Implantação de usinas fotovoltaicas reduzirá custos do IFBA com energia
Usinas fotovoltaicas recém instaladas nos campi do IFBA em Porto Seguro, Seabra, Valença e Vitória da Conquista.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) encerrou o ano de 2023 com o propósito de se tornar um autoprodutor de energia por meio da tecnologia solar fotovoltaica. A partir de simulação feita pelo engenheiro eletricista e coordenador de Projetos Elétricos da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional (Prodin), Milson Matos, a utilização das usinas fotovoltaicas pelo IFBA pode se reverter em uma economia da ordem de 13% do total das faturas mensais de energia do Instituto.
Com um investimento total de mais de R$ 7,3 milhões realizado pela Reitoria, no período de 2016 a 2023, são 1.437,69 kWp já instalados e outros 358,8 kWp contratados para 2024. O kwp, ou “quilowatt pico” é a unidade que, no contexto da energia solar, representa o máximo de energia produzida em condições ideais, entre elas a insolação do local. Em todo Instituto, há cerca de 2.077 kWp entre instalados e contratados, considerando também iniciativas com outras fontes de financiamento.
"Em uma estimativa simples e rápida, considerando o preço de R$ 0,50 por kWh fora da ponta, teríamos uma economia aproximada de R$ 90.000,00 por mês.”
Milson Matos, engenheiro eletricista e coordenador de Projetos Elétricos da Prodin
De acordo com Milson, em média, há uma estimativa de que a potência de 1.437,69 kWp gere em torno de 180.000 kWh ao mês, equivalente a cerca de 46% do “consumo fora de ponta” do IFBA, considerando o período de novembro de 2023. O conceito de consumo fora de ponta está relacionado a uma faixa de horário específica, complementar ao intervalo de tempo durante o qual há maior demanda de consumo energético.
O engenheiro, que também foi membro das equipes de planejamento das contratações e fiscal técnico dos contratos, faz a ressalva de que: “A geração de energia mensal depende de uma série de fatores, como as características de insolação do local, inclinação dos módulos e forma de conexão dos arranjos com os inversores, por exemplo, além de fatores relacionados a limpeza e manutenção dos sistemas”.
“Refiro-me ao consumo fora de ponta porque os campi e a Reitoria são faturados por dois postos horários distintos: Na Ponta - entre às 18h e às 21h nos dias úteis; e 2. Fora de Ponta - nos horários complementares à ponta”, explica. De acordo com Milson, o horário de ponta representa o momento de maior carga no sistema elétrico da distribuidora, “por isso o preço da energia chega a ser oito vezes maior do que fora de ponta como forma de desincentivar o uso do sistema nesse horário”. Segundo ele, a legislação que trata do sistema de compensação de energia da geração distribuída prevê uma redução no valor da conta de energia para as instituições que tenham produzido energia limpa ao longo do mês durante o qual consumiram energia elétrica fornecida pela concessionária.
Soluções sustentáveis e redução de custos
Em relação à possibilidade de dispensar outras fontes de energia, por conta da capacidade mensal de geração de energia pelo sistema fotovoltaico, Milson descarta a ideia: “Esse, inclusive, é um dos motivos pelos quais não é viável dispensarmos totalmente o consumo de outras fontes, porque não vale a pena dimensionar o sistema para suprir toda a energia demandada pela unidade ao longo do dia inteiro. Outro ponto é que os sistemas instalados são do tipo ‘on grid’ (ou ‘grid tie’), que dependem da conexão com a rede elétrica para funcionar. Em caso de desligamento na rede principal, o sistema também se desconecta por questão de segurança”.
“Em uma estimativa simples e rápida, considerando o preço de R$ 0,50 por kWh fora da ponta, teríamos uma economia aproximada de R$ 90.000,00 por mês. Novamente com relação ao mês de novembro passado, isso seria equivalente a cerca de 13% do total das faturas de energia do Instituto nesse mês”, afirma Milson, com base em uma simulação feita pelo engenheiro como exemplo em resposta à reportagem do Portal do IFBA.
Milson avalia que, com a capacidade de geração atual, o IFBA já pode ser considerado um grande autoprodutor. “Os 2 MWp que devemos atingir este ano são justamente a potência da menor usina fotovoltaica conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e operada sob supervisão do Operador Nacional do Sistema (ONS) – a UFV [Usina Fotovoltaica] Flor de Mandacaru, em Icapuí-CE”, compara.
“Trata-se de um grande projeto institucional, que busca a utilização de energias renováveis para eficiência energética. É uma ação que contempla a busca por soluções sustentáveis e a redução dos custos institucionais. Essa economia vai proporcionar que muitas ações finalísticas e projetos aconteçam e beneficiem a nossa comunidade”.
Elis Lopes, pró-reitora de Desenvolvimento Institucional
Em relação à importância institucional do projeto, sob a perspectiva da racionalização de custos e da responsabilidade socioambiental, a pró-reitora de Desenvolvimento Institucional, Elis Lopes, afirma: “Trata-se de um grande projeto institucional iniciado em 2016, que busca a utilização de energias renováveis para eficiência energética. É uma ação que contempla, ao mesmo tempo, a busca por soluções sustentáveis para geração de energia elétrica e a necessidade imperativa de economia e redução dos custos institucionais. Essa economia vai proporcionar que muitas ações finalísticas e projetos aconteçam e beneficiem a nossa comunidade”.
Elis ainda enumera alguns pontos como contribuição para o desenvolvimento da comunidade do seu entorno e, em termos mais gerais, para a sociedade. “A energia solar é uma fonte de energia limpa e renovável, que não libera poluentes ou gases de efeito estufa. Outro ponto importante é que o sistema de monitoramento das unidades fornece os dados de geração que podem ser utilizados para fins didáticos e ações de pesquisa, ensino e extensão. Além disso, ao reduzir o CO2 na atmosfera e o uso de água para geração de energia, contribuímos com a Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização Nacional das Nações Unidas (ONU)”, explica.
Marco inicial
Segundo contextualização presente no informativo técnico “Implantação de Usinas de Energia Solar Fotovoltaica pela Reitoria: 2016-2023”, produzido por Milson em dezembro de 2023, a primeira iniciativa do IFBA para se tornar um autoprodutor de energia por meio de tecnologia solar fotovoltaica teve início com uma ação da Comissão Interna de Sustentabilidade Ambiental (CISA), do campus Salvador.
Coordenador do eixo “Energia” da Cisa até janeiro de 2023 e professor aposentado, Armando Tanimoto, conta que em abril de 2015 a Comissão foi premiada no concurso Desafio da Sustentabilidade, na categoria de Institutos Federais (IFs), promovido em uma parceria do Ministério da Educação (MEC), através da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento (SPO), Secretaria de Educação Superior (Sesu) e Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), com os objetivos de identificar, avaliar e selecionar propostas inovadoras através da participação social. Em novembro de 2016, foi iniciada a montagem dos painéis no campus Salvador, com geração de energia solar fotovoltaica em janeiro de 2017. “Com o prêmio de R$ 3 milhões, adquirimos sistemas de geração de energia renovável (eólica e solar) e distribuímos sistemas fotovoltaicos a outros 10 campi, e hoje somos referência no estado da Bahia em geração de energia solar fotovoltaica”, afirma Tanimoto. Segundo ele, o campus de Salvador, “com seus 165 kWp instalados, só perde em termos de instalações não comerciais para o estádio de Pituaçu”*.
Como complemento, no informativo técnico produzido por Milson, consta que, com os recursos do prêmio, foi possível implantar aproximadamente 245 kWp em sistemas de geração de energia solar fotovoltaica em 12 campi: Brumado, Camaçari, Eunápolis, Feira de Santana, Ilhéus, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Paulo Afonso, Salvador, Santo Antônio de Jesus e Ubaitaba.
Ainda é mencionado no documento que, no ano de 2016, a Reitoria inicia o processo de expansão da capacidade de geração de energia solar fotovoltaica do IFBA pelo campus Lauro de Freitas e, a partir de 2019, amplia o alcance para outras unidades do Instituto, em uma parceria entre a Prodin e a Pró-Reitoria de Administração (Proap).
* Informações fornecidas originalmente à equipe de Comunicação do campus Salvador, em 2021.
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