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IFBA e Rede Federal completam 110 anos de contribuições à educação profissional

por Henrique Soares publicado: 23/09/2019 16h10, última modificação: 23/09/2019 22h31
Colaboradores: Jamile Teixeira

Quantas histórias são provocadas a partir de uma única história? Em 23 de setembro de 1909, há 110 anos, nascia no Brasil a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. 

Escola de Aprendizes Artífices da Bahia, Liceu Industrial de Salvador, Escola Técnica de Salvador, Escola Técnica Federal da Bahia, Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (fusão entre ETFBA e Centec) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia. Em mais de 40 mil dias de atividades, foram muitos os nomes, porém todos eles têm um único sinônimo: educação pública de qualidade.

Para comemorar essa data especial, ouvimos ex-estudantes da instituição para saber deles um pouco de algumas dessas histórias que aconteceram aqui.

Na ladeira da Água Brusca, no Barbalho, no ano de 1990, a então estudante de química Lêda Xavier fez sinal e um carro parou. Quatro homens ocupavam o automóvel. "Ao entrar, um deles perguntou ´Você não tem medo de pegar carona?'. Ela respondeu: 'Medo por medo, prefiro ir sentada', conta sorrindo. Pagar carona era uma prática muito comum entre os estudantes da época. Hoje licenciada em letras e técnica administrativa na instituição, Lêda recorda que o período foi de “muita cultura, alegria e convívio com os colegas". Ela destaca que os alunos eram chamados de "smurfs", personagem de desenho animado, em razão do azul da farda utilizada no período. "Frequentávamos a escola e o movimento cultural. Íamos ao Teatro Vila Velha, tocávamos no Passeio Público sempre fora dos períodos das aulas. Muitas vezes, mesmo sem aulas, permanecíamos aqui. O IFBA não é uma passagem, é uma marca registrada, um poço de cultura, humanidade e conhecimento", pontua Xavier, ao lembrar que já tocou no violão obras do alemão Johann Sebastian Bach na instituição. 

Na famosa Praça Vermelha, no atual campus Salvador, estudantes com caixas de som e guitarras já experimentavam seus primeiros acordes na década de 1980, e se tornariam músicos profissionais, depois, como Fábio Cascadura (Banda Doutor Cascadura) e Silvano Gomes (nome artístico Joe Gomes), que tocou com Pitty, Retrofoguetes, entre outros. Essa é uma das lembranças do historiador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) Ricardo Moreno, que cursou o técnico em química de 1985 a 1990. Ricardo também lembra que foi nessa época, em 1986, que o grêmio estudantil foi fundado e ele se tornou o segundo presidente em 1987. 

“Na época fui fazer teatro, mas antes disso fiz esportes, handebol, basquete, futebol de salão. Abriu-se ali um universo de tantas coisas para um jovem e um adolescente. Tive também minhas primeiras lições de cidadania, que é se organizar e lutar por direitos. Muito do historiador, do homem, do militante se deve a Escola Técnica”, conta Moreno.

Uma década antes, o mesmo curso de química da então Escola Técnica recebia o novo aluno Albertino Nascimento, que lembra das atividades esportivas que eram realizadas na época na área próxima a Biblioteca, onde havia uma quadra esportiva. Mas a ligação com a rede federal daquele estudante de química, que mais tarde, após a promulgação da Constituição de 1988, se tornaria professor do curso que o formou, diretor de ensino, pró-reitor de ensino e eleito duas vezes consecutivas diretor geral na mesma instituição, é mais antiga que o ano de 1976. Albertino lembra do pai, que estudou na chamada "Escola do Mingau" (denominação dada à antiga Escola de Aprendizes Artífices) e da irmã, egressa do curso de geologia. 

“A rede na minha vida é extremamente marcante, mudou completamente as minhas possibilidades. Tenho convicção que fez isso na vida de muitas pessoas e vai continuar fazendo. Formando com qualidade, com humanidade, com muito rigor técnico, mas propiciando que homens e mulheres assumam na sociedade um protagonismo, que a faça uma sociedade melhor, mais justa e mais humanitária”, destacou Albertino.

História da transformação na oferta de ensino

Parte integrante da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica que neste mês de setembro completa 110 anos, o IFBA nasceu como Escola de Aprendizes Artífices da Bahia.  Muita coisa mudou de 1909 até 2019, como, por exemplo, as transformações na oferta de cursos que buscou, historicamente, atender ao arranjo produtivo baiano de cada período.

No início, os cursos tinham características manufatureiras e artesanais: a instituição oferecia oficinas de alfaiataria, encadernação, ferraria, sapataria e marcenaria. Na década de 1940, já denominada Escola Técnica de Salvador, foram implantados os primeiros cursos técnicos em desenho de arquitetura e desenho de máquinas e de eletrotécnica. Já na década de 1950, foram criados os cursos estradas e edificações. Química e mecânica só foram oferecidos ao público nos anos 1960, decênio em que também foi reimplantado o curso de eletrotécnica. A lista de cursos que podiam ser escolhidos pelos candidatos ao exame de seleção da Escola Técnica Federal da Bahia no ano de 1974 era: saneamento, instrumentação, metalurgia, telecomunicações, estradas, edificações, química, eletrotécnica e mecânica. No ano seguinte, foi aberto o curso de geologia.

Já em 1999, o Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (Cefet-BA) ofertava na capital do estado 16 cursos de nível técnico, sete cursos de nível superior e uma pós-graduação.

A oferta de cursos foi modificada e ampliada ao longo dos anos na instituição, que hoje é equiparada às universidades federais quanto à regulação, avaliação e supervisão das instituições e dos cursos de educação superior. O IFBA oferece, atualmente, cursos superiores de tecnologia, licenciaturas, bacharelados e engenharias; cursos profissionais técnicos; cursos de especialização, mestrado e doutorado; formação inicial e continuada de trabalhadores, cursos de educação a distância, entre outros.