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IFBA realiza formação para debater cultura afro-brasileira e indígena na educação básica

por Henrique Soares publicado: 11/04/2022 15h14, última modificação: 31/10/2022 13h13

Professores (as) atuam na rede pública de ensino, principalmente os das áreas de linguagem e humanidades, vão poder participar gratuitamente do terceiro ciclo formativo do projeto de pesquisa e extensão Canteiro de Obras Pretas do campus Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), que acontecerá  entre os dias 18 de abril a 20 de junho, durante nove segundas-feiras, sempre a partir das 19h, online.

O objetivo é discutir propostas sobre a aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08 que, respectivamente, adotam no currículo oficial do ensino fundamental e médio a obrigatoriedade do ensino de "História e Cultura Afro-Brasileira" e “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

Estão sendo disponibilizadas 40 vagas e as inscrições podem ser realizadas gratuitamente até sexta-feira (15), via internet. Os participantes que alcançarem 70% de frequência e apresentarem um plano de aula até o final terão direito a certificação de 120 horas. 

Na ocasião, o Canteiro de Obras Pretas fará a leitura de obras e encontros virtuais com autores (as) negros (as) e indígenas, não somente da Bahia, para a construção de planos de aula que possam ser trabalhados no cotidiano escolar.

A ação é coordenada pelos pesquisadores do campus Salvador Theo Barreto e Ana Carla Portela. Eles atuam no grupo Muanzi, que reúne pesquisadores do IFBA dos campi Salvador, Seabra e Feira de Santana.  

Escolas pluriversais, inclusivas e antirracistas

Para Barreto, o que se deseja é a construção de escolas pluriversais, ou seja, que reconheçam todas as perspectivas, além de inclusivas e antirracistas. 

“As matrizes curriculares de nossas escolas ainda silenciam as nossas ancestralidades, isso evidencia-se nas aulas com componentes eurocentrados e que quase nunca permitem a emergência das expressões, linguagens, formas de ser, de sentir o mundo e de viver identificadas com as matrizes negras e afro-indígenas. Sonhamos com uma escola pluriversal, feliz, justa e verdadeiramente comprometida com a igualdade, uma escola respeite e valorize as matrizes negras e indígenas, as quais também que nos forjaram enquanto povo, e não apenas a europeia como é hoje e as leis antirracistas admitem”

A proposta do grupo é olhar conhecimentos e saberes que, segundo Theo, “a nossa escola colonizada silencia”. Ele lembra que entre os caminhos para implementar os ensinos da história e da cultura afro-brasileira e indígena estão a literatura negra e indígena, “tanto naquilo que trazem dos modelos escolares formais, mas também, naquilo que extrapolam o padrão escolar acadêmico que conhecemos”. 

As duas primeiras edições do Canteiro de Obras Pretas foram realizadas em 2021 e o projeto é financiado pelos editais de incentivo 05/2020 e 18/2021 das diretorias de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (DPGI) e de Extensão e Relações Comunitárias (Direc) do campus Salvador. 

Inscrições: www.even3.com.br/canteiroobraspretas2022