em 28 de janeiro de 1995 Beatriz foi vítima de três disparos de arma de fogo em frente à Lanchonete Pasteur, no bairro de Botafogo, na capital fluminense.
Foto: Agência Brasil
