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III Congresso Nordestino de EaD discute desafios da modalidade e qualidade de ensino
Com colaboração de Gilberto Amorim *
A 3ª Edição do Congresso Nordestino de EAD (CNEaD) com o tema “A institucionalização da EAD e suas contribuições para o ensino presencial”, foi tema central de discussão, que aconteceu entre os dias 22 e 24 de março, na Reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), com transmissão simultânea pela TV IFBA.
A abertura aconteceu na noite do dia 22, com a mesa composta por Luzia Mota, reitora do IFBA, Jancarlos Lapa, pró-reitor de Ensino, José Bites, representante da Secretaria de Educação da Bahia, Luis Lyra, representante da Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e Kátia de Fátima Vilela, pró-reitora de Ensino do Instituto Federal Baiano. Na saudação ao público presente, Luzia Mota falou sobre a necessidade dos Institutos Federais unirem ensino a distância e qualidade.
Luzia Mota acredita que o ensino a distância deve unir alcance e qualidade. A reitora espera os Institutos Federais cheguem a lugares cada vez mais distantes. "Defendemos a EaD, não como a ampliação no número de nossas matrículas, mas sim como instrumento de democratização da Educação. O povo brasileiro necessita dessa democratização", disse a reitora.
Em seguida aconteceu a palestra magna: Institucionalização da EaD e Hibridização do Ensino Presencial, com os palestrantes Miguel Fabrício Zamberlan, professor do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), e Vanessa Battestin, docente do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), e a mediação do professor Adonias Soares da S. Júnior, do Instituto Federal Sertão Pernambucano (IF Sertão - PE).
As atividades no segundo dia de evento (23) começaram com a mesa-redonda “Acessibilidade na EaD”, com Ilma Rodrigues de Souza Fausto (IFRO) e Raymundo Carlos Machado Ferreira Filho Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com mediação de Paulo André da Rocha Perris (IFBA).
Ilma Fausto tratou sobre a importância de materiais didáticos inclusivos e contou sobre a sua experiência em produção de documentos para a sala de aula “EaD com Acessibilidade”, projeto desenvolvido no campus de Ji-Paraná, e com abrangência de 10 campi em Rondônia. “Começamos um curso de formação em tecnologia assistiva e depois percebemos a necessidade de um curso sobre produção de documentos com acessibilidade, para provocar nos profissionais da educação a revisão de suas práticas quanto à produção do material acessível utilizado em sala de aula, pois 99% do material que é produzido na Ead no Brasil não tem acessibilidade”, explicou a professora.
Ela alertou que as tecnologias assistivas só funcionam bem se os materiais produzidos forem pensados para estes tipos de tecnologias; informou sobre a importância da escolha da fonte, inserção de links, formas corretas de descrição de imagens e de outras tecnologias assistivas, que acabam sendo muito mais utilizadas por pessoas sem deficiência do que com deficiência.
Carlos Machado também trouxe dados importantes para o debate. “Eu vou primeiro enfatizar a importância do porquê a gente tratar de Acessibilidade. Segundo o levantamento do Censo 2010, o do ano passado ainda está em fase de consolidação, 24% da população brasileira se autodeclara como pessoa com deficiência, um percentual muito alto”. O professor defendeu o uso das tecnologias assistivas e a necessidade da quebra de barreiras no acesso às interfaces e conteúdos das mídias e também falou sobre a experiência do projeto ProEdu, repositório de recursos educacionais para educação profissional e tecnológica. “Nós começamos a fazer um estudo sobre acessibilidade e chegamos neste modelo de indicação de interface de quebra de barreira no conteúdo ao acesso às informações e desenvolvemos uma recomendação técnica para a produção de recursos educacionais com Acessibilidade”, disse.
Além das mesas redondas, a programação do evento incluiu apresentações orais, painel de trabalhos, e minicursos, como o de “Metodologias Ativas na EaD”, facilitado por Anabela Barbosa (IFRO). Para a professora, as metodologias ativas são de grande importância no processo de aprendizagem por tornar os estudantes agentes ativos. “A grande perspectiva é que metodologias ativas colocam o aluno no centro do processo, não que o professor não seja também, mas um processo de ensino/aprendizagem deve ser conduzido de tal forma que os sujeitos para aprenderem precisam vivenciar, praticar, sentir, ver; então todos esses elementos são pilares para metodologias ativas nessa perspectiva.”, explicou.
Na despedida do Congresso EaD, no dia 24 de março, a cantora Matilde Charles fez com que a sua voz ecoasse pelo Auditório 2 de Julho antes das palavras finais da última mesa do evento. Ubiracy Bastos acompanhou a artista no violão.
Estiveram presentes na mesa de encerramento: Jancarlos Lapa (IFBA); Elisângela dos Reis Oliveiras, coordenadora do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) no IFBA; Dielson Pereira Hohenfeld, membro da comissão organizadora da 3ª edição do CNEaD Bahia; Ivo Cardoso, membro do Comitê Gestor da EaD; José Severino da Silva, representante dos Institutos Federais do Nordeste e Francisco de Assis Rodrigues de Lima, representante do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), onde acontecerá a quarta edição do congresso.
Responsável por representar a reitora do IFBA, Jancarlos falou sobre o sentimento de 'tarefa cumprida' pelo compromisso assumido no final de 2021, período em que o IFBA aceitou receber o congresso. Para o pró-reitor, o ensino presencial e o ensino a distância não são polos diferentes, uma vez que ambas as formas de ensino devem garantir acesso à uma educação de qualidade. "Falar da institucionalização do EaD é uma obrigação, eu diria. Educar é um ato comunicativo e quando a gente comunica para a formação das pessoas atingimos os públicos que não têm acesso a uma educação de qualidade. A educação a distância tem esse papel”, finalizou.
III CNEaD
O evento teve como objetivo promover a discussão sobre as experiências e estudos voltados ao processo de institucionalização da EaD, além de abordar as necessidades de criação de regulamentações internas e revisão de processos, fluxos e demandas. Também buscou discutir as políticas de capacitação, orçamento, estrutura física e recursos humanos; a mediação, estratégias, projetos e atividades diversas em Educação a distância, ensino remoto e ensino híbrido; tecnologias assistivas e humanas; Impactos da legislação e reflexões sobre o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) para a modalidade de Educação a distância.
O GT de EaD, objetivou discutir os novos rumos da EAD e os impactos da institucionalização para as instituições na Região Nordeste, mas também como uma oportunidade de socializar o que já é produzido no âmbito dos Institutos Federais, seja por meio de sistemas, tecnologias e/ou de conteúdo.
O congresso foi uma realização conjunta dos Institutos Federais da Bahia, Alagoas, Baiano, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Sertão Pernambucano.
A programação completa pode ser conferida aqui, e todas as gravações estão disponíveis no Youtube da TV IFBA.
Notícia relacionada: IFBA sediará III Congresso Nordestino de EaD
* Sob a supervisão da jornalista Janaína Marinho.

