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IFBA potencializa ensino com o uso de Tecnologias Assistivas

por Helen Sampaio publicado: 12/11/2019 17h53, última modificação: 14/11/2019 13h38

Globo terrestre tátil
O globo terrestre tátil é uma das TAs utilizadas no campus Irecê

“Área do conhecimento que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social". Essa é a definição do termo Tecnologias Assistivas (TA), de acordo com o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), vinculada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

A fim de promover a inclusão social dos estudantes, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) iniciou, nos últimos anos, um processo de mudança cultural, norteado pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen), que culminou na aprovação, em 2017, da Política de Inclusão e realização de encontros, seminários e palestras sobre a temática, bem como de ações de incentivo à integração. Foram disponibilizados equipamentos para adequar a estrutura física das unidades (piso tátil, sinalização em Braille, banheiros adaptados, etc) e lançadas cartilhas com orientações sobre práticas acadêmicas inclusivas e o atendimento de pessoas com deficiência.

Estudante consultando material adaptado à deficiência visual
Estudante do campus Irecê consulta material em Braille

O IFBA expandiu o atendimento aos estudantes com deficiência, contando com a colaboração de profissionais tradutores e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) - efetivos e temporários-, professores de Letras-LIBRAS, de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e tradutores de Braille. Atualmente, conta com profissionais nas áreas de psicologia, serviço social, enfermagem, medicina, pedagogia, nutrição e técnicos em assuntos educacionais, que compõem os Núcleos de Atenção às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napnees). “Esses profissionais, junto com os docentes, podem desenvolver avaliações biopsicossociais e pedagógicas, em prol da inclusão educacional dos estudantes com deficiência”, pontua a assistente social e chefe do Departamento de Assistência Estudantil (Depae/ Proen), Railda Freitas.

Aliado a essas ações, estudantes e professores da instituição têm produzido, cada vez mais, novos tipos de TA, com o auxílio de diversas tecnologias que englobam, principalmente, as áreas de automação e engenharias mecânica e elétrica. As inovações são resultados de atividades dentro e fora de sala de aula e de projetos de pesquisa. “Potencializamos a inclusão educacional de forma direta para o estudante com deficiência de duas formas: primeiro pela busca em oferecer o uso de TA; e em segundo lugar, pela possibilidade do estudante com deficiência ser copartícipe no desenvolvimento de pesquisas no âmbito das tecnologias assistivas. Esse processo colabora com o fortalecimento das ações em prol da formação cidadã, científica e tecnológica da pessoa com deficiência”, afirma a assistente social.

prototipo de cadeira de rodas autonoma _ conquista.png
Protótipo de cadeira de rodas autônoma, do campus Vitória da Conquista

As pesquisas na área têm garantido a participação do IFBA nos maiores eventos nacionais e internacionais voltados às áreas de Robótica e Tecnologias para a saúde. Para o coordenador de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do campus Vitória da Conquista, Elvio Prado, as tecnologias “mantém os alunos atualizados com o futuro, proporcionando pesquisa aplicada em desenvolvimento tecnológico e humano, em produtos e processos que serão utilizados pela humanidade nos próximos anos”. Na unidade, os estudantes do curso de engenharia elétrica e do Grupo de Pesquisa GIPAR (Inovação e Pesquisa em Automação e Robótica) desenvolvem projetos voltados às tecnologias que possuem relação direta com a Robótica e Sistemas Mecatrônicos Embarcados, como a Cadeira de Rodas Autônoma; o RoboMED e a Cadeira de Rodas Elétrica, que se utilizam de tecnologias como o Deep Learning, Visão Computacional, Sistemas Embarcados, IOT (Internet das Coisas), Indústria 4.0 e Sistemas Microcontrolados, envolvendo diversos tipos de sensores.

Outras iniciativas na área de Robótica são desenvolvidas em diversos campi, como em Simões Filho, onde o professor Rodrigo Véras coordena um projeto baseado em plataformas de software e hardwares livres para deficientes visuais, pessoas com pouca mobilidade e idosos. “O maior benefício é a dinamização do processo de aprendizagem. Os estudantes recebem capacitação em eletrônica básica, lógica de programação e linguagem de programação, desenvolvem o escopo do projeto, buscam informações com as entidades como, por exemplo, o Instituto do Cegos e Instituto dos Surdos, ‘prototipam’ e desenvolvem a programação, com base na realidade da aplicação. Eles se sentem motivados a aprender de maneira não tradicional e, ao mesmo tempo, resolvendo um problema de um público que ainda não tem muitos recursos”, explica.

Estudantes desenvolvem protótipo de braço biônico
Estudantes do campus Salvador com o protótipo de braço biônico

Em Salvador, o Grupo de Pesquisa GSAM (Sistema de Automação e Mecatrônica) criou protótipos para detecção de obstáculos para cegos (bengala automatizada) e do braço biônico motorizado, controlado pelos músculos do próprio usuário. Na unidade, também foi criado um sinalário para uma disciplina. Em Jacobina, o glossário de termos técnicos de Mineração em Libras, que reúne termos técnicos específicos da área de mineração, e o material didático adaptado para cegos, baseado em Computação Desplugada, são destaques. Já no campus Lauro de Freitas, as atenções estão voltadas para o software com tecnologia de realidade aumentada para apoiar no aprendizado das crianças surdas usuárias da LIBRAS/Português e para os jogos baseados na inclusão, criados no curso de Jogos Digitais. Em Barreiras, as tecnologias assistivas são utilizadas na educação física escolar. Em Porto Seguro, foram criados ambientes virtuais para deficientes visuais. Na unidade de Vitória da Conquista, foi desenvolvido o software tradutor de Português sinalizado para Sinais em LIBRAS e, em Brumado, o aplicativo “dicionário técnico em LIBRAS”.

Essas são só algumas das iniciativas conduzidas no Instituto que tem disponibilizado já no seu processo seletivo, editais em LIBRAS e provas impressas em Braille. De acordo com o chefe do Departamento de Seleção de Estudantes (Desel), Leandro Miranda, para o ano de 2021, estuda-se a possibilidade de aplicar a prova eletrônica em LIBRAS, com o uso de softwares para ampliar e/ou ler a tela.

Com o objetivo de ampliar sua atuação no que se refere à inclusão social, o IFBA é cocriador e preside a Rede Baiana de Inclusão Educacional – Ensino Superior, composta por organismos estatais e não-estatais, públicos e privados do Estado, que tem como objetivo a articulação e o desenvolvimento de políticas de inclusão da pessoa com deficiência e a execução conjunta de programas e projetos, intercâmbio em assuntos educacionais, culturais, científicos e tecnológicos.“Cada vez mais aumenta a procura por cursos no IFBA pelos alunos com deficiência, o que nos legitima como uma instituição inclusiva. Por isso, é de extrema importância que possamos desenvolver tecnologias assistivas que possam facilitar o dia a dia dos nossos alunos, tornando-os cada vez mais autônomos, capazes de superar os obstáculos e aptos a atuar no mundo do trabalho”, enfatiza a pró-reitora de ensino, Jaqueline de Oliveira.

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