Projeto vai ajudar catadores/as a transformar plásticos em móveis
“Zer0: Tecnologia Social para Reciclagem Local de Plástico”. Esse é o nome do projeto de pesquisa e extensão que será implantado no campus Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) a partir de uma parceria com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Através de máquinas desenvolvidas pelo grupo, qualquer pessoa treinada pode transformar plásticos usados em móveis como mesas, cadeiras, pufs, carteiras escolares e bancos.
O objetivo do projeto é aliviar os problemas causados pela poluição de plásticos e criar trabalho decente para pessoas sem formação técnica, a exemplo catadores de materiais recicláveis. “Essas pessoas que catam esse material normalmente são pessoas muito humildes, de condição social bem precária.As pessoas pegam o plástico e vendem para terceiros. Então quem ganha alguma coisa na realidade são esses terceiros. A gente quer trabalhar com essas mulheres”, explica a pesquisadora do campus Salvador Mirtânia Leão, coordenadora do Grupo de Pesquisa Compósitos Poliméricos e Cerâmicos (GCPC) do IFBA.
O projeto teve início em 2018 na Universidade Federal da Bahia (Ufba), a partir da ação do pesquisador Paulo Gomes, que veio ao campus se reunir com Mirtânia no último dia 21 para traçar as primeiras estratégias da ação, que será financiada por duas emendas parlamentares das deputadas federais Luiza Erundina (SP) e Lídice da Mata (BA). A partir dos valores, serão instaladas três novas oficinas de transformação em Salvador.
Mirtânia recorda que foi procurada para realizar a caracterização e verificação da resistência do material do projeto da Ufba em seu grupo de pesquisa e a diretora de extensão, Luanda Kívia, idealizou a busca de recursos. "Então foi feito um projeto em cima do projeto dele (Paulo Gomes), solicitando essa emenda. Eu pedi pra Lídice e pedi pra Luiza. A reunião é para ver como a gente vai melhorar os equipamentos da Ufba, fazer uma oficina aqui e se a gente já parte ou não para fazer uma oficina numa comunidade". A pesquisadora esclarece que a emenda de Erundina é para a compra de equipamentos e "a de Lídice será em cima do projeto, podendo pagar bolsa pra estudante e pesquisador e fazer as nossas oficinas". A partir do recebimento dos recursos das emendas, o IFBA já começa a trabalhar na proposta.
No começo de 2022, conta Paulo Gomes, foi instalada a primeira oficina de transformação numa comunidade quilombola no povoado de Pedra Furada, município de Santa Luzia do Itanhy, Sergipe, onde são produzidos móveis. Foram capacitadas nove mulheres em Sergipe que catavam aratu e antes do projeto, como informa Paulo, ganhavam até R$ 30 por dia. “Tem um ano que começamos lá. Hoje elas estão conseguindo produzir e vender móveis. Antes os homens do povoado diziam ‘isso não vai dar em nada’. Agora, elas estão ganhando mais do que os homens" conta Gomes. Ele relata que elas hoje vendem uma mesa por R$ 390. "São quase 15 dias de trabalho delas", calcula.
O pesquisador da Ufba explica que o que os catadores ganham somente com a venda dos plásticos não consegue tirá-los da situação de miséria. “Eu conheci catadores de segunda e terceira geração. Isso é muito triste. A maioria deles não tem nem o ensino fundamental. A ideia é fornecer tecnologia para que eles possam transformar plástico em objeto de valor no ambiente deles, para eles gerarem renda. Ao mesmo tempo eles estão fazendo um serviço ambiental, que é retirar o plástico da natureza”, enfatiza Paulo.
Ele continua: “Foram produzidas e comercializadas cerca de 50 peças. Mais de 500 kg de plástico que haviam sido descartados foram transformados em placas e barras maciças que estão prontas para serem utilizadas”, explica Paulo. O pesquisador Paulo lembra que a tecnologia estará disponível para ser mais facilmente disseminada. “Estamos totalmente abertos para fazer parcerias e prontos para transferir a tecnologia a quem se interessar”, anuncia.
Além de Paulo Gomes e Mirtânia Leão, integram o projeto Rosana Fialho, Adriano Puglia, Nicolas Medina, além de estudantes da Ufba, do IFBA e integrantes do GCPC.

Fotos: Henrique Soares e Acervo Pessoal



