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Alunas do campus Camaçari conquistam dois prêmios internacionais na competição da Huawei

ENSINO

As estudantes e professora orientadora estiveram na China, no período de 19 a 25 de maio, para apresentar o projeto PaceFree, um aplicativo móvel e um semáforo inteligente integrados por Inteligência Artificial e Internet das Coisas, permitindo a análise das vias urbanas para sugerir rotas seguras e identificar obstáculos em tempo real para pessoas com deficiência visual. Feito inédito: a equipe conquistou dois prêmios na final global da Huawei ICT Competition 2024-2025.
por Luize Meirelles publicado: 03/06/2025 11h49, última modificação: 04/06/2025 00h31

No último dia 24 de maio, uma equipe composta por alunas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus Camaçari, realizou um feito inédito: conquistou dois prêmios internacionais na final global da Huawei ICT Competition 2024-2025, realizada em Shenzhen, na China.

Com orientação dos professores de língua portuguesa e informática, Lanuza Lima e Adilson Almirante, respectivamente, as estudantes do curso técnico em Eletrotécnica, forma integrada, Gracielle Maria Santos Dias, Isabelle de Jesus Santos Ribeiro, Lorena Oliveira de Souza e Maria Eduarda Oliveira de Amaral alcançaram o primeiro lugar na categoria Innovation e integraram uma das quatro equipes reconhecidas pela contribuição excepcional e excelência técnica no Women in Tech Global.

Premiação do projeto PaceFree. Foto Divulgação

O projeto apresentado e defendido em todas as etapas da competição foi o PaceFree, uma solução voltada para a acessibilidade e mobilidade urbana de pessoas com deficiência visual, que, na prática, corresponde a um aplicativo móvel e um semáforo inteligente integrados por Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), permitindo a análise das vias urbanas para sugerir rotas seguras e identificar obstáculos em tempo real.

Para representar a equipe presencialmente, as estudantes Gracielle Dias e Lorena de Souza foram acompanhadas pela professora Lanuza Lima e estiveram em solo chinês no período de 19 a 25 de maio. A viagem possibilitou não somente participar da competição, mas vivenciar experiências culturais. 

Equipe premiada do campus Camaçari. Foto Divulgação

Além de participarem das atividades associadas ao desafio, como abertura, competições, palestras e summits (evento que reúne líderes, especialistas e profissionais de um determinado setor para discutir temas de relevância e compartilhar conhecimento), que aconteceram entre os dias 20 e 25, Lanuza conta que a programação da Huawei ICT Competition 2024-2025 ainda contemplou eventos culturais: “pudemos conhecer parques temáticos da China e pontos turísticos de Shenzen, como o prédio Ping An Finance Center, o Sky Free, o maior do país e um dos maiores do mundo, e uma folk village, um parque temático com atrações culturais e shows”. 

A professora menciona que houve também uma imersão tecnológica, com visitas aos halls de exibição e campus de treinamento da Huawei, como Huawei Cloud Plank, Von Neumann, Sanyapo e Vila de Xiliubeipo. “Entre as visitas, estivemos nos mesmos espaços de exposição de tecnologia para onde são levados os chefes de estado. Por fim, a visita constou também com uma diversificada imersão gastronômica e com um jantar entre os professores da América Latina e a cúpula da Huawei, o que marca um aspecto particular da cultura Chinesa, a valorização do papel docente”, completa.

Lorena destaca que todas viveram uma experiência repleta de aprendizado, trocas culturais e descobertas tecnológicas. “Nossa agenda foi intensa, combinando as atividades oficiais do evento com momentos únicos de imersão na cultura local e na inovação”, relata.

Na cerimônia de encerramento, as estudantes ainda foram escolhidas para representar toda a América Latina na exposição especial do evento.

PaceFree

Gracielle conta que a ideia do projeto surgiu com suas experiências pessoais e técnicas no IFBA. “Em 2022, tive a oportunidade de ser monitora em um projeto de língua portuguesa em meu campus, onde me deparei com Joyce, uma aluna com baixa visão na turma. Além de ajudar nas tarefas e aumentar as letras para tornar o material das aulas mais acessíveis, tive que ajudá-la a comprar comida, pois a loja ficava do outro lado da rua e ela tinha dificuldade de atravessar por causa de sua baixa visão. Foi assim que pude perceber que uma simples tarefa de travessia era um fator de dificuldade para pessoas com deficiência visual”, explica.

Delegação brasileira no evento. Foto Divulgação
“Para a competição da China, foi uma longa batalha, como participação em inúmeras seletivas e bancas, incluindo uma presencial no Rio de Janeiro, onde apresentaram o PaceFree pela primeira vez em língua inglesa e duas bancas online. A banca presencial na China, no mesmo formato e em língua inglesa, foi só a etapa final de uma trajetória aguerrida e de muita dedicação das meninas, e reflete não só nosso trabalho, mas também a colaboração de diversos docentes e servidores do campus”  Lanuza Lima, professora orientadora do projeto

No mesmo ano, Gracielle fez um curso sobre Internet das coisas (IoT), que mostrava a forma como as transformações da Indústria 4.0 mudaria o mundo e a conexão das máquinas do dia a dia a internet, com a transferência de dados e a possibilidade de manipulação remota. “Assim, quando foi definido o tema ‘Acessibilidade e Inclusão’, pelo programa ‘Power4Girls - Empower to Lead!’, de 2023, da Embaixada dos Estados Unidos, eu, juntamente com colegas do curso técnico em eletrotécnica (Lorena, Isabelle e Maria Eduarda), colocamos em prática o projeto”, comenta.

Maria Eduarda de Amaral acrescenta que: “A partir dessa pessoa inspiradora, mais o próprio fato de não ter faixa em frente ao campus, através de reuniões remotas pesquisamos brevemente sobre as botoeiras físicas dos semáforos, onde apresentavam algumas problemáticas. Com essas informações e com nossa experiência no curso de automação, com o conhecimento específico em IoT de Gracielle, conseguimos pensar inicialmente em uma pulseira, depois chegamos à conclusão de que um aplicativo poderia ser mais barato e que pudesse chegar a uma maior quantidade de usuários”.

“Mais tarde, em 2024, um encontro casual em uma feira de educação tecnologia com o diretor de educação e responsabilidade social da Huawei Brasil trouxe o desafio de integrar IA[Inteligência Artificial] e tecnologias da empresa para participar da Huawei ICT Competition, assim nasceu a segunda versão da solução, ganhadora das premiações na China”, completa Lanuza. 

Trajetória

Estudantes e professora do campus Camaçari. Foto Divulgação
A história da equipe começou com o a participação no programa Power4Girls (P4G) - Empower to Lead!, com foco no empoderamento de meninas por meio de estratégias voltadas para o empreendedorismo, inovação, criatividade e liderança. Por meio de equipes de quatro estudantes, um(a) professor(a)-orientador(a) e um(a) mentor, as estudantes participam de oficinas, palestras, webinars, atividades interativas on-line e se aprofundam nos temas de liderança, empoderamento e empreendedorismo feminino por meio da criatividade e inovação, desenvolvimento e gestão de projetos. O programa é uma iniciativa da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos da América (EUA), com implementação do Instituto Sou Glória e apoio do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif).

Atração cultural. Foto Divulgação
As estudantes de Camaçari ficaram classificadas em segundo lugar em um total de 20 propostas apresentadas, concorrendo no tema “Inclusão e Acessibilidade”. “Representar a Bahia — sendo a única equipe baiana — e o nosso campus, que enfrentava dificuldades como a falta de transporte e cortes no orçamento, foi um sinal claro de que estudantes, mesmo em contextos desafiadores, podem alcançar grandes feitos”, destaca Gracielle.

“Sempre acreditamos no poder transformador da educação e no impacto de professores engajados. Por isso, aproveitamos todas as oportunidades para divulgar nosso projeto, levando conscientização sobre o tema e demonstrando nosso compromisso em torná-lo realidade”, defende Lorena, que lembra que ainda participaram e foram campeãs estaduais do Desafio Liga Jovem, que ampliou o conhecimento sobre empreendedorismo e ajudou a consolidar a identidade da PaceFree. Nessa etapa, a equipe recebeu uma mentoria do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que resultou em um pedido de patente ainda em análise. 

“Representar a Bahia — sendo a única equipe baiana — e o nosso campus, que enfrentava dificuldades como a falta de transporte e cortes no orçamento, foi um sinal claro de que estudantes, mesmo em contextos desafiadores, podem alcançar grandes feitos”. 
Gracielle Maria Santos Dias, estudante premiada 

“Estivemos ainda na 4ª Semana Nacional de Educação Tecnológica e Profissional, onde tivemos nosso primeiro contato com a Huawei ICT Competition através de [diretor de educação e responsabilidade social da Huawei Brasil] Victor Montenegro. A partir daí, surgiu o novo desafio: incorporar tecnologias que não estavam presentes na primeira versão do projeto. O caminho até a China exigiu passar por diversas fases — seleção inicial, etapa nacional, América Latina e, por fim, a grande final global. Foi uma jornada marcada por muita persistência, aprendizado e união, onde cada integrante contribuiu de forma única, movida por um propósito comum”, relata Gracielle.

Lanuza ainda chama a atenção para aprendizados no percurso: “Durante esse período todo, fizeram cursos, aprenderam a manipular a impressora CNC [Controle Numérico Computadorizado], praticaram inglês e estudaram IA [Inteligência Artificial], conciliando, não sem dificuldades, as atividades escolares, de estágio e as dificuldades sociais, como a carência de transporte na cidade”.

“Para a competição da China, foi uma longa batalha, como participação em inúmeras seletivas e bancas, incluindo uma presencial no Rio de Janeiro, onde apresentaram o PaceFree pela primeira vez em língua inglesa e duas bancas online, uma na pré etapa Nacional e outra na Fase América Latina, em que defenderam em inglês o projeto para uma banca de especialista da Huawei. A banca presencial na China, no mesmo formato e em língua inglesa, foi só a etapa final de uma trajetória aguerrida e de muita dedicação das meninas, e reflete não só nosso trabalho, mas também a colaboração de diversos docentes e servidores do campus como os professores Jailton [Weber Gomes] e Adilson [Almirante], parceiros desde os primeiros momentos”, exalta Lanuza.

Aprendizados

A professora Lanuza Lima e as estudantes premiadas celebram os aprendizados com a experiência do projeto PaceFree. A estudante Maria Eduarda Oliveira de Amaral, que ficou na torcida em Camaçari, fala que: “Acho que o principal aprendizado, na minha perspectiva, é que a união de forças faz acontecer. Já passamos por muitas coisas e, às vezes, os bastidores não são tão fáceis, mas no fim sempre deu certo porque somos muito unidas. O segundo aprendizado foi entender que, independentemente do resultado, seja positivo ou negativo nas competições, o mais importante é ter como propósito tirar o projeto do ‘papel’ e confiar no processo. Por último, aprendi que podemos nos complementar e que contar com o apoio de outras pessoas é fundamental para, além do nosso conhecimento, expandirmos ainda mais as possibilidades”.

“Sempre acreditamos no poder transformador da educação e no impacto de professores engajados. Por isso, aproveitamos todas as oportunidades para divulgar nosso projeto, levando conscientização sobre o tema e demonstrando nosso compromisso em torná-lo realidade”.  
Lorena Oliveira de Souza, estudante premiada 

“Essa jornada nos revelou que os maiores obstáculos muitas vezes escondem as melhores oportunidades. Quando tudo parecia difícil - desde as limitações estruturais até as barreiras linguísticas - descobrimos que a combinação de esforço individual e orientação especializada pode abrir caminhos inimagináveis. Cada desafio superado nos mostrou que as circunstâncias não definem nosso potencial, mas sim nossa capacidade de persistir e adaptar-se”, defende a estudante Lorena.

Para a estudante Gracielle, a experiência ensinou o valor da persistência. “Enfrentamos muitos desafios, desde dificuldades sociais até bancas em inglês, e aprendemos que, com dedicação e apoio de professores como Jailton [Weber Gomes] e Adilson [Almirante], conseguimos transformar obstáculos em conquistas. Também tive a chance de aprender muito além da sala de aula — fiz cursos, aprendi a usar a impressora CNC [Controle Numérico Computadorizado], estudei inteligência artificial, pratiquei inglês e participei de feiras e apresentações. Mas, o mais marcante foi desenvolver meu senso de liderança e perceber que podemos impactar outras meninas, como fizemos ao treinar a equipe de Camaçari e ao buscar a patente do nosso projeto. Tudo isso me mostrou que, mesmo em meio a dificuldades, nós podemos ser protagonistas da inovação. Fora que mostrou a importância de haver equipes e mulheres na ciência, já que éramos as poucas mulheres dentro da competição”, destaca.

Já a professora Lazuna enumera os três principais aprendizados, como: “1) Cultural, conhecer uma cultura tão diferente da nossa e poder interagir com diversas outras culturas do mundo foi excepcional. 2) Tecnológico, ter contato com as inovações que estão em desenvolvimento ou já implantadas na China e com os projetos desenvolvidos pelos professores e estudantes de outros países. 3) Educacional, a forma como fomos tratadas, com o melhor de tudo, sobretudo os professores, sendo valorizados, premiados, escutados, abriu um novo horizonte de compreensão do papel dos docentes e da educação na geração de inovação, transformação e impacto social, algo muito diferente da desvalorização que a classe recebe no Brasil”.

Huawei ICT Competition 2024–2025

Huawei ICT Competition 2014-2025. Foto Divulgação
Em sua nona edição, a Huawei ICT Competition 2024–2025 alcançou uma escala recorde, atraindo mais de 210 mil estudantes e instrutores de mais de duas mil faculdades e universidades, em mais de 100 países e regiões. Após as etapas nacionais e regionais, 179 equipes de 48 países e regiões chegaram à final global, realizada em Shenzhen, na China. A competição contemplou as áreas de redes de conectividade (como WLAM, segurança e datacom), nuvem (como big data e inteligência artificial) e computação (como openEuler, openGauss e Kunpeng) e os competidores testaram seus conhecimentos por meio de provas e exames práticos.

A Huawei atua com infraestrutura para Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e dispositivos inteligentes. Há 26 anos no país, a Huawei possui quatro unidades de negócios no Brasil: o grupo dedicado às operadoras, que oferece equipamentos e infraestrutura de telecomunicações; a área que atende às necessidades do mercado corporativo, fornecendo soluções e infraestrutura em TIC; a Huawei Cloud, com os serviços de nuvem pública e híbrida e soluções para dar escala aos negócios com estabilidade e segurança; e a Huawei Digital Power, com soluções inteligentes voltadas para geração, distribuição e armazenamento de energia fotovoltaica. A empresa também desenvolve projetos na área de soluções automotivas inteligentes e dispositivos para o consumidor final, como smartwatches, roteadores, smartphones e outros.

 Fontes:

Estudantes do IFBA Camaçari conquistam dois prêmios na final global da Huawei ICT Competition na China

Final global da Huawei ICT Competition 2024–2025 chega ao fim

Alunas do Ensino Médio da Rede Federal são selecionadas para o programa Power4Girls

Leia mais:

IFBA é destaque em competição da Huawei que premia jovens talentos para o futuro digital - https://portal.ifba.edu.br/camacari/noticias-2/noticias-2025-1/estudantes-do-ifba-camacari-conquistam-dois-premios-na-final-global-da-huawei-ict-competition-na-china

Campus Camaçari é destaque na Fase América Latina da Huawei ICT Competition 2024/2025 - https://portal.ifba.edu.br/camacari/noticias-2/noticias-2025-1/estudantes-do-ifba-camacari-conquistam-dois-premios-na-final-global-da-huawei-ict-competition-na-china

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Alunas do IFBA Campus Camaçari são selecionadas para o Power4Girls - https://portal.ifba.edu.br/noticias/2023/alunas-de-camacari-sao-selecionadas-para-o-power4girls