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Nego Bispo: ampliado prazo para inscrições de projetos de cursos em saberes tradicionais

Programa Nacional Escola Nego Bispo escolherá 100 projetos de curso de extensão para estudantes de licenciatura, com o pagamento de R$ 41.600 para execução. Novo prazo para inscrição de propostas de cursos termina no próximo dia 27.
publicado: 22/10/2025 15h36, última modificação: 22/10/2025 15h36

O Ministério da Educação (MEC) ampliou o prazo para inscrição no edital do Programa Nacional Escola Nego Bispo para selecionar propostas de cursos de extensão sobre saberes tradicionais. As inscrições devem ser feitas até 27 de outubro no Portal do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), na página do Programa.  

Serão selecionadas até 100 propostas de curso de extensão para o recebimento de até R$ 41.600, por projeto, para a execução da formação. A seleção priorizará a distribuição equitativa dos recursos entre as regiões e estados da Federação, buscando garantir a abrangência nacional das ações.  

Os cursos deverão ser executados por equipes de institutos federais (IFs), compostas por um mestre ou mestra do saber, um assistente e um colaborador. Apenas servidores efetivos dos IFs que integram a carreira docente ou técnica, preferencialmente com formação em licenciatura, podem apresentar propostas. 

O edital divide os saberes tradicionais em três eixos, que devem ser considerados para a elaboração da proposta: saberes tradicionais afro-brasileiros; saberes tradicionais indígenas; e saberes tradicionais quilombolas. Além disso, há quatro subeixos: artes e ofícios; línguas e narrativas; memórias e oralidade; e cosmociências.  

Coordenação nacional do IFBA

Lançamento do Programa, em julho de 2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O Instituto Federal da Bahia é responsável pela coordenação nacional da Escola Nego Bispo de Saberes Tradicionais, programa desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC). O lançamento nacional foi realizado no último dia 24 de julho, em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha (MG), com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Educação, Camilo Santana, da a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC), Zara Figueiredo, da reitora do IFBA, Luzia Mota, da coordenadora da equipe gestora do programa no IFBA, Claudia Santos, além de representações da Secadi, de comunidades tradicionais e de autoridades da Rede Federal.

A escolha do IFBA para coordenar esse programa não foi casual. Segundo a secretária da Secadi, Zara Figueiredo, dois fatores foram determinantes: a localização estratégica na Bahia, estado com o perfil mais representativo do programa, e o histórico consolidado de ações afirmativas desenvolvidas pelo Instituto nos últimos anos.

A Escola Nego Bispo integra saberes tradicionais à formação de estudantes de licenciatura de instituições públicas de educação superior e educação profissional e tecnológica, por meio da atuação de mestras e mestres de saberes tradicionais no ensino, pesquisa e extensão, contribuindo, assim, para a efetividade das Leis nº 10.639/2003 e nº 22.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino das histórias e das culturas afro-brasileiras e indígenas na educação básica. O programa faz parte da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). 

O objetivo é garantir o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e epistemológicas durante as formações iniciais de docentes, fortalecendo a produção de conhecimentos teórico-conceituais decoloniais em interação com saberes tradicionais e fomentando o protagonismo de sujeitos, trajetórias e territórios.  

PNEERQ 

Criada pela Portaria nº 470/2024, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) tem como objetivo implementar ações e programas educacionais voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes de ensino, bem como à promoção da política educacional para a população quilombola. Seu público-alvo é formado por gestores, professores, funcionários, alunos, abrangendo toda a comunidade escolar. 

Quem foi Nego Bispo?

Nascido no Vale do Rio Berlengas, antigo povoado Papagaio, hoje município de Francinópolis (PI), Antônio Bispo dos Santos era ativista político, mestre quilombola, lavrador, escritor e professor. Formado pelos ensinamentos de mestras e mestres de ofício do quilombo Saco-Curtume, em São João do Piauí, tornou-se o primeiro de sua família a ser alfabetizado.

Autor de obras como "Quilombos, modos e significados" (2007) e "A terra dá, a terra quer" (2023), o líder quilombola desenvolveu proposições para compreender os saberes tradicionais dos povos "afro pindorâmicos" — expressão que criou para se referir aos descendentes africanos e indígenas. Integrou a rede de mestres do Encontro de Saberes, lecionando em universidades como UnB, UFMG e UFRJ. Faleceu em 3 de dezembro de 2023, aos 63 anos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) e do Portal do IFBA. Edição: Bárbara Souza (DGCOM)

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