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Colóquio sobre evasão escolar movimenta Reitoria do IFBA

por Helen Sampaio publicado: 14/11/2019 23h08, última modificação: 14/11/2019 23h08

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Participantes assistem às apresentações de pôsteres

Pesquisadores, professores e estudantes de 22 estados mais o Distrito Federal estiveram reunidos na Reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), até a tarde desta quinta-feira (14), para discutir a evasão escolar na Educação Profissional. O VI Colóquio Internacional sobre Educação Profissional e Evasão Escolar (CIEPEE), sediado pela primeira vez pelo Instituto, contou com sessões de comunicação, apresentações de pôsteres, palestras e mesas redondas, em dois dias de atividades voltadas ao debate de estratégias efetivas no combate ao problema.

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Mesa de abertura

Ontem (13), o evento foi iniciado com a apresentação dos alunos da Escola de Música do Estado da Bahia e teve sua mesa de abertura composta pelo reitor pro tempore, Renato da Anunciação Filho, pela pró-reitora de ensino, Jaqueline de Oliveira, a chefe do Departamento de Ensino Superior (Desup), Cláudia Torres e a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rosemary Dore, que também é presidente da Rede Ibero-Americana de Estudos sobre Educação Profissional e Evasão Escolar (Rimepes) e da Associação Brasileira de Prevenção da Evasão na Educação Básica, Profissional e Superior (Abapeve), idealizadores do CIEPEE. “Há anos discute-se a evasão escolar no Brasil e na Educação Profissional. Esse evento é um momento importante de diálogo e troca de experiências para construção do conhecimento. Precisamos ter esse olhar para o aluno. Perceber quais são suas dificuldades e pesquisar estratégias para propor soluções”, destacou Jaqueline.

A necessidade de existir uma estabilidade na realização dos eventos sobre a temática foi pontuada por Rosemary, a fim de que ocorram avanços na promoção de novas estratégias com foco no problema, que, segundo a professora, deve ser encarado como um processo. “Não podemos focar somente na permanência e êxito porque senão não contemplaremos o evadido”, completou. Em sua apresentação, na conferência de abertura A importância da Abapeve, a professora trouxe dados históricos sobre a Educação Profissional no Brasil e a análise da evasão escolar, além das medidas adotadas até então pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).

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Mesa sobre evasão no ensino médio

Fechando o primeiro dia de programação, a experiência positiva de Portugal no combate ao problema foi compartilhada pelo professor da Universidade do Minho, Virginio Sá, que participou, via webconferência, da mesa redonda Evasão na Educação Profissional Técnica de Nível Médio, composta ainda pelo professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Antonio Almerico Biondi Lima e a pró-reitora do IFBA, que destacou entre os principais fatores associados à evasão no Instituto a adaptação à vida acadêmica, a capacidade de aprendizagem e estudo e a motivação com o curso escolhido. Entre as ações de combate estão: a realização de palestras, planos de estudo individuais e coletivos, revisão dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) e a oferta de curso de formação pedagógica para os professores que ainda não são licenciados em suas áreas de atuação.

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Mesa sobre evasão no ensino superior

A evasão no ensino superior foi discutida no segundo dia do evento, a partir dos trabalhos desenvolvidos no Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e no campus Salvador, do IFBA. O professor do IFMA, Rogério Teles, destacou a importância de prevenir e combater a evasão, através de ações rotineiras de integração e acolhimento, para ter melhores chances de reversão. Já a psicóloga, Nadja Brunelli, que chefia a Coordenação de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Capne), pontuou que as medidas de combate devem estar centradas nos conceitos de diversidade, heterogeneidade, diferença e singularidade. “Os estudantes existem e eles estão aí. Mas há uma invisibilidade institucional desses sujeitos”, afirmou.

A última mesa do VI CIEPEE discutiu a Permanência e êxito, a partir dos relatos da professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e diretora da Abapeve, Rosangela Fritsch, sobre a política portuguesa de Territórios Educativos de Intervenção (TEIP) e, da professora Arlene Malta, sobre o processo de inclusão e permanência na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Instituto Federal Baiano (IFBaiano).

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Geovani assiste palestra sobre a política TEIP

Para o estudante do curso de licenciatura em eletromecânica do campus Simões Filho, Geovani Hilário Santos, o evento foi esclarecedor. “Eu não tinha conhecimento de muitas informações que tive acesso hoje sobre como o tema vem sendo estudado no IFBA e em outras instituições. No meu curso, percebo que muitos alunos passam por dificuldades para continuarem os estudos, principalmente por conta do trabalho e alguns horários das aulas, que acabam tornando a rotina mais cansativa. É importante que a instituição esteja atenta a essas questões”, disse.

Foi a primeira vez que o professor do Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Andrey Borges, participou de um evento sobre a temática. Ele acredita que o grande problema da evasão não é a falta de conhecimento sobre os fatores associados ao problema, mas de ação das instituições. “Na medida em que a gente se percebe como seres capazes de alterar as realidades em que estamos inseridos e nos engajamos, precisamos assumir as posições de tomadas de decisão”, declarou.

O colóquio foi organizado por uma comissão composta por servidores dos campi Simões Filho, Salvador e Valença, liderada pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen). “Sediar um evento que aborda um tema real na Educação Profissional significa deixar um legado para a instituição. Sentimos falta da participação de mais servidores do IFBA, levando em consideração o número de representantes de outras instituições. Esse aprendizado é muito importante e talvez a gente ainda não esteja enxergando o problema da evasão como de fato ele é. Precisamos enxergar o problema, encará-lo e buscar formas para resolver”, finalizou Cláudia.

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