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Desenvolvimento sustentável e transformação social pautam debates sobre pesquisa, inovação e extensão

Realizados entre os últimos dias 23 e 27 de outubro na Reitoria, em Salvador, os quatros eventos realizados pela PRPGI e Proex reuniram estudantes e pesquisadores(as) e contabilizaram mais de 600 inscritos(as).
publicado: 06/11/2023 19h20, última modificação: 06/11/2023 21h08
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Reportagem e cobertura: Bárbara Souza, Gilberto Amorim, Iali Moradillo, Janaína Marinho e Luize Meirelles
Fotos: Ailla Regina, Álefe Torquato, Bárbara Souza e Gilberto Amorim
Edição e revisão: Bárbara Souza

Quatro eventos realizados simultaneamente entre os dias 23 e 27 de outubro na Reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) contabilizaram mais de 600 inscritos(as). Além do Seminário de Iniciação Científica, Tecnológica e Inovação (SICTI), que celebrou a sua 20ª edição, foram realizados o IV Congresso de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (IV CPPGI), a III Jornada de Extensão do IFBA (III JEX) e o II Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Extensão (II PIBIEX).

Promovidos pelas Pró-Reitorias de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPGI) e de Extensão (Proex), os eventos reuniram servidores(as), tendo como tema principal “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável e Transformação Social”, os eventos reuniram pesquisadores(as), bolsistas de iniciação científica e estudantes de pós-graduação, que integram a comunidade de Pesquisa do IFBA, e a comunidade extensionista, com destaque para a participação de coordenadoras(es) de Extensão, bolsistas de iniciação à Extensão, estudantes e pesquisadores(as).

A Mesa de abertura dos eventos, realizada no Auditório 2 de Julho, na Reitoria, na manhã da segunda-feira (23), foi composta pelo pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Ivanildo dos Santos, a pró-reitora de Extensão, Nívea Cerqueira,  a reitora Luiza Mota, o diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Handerson Leite, e a superintendente de Desenvolvimento Científico da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (Secti), Márcea Sales.

Também na manhã do primeiro dia de eventos, os(as) participantes assistiram à palestra “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável e Transformação Social”, ministrada pela cientista Jaqueline Goes, doutora em Patologia Humana, e coordenadora da Rede Colaborativa de Sequenciamento Genético no Brasil - Rede SEQV Br.  A biomédica que ganhou destaque internacional durante a pandemia de Covid-19, quando mapeou o genoma do coronavírus, concluiu o Ensino Médio no campus Salvador do IFBA, entre 2004 e 2006, período em que a instituição se chamava Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (Cefet-BA). A reportagem do Portal do IFBA conversou com a cientista antes da palestra. Confira:

Portal do IFBA: Na sua avaliação, a projeção que seu trabalhou ganhou na imprensa e nas redes sociais contribui em alguma medida para a popularização e o fortalecimento da Ciência no Brasil?

Jaqueline Goes:  Acredito que contribui. Não gosto muito de fazer essa análise, até porque eu não tenho nem dados. São só a sensação e os depoimentos que a gente ouve. Acho que durante a pandemia da covid, a gente teve uma movimentação muito interessante no Brasil e é inclusive uma coisa que doutora Ester [Ester Sabino, médica imunologista, professora e pesquisadora que coordenou o grupo de cientistas responsável por fazer, em tempo recorde de 48 horas, o sequenciamento genético do novo coronavírus] fala e que eu acabo reproduzindo também....que a gente viu a população buscar ciência, tentar entender a ciência, acompanhar a ciência, como quem acompanha um time de futebol. As pessoas começaram a compreender, por exemplo, conceitos que são intrínsecos da ciência, como a questão das vacinas, de imunidade etc. acho que isso mostrou para a população do Brasil o quanto que a ciência tem uma atuação importante em todas as esferas, principalmente na saúde, que foi o caso. Aí eu volto para mim na questão das redes sociais mostrando que o cientista pode ter uma cara diferente daquela que os filmes e séries mostram, que é justamente o fato eu ser uma mulher, negra, nordestina e migrante – porque desenvolvi em São Paulo meu trabalho que ficou conhecido – e isso tudo trouxe para o Brasil algo como “olha, se ela pode ser cientista, e fazer um trabalho tão relevante, eu também posso” e “eu sou interessada em ciência, eu já faço ciência, eu não vou desistir”. Esses são os depoimentos que eu escuto. Acho que a população, principalmente durante a pandemia começou, sim, a se aproximar da ciência, e aí o fato de ter essa figura que acho que foi muito utilizada nesse lugar da representatividade, mas acho que dialoga [com clareza], porque meu diálogo é este que estou tendo aqui com você, de tentar ser o mais simples possível, porque a gente já fala de forma muito complexa entre nossos pares e o nosso objetivo [ao falar para a sociedade] não é este. As redes sociais têm ajudado muito nesse sentido.

Portal do IFBA: E a Barbie também...

Jaqueline: A Barbie que veio aí e acaba ganhando crianças pequenas e grandes, porque os adultos ficam alvoroçados porque sabem que é uma quebra de paradigma termos uma Barbie homenageando uma cientista brasileira, negra e nordestina, que não é o padrão que a gente conhecia da boneca. Os pais de muitas crianças querem comprar a boneca, que não é comercializada.

Foto: Divulgação - Mattel

 

Portal do IFBA: Não é?...

Jaqueline: Não...(risos). Eu sempre tento deixar isso mais claro porque as pessoas ficam na expectativa de comprar. Mas acho que o simples fato de a boneca existir e no lugar que existe e com o propósito que existe já traz uma contribuição, já acessa o imaginário da criança e aproxima também toda a população da ciência.

Portal do IFBA: O Prêmio Nobel de Medicina foi para cientistas cujo trabalho está relacionado a pesquisas sobre Covid-19 [O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2023 foi dado aos cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman, que fizeram descobertas sobre moléculas de mRNA que abriram caminho para as vacinas contra Covid-19]. A pesquisadora Jaqueline Goes vislumbra uma possibilidade de ser a cientista brasileira que vai ganhar um prêmio dessa magnitude do Nobel?

Jaqueline: Olha, as pessoas fantasiam essa coisa do Prêmio Nobel, de eu ser laureada. Eu não acho que o meu trabalho, especificamente, foi tão inovador a ponto de ser passível de uma premiação como o Prêmio Nobel, àquele trabalho. Porque, apesar de parecer muito novo, muito inovador para a população, para a gente que é da ciência, a gente sabe que aquilo não era uma coisa nova. Já estavam trabalhando com essa técnica há muitos anos. Bom, isso também não tira o lugar, a importância. Mas, eu acho uma inspiração um pouco distante, eu não vislumbro isso assim de uma forma tão natural, mas é claro que se acontecesse, se vier, será incrível.

Portal do IFBA: A gente ainda precisa temer a Covid-19?

Jaqueline: Eu acho que, neste momento, ter medo, não, mas se manter vigilante, sim. A gente não pode esquecer o potencial de diversificação que a gente encontrou nesse vírus. Isso significa que se em algum momento ele conseguir adquirir mutações suficientes para suplantar o que a vacina já trouxe até o momento, a gente vai ter outro surto, vai ter picos epidêmicos. Então, o que a gente precisa hoje é manter os cuidados que a gente já aprendeu, porque isso preserva a população e previne não apenas da Covid, mas de uma série de outras doenças respiratórias e não respiratórias. E acho que, para além disso, é saber que nós ainda vamos precisar ser vacinados aí pelos próximos anos, pelo menos uns 2 ou 3 anos, para que a gente possa ter cobertura vacinal suficiente para evitar esse tipo de disseminação do vírus, por conta das próprias linhagens. É um sistema que se retroalimenta, quanto mais mutações, mais ele consegue escapar do sistema imune e circular, e quanto mais ele circula, mais ele adquire novas mutações. Ter medo não, mas precisamos continuar vigilantes [enfática].

Portal do IFBA: O surgimento de pandemias tem inclusive uma relação com as questões ambientais, que também geram temor, certo?

Jaqueline: Exatamente. Nós precisamos ter medo agora é do tanto que nós estamos afetando o nosso planeta com as questões de danos ambientais porque isso pode nos trazer outras epidemias e pandemias tão graves ou mais ainda quanto a Covid. Então, acho que é esse lugar de aprender com o que aconteceu com a Covid e saber que nós somos os responsáveis pelas mudanças climáticas e que nós precisamos preservar o nosso planeta, correndo, porque estamos sob o risco de desencadear outras epidemias, outras pandemias. Um exemplo claro disso é que as geleiras que estão derretendo, estão expondo microrganismos que nunca foram encontrados, que a gente não tem contato, e a gente não sabe qual vai ser a interação desses microrganismos com o organismo humano, então, pode ser que venham doenças que a gente nunca imaginou e que a gente não sabe como lidar.

INICIATIVAS DE ESTÁGIOS E EGRESSOS DO IFMA E IFBA

 A mesa-redonda “Estágios e egressos: estudos sobre a relação do IF com o mundo do trabalho” aconteceu no dia 24 de outubro, pela tarde, com a participação da chefe do Departamento de Relações com o Mundo do Trabalho, da Reitoria do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Milena Jansen Cutrim Cardoso, da coordenadora de Observação do Mundo do Trabalho, do Departamento de Programas e Projetos, Pauleany Simões de Morais, e mediação do diretor executivo, Ivo Cardoso, os últimos dois da Pró-Reitoria de Extensão (Proex),do Instituto Federal da Bahia (IFBA).

“O programa tem a possibilidade de ser aproveitado como estágio obrigatório. Então, é uma duplicidade de ganho para o estudante. Além de viver já essa realidade diretamente com a empresa, o programa tem como ser considerado como atividade profissional efetiva. A gente está tendo cuidado no regulamento de estágio, que estamos criando, de pontuar essa possibilidade”.
Pauleany Simões de Morais,  coordenadora de Observação do Mundo do Trabalho, do Departamento de Programas e Projetos, da Proex/IFBA

Na apresentação de Milena, foram mencionadas três iniciativas de relacionamento com os egressos: (1) o portal de empregabilidade, utilizado para divulgação de vagas; (2) a pesquisa de acompanhamento dos egressos, que já está na sua segunda edição (2021 e 2023) e mapeia qualitativamente a avaliação que os egressos fazem da sua formação no IFMA e sobre o que estão fazendo no momento; e (3) o projeto estratégico do IFMA no mundo, ainda em fase de desenvolvimento, que cruza os dados do sistema acadêmico com os dados das plataformas federais trabalhistas. “Vamos identificar indicadores de empregabilidade dos egressos que a gente forma e, com isso, formar de fato um observatório de egressos, um repositório de indicadores que vai nos informar onde esses ex-alunos estão”, explica Milena. A perspectiva é expandir esse observatório para toda Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rfeptc).

Já Pauleany, cedida pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) para o IFBA, está desenvolvendo ações de melhorias relacionadas aos estágios e egressos, como edição do novo regulamento de estágio e acompanhamento de egressos, por meio de pesquisa em âmbito institucional, de produção de regulamentação e desenvolvimento do programa de aprendizagem profissional, por exemplo. Pauleany destaca o diálogo com a Pró-Reitoria de Ensino (Proen): “O programa tem a possibilidade de ser aproveitado como estágio obrigatório. Então, é uma duplicidade de ganho para o estudante. Além de viver já essa realidade diretamente com a empresa, o programa tem como ser considerado como atividade profissional efetiva. A gente está tendo cuidado no regulamento de estágio, que estamos criando, de pontuar essa possibilidade e já comunicamos a Proen para também ser previsto nos PPCs [Projetos Pedagógicos dos Cursos] dos cursos”.

DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PELA EXTENSÃO  E EDUCAÇÃO NO COMBATE DAS DESIGUALDADES SOCIAIS

“Extensão como dimensão estratégica de transformação social e democratização da educação” foi o tema da última palestra para tratar do tema extensão na programação dos quatro eventos integrados – IV Congresso de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (IV CPPGI), III Jornada de Extensão do IFBA (III JEX) e II Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Extensão (II PIBIEX) –, conforme mencionou a pró-reitora de Extensão, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Nivea Cerqueira. A apresentação aconteceu na quarta-feira, dia 25 de outubro, no início da tarde.

A pró-reitora celebrou o fato de o tema estar no entremeio das estratégias de ensino e de mediar a apresentação de duas convidadas que se dedicam a fazer articulações importantes para a extensão em si, para as políticas de extensão e para os processos de gestão da extensão: a integrante da gestão superior da Universidade de Brasília (UnB) como Decana de Extensão, desde 2016, e membro da Comissão de Permanente de Extensão da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM), desde 2018, Olgamir Amância Ferreira de Paiva, e a professora associada da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e pró-reitora de extensão e cultura da UFRB, de agosto de 2015 a março de 2023, Tatiana Ribeiro Velloso.

“São experiências transversais que a gente consegue falar de um lugar muito próprio, porque a gente experimenta os desafios da rede extensionista e a gente os conhece muito bem, às vezes de forma isolada, solitária, angustiada. Mas, a gente conhece e tem a dimensão de pensar as políticas públicas e também de pensar os processos de gestão. A gente sabe os limites que essa extensão precisa transpor para fazer o que lhe é devido, um processo pedagógico, dialógico, formativo, que impacta e que é impactado nos territórios nos processos de formação interna, na nossa existência, e com o outro, a partir das demandas que o outro apresenta e incrementa no nosso percurso dentro das nossas instituições”, destaca Nívea.

Olgamir falou sobre o tema com olhar para a emancipação dos povos. “Estamos partindo de uma formação partida, fragmentada, individualizada, como diria Darcy [Ribeiro], para manutenção da realidade como ela está e não para sua transformação. E estamos dizendo que o nosso horizonte, a nossa perspectiva estratégica é a construção de uma nova sociedade, de um novo paradigma de sociedade, que rompa com tudo isso que a gente está colocando. Para isso, temos que conhecer a sociedade e compreender esse novo paradigma. A relação direta disso com a emancipação dos povos está muito fortemente ligada. Considerando a nossa realidade de país latino-americano, de que há um processo fundante, para que a gente possa transformar a realidade e garantir a emancipação dos sujeitos, passa pelos níveis de compreensão dessa realidade para sua desconstrução. Você tem uma formação que não se dá só no Instituto, só na escola, só na universidade, mas que se dá na perspectiva da educação sistematizada especialmente nesses ambientes e que pode contribuir para transformação dessa realidade, ou seja, nós estamos falando de uma possibilidade concreta de termos sujeitos que compreendam o contexto onde vivem, que desvelem a realidade onde estão inseridos e usem o arcabouço teórico de formulação e produção de conhecimento para transformar essa realidade na perspectiva da humanização dos sujeitos. Isso é apontar para emancipação dos sujeitos, dos povos, e onde entra a extensão. Enquanto uma concepção dialógica, ela é um elemento fundante e, nesse movimento, a extensão dialógica foi institucionalizada. Fomos desafiados para caminharmos para que essa compreensão de educação não ficasse na periferia, mas no espaço de currículo que é um espaço de poder”, explica.

Nesse sentido, Olgamir defendeu: “Uma nova organização pedagógica a partir da extensão que não se reporta apenas a uma dimensão, mas a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

Tatiana destaca a inserção curricular da extensão como: “É a inserção da formação extensionista do discente no curso de graduação, com orientação da sua ação, prioritariamente, para áreas de pertinência social, compreendidas enquanto ações de interação transformadora entre a universidade, o instituto e outros setores da sociedade”.

Um dia antes, na terça-feira (24), às 17h, o Auditório 2 de Julho, reunia um grande número de pessoas na plateia à espera da conferência “O papel da Educação no Combate das desigualdades sociais”, ministrada pelo antropólogo Kabengele Munanga, que foi recebido com muitos aplausos do público. Brasileiro naturalizado desde 1985, Kabengele  nasceu na República Democrática do Congo. Graduado em antropologia social e cultural, pela Universidade Oficial do Congo, e doutor em ciências humanas (área de concentração em antropologia social), na Universidade de São Paulo (USP). Na maior parte de sua carreira acadêmica, esteve como professor efetivo na USP, de onde se aposentou como professor titular, atuando nas áreas de antropologia da África e da população afro-brasileira, com enfoque nos temas: racismo, políticas e discursos antirracistas, negritude, identidade negra versus identidade nacional, multiculturalismo e educação das relações étnico-raciais.

PESQUISADORAS INTERNACIONAIS

Como ação para fortalecimento da internacionalização da pós-graduação no IFBA, a programação do evento contou com a participação de pesquisadoras estrangeiras, que desenvolvem pesquisas em colaboração com professores do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Materiais (PPGEM), do IFBA, cujo mestrado profissional fica sediado no campus Salvador.

Doris Ruiz (Foto: divulgação)

Uma das pesquisadoras que participou do evento foi Doris Polett Ruiz Vasquez, professora associada do Departamento Físico-químico, da Universidad de Concepcion, no Chile, que tem licenciatura em química e doutorado em ciências químicas, e pós-doutorado na Åbo Akademi University, Turku, Finlândia. Ela apresentou a palestra “La animación catalítica de derivados de biomasa a la producción de gas de síntesis”.

A outra convidada internacional foi Adriana Daniela Ballarini, que tem licenciatura em química e é pesquisadora do Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas y Técnicas (Conicet), do Centro Cientifico Tecnologico Conicet Santa Fé (CCT Santa Fé), do Instituto de Investigaciones en Catalisis y Petroquimica Ing. Jose Miguel Parera, (Incape), em Santa Fé, Argentina. Sua apresentação foi sobre “Producción de hidrógeno vía reformado catalítico: la rica investigación química de América del Sur”.

PÓS-GRADUAÇÃO STRICTU SENSO: AVANÇOS E DESAFIOS NOS INSTITUTOS FEDERAIS E NA UNIVERSIDADE

Na terça-feira, 24, aconteceu a mesa “Pós-Graduação Strictu Senso: avanços e desafios nos Institutos Federais e na Universidade”, que contou com a participação  de Ana Rita Silva Almeida Chiara, professora e pesquisadora do IFBA campus Simões Filho;  Anibal de Freitas Santos Júnior, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb); de Rivailda Argolo, chefe do Departamento de  (PRPGI- mediadora) e Joélia de Carvalho (Coordenadora nacional do Fórum de Reitores e Pró-reitores), que abriu a mesa para falar sobre  as questões que perpassam as pós graduação no Brasil.

“Hoje, as bolsas só atendem 34% da demanda de estudantes que poderiam ter o seu perfil contemplado. É estudante sem vínculo empregatício, então as bolsas, não contemplam 100% dos alunos. Também temos desafios relacionados à qualidade da pós-graduação para aprimorar a qualidade dos programas de pós-graduação”
Joélia de Carvalho - Coordenadora Nacional do Fórum de Reitores e Pró-reitores

Joélia apresentou um histórico das pós-graduações e de sua distribuição no Brasil. “A gente observa que as regiões Sul e Sudeste do País concentram o maior número de programas de pós-graduação, portanto, a oferta de pós-graduação no Brasil ainda é muito relevante dessas regiões”. A palestrante destacou como pontos principais a necessidade de políticas de permanência e êxito; a interiorização e internacionalização das pós-graduações e a interação com os setores não acadêmicos da sociedade. “Hoje, as bolsas só atendem 34% da demanda de estudantes que poderiam ter o seu perfil contemplado. É estudante sem vínculo empregatício, então as bolsas, não contemplam 100% dos alunos. Nós temos um desafio também muito grande que é a interiorização. Também temos desafios relacionados à qualidade da pós-graduação para aprimorar a qualidade dos programas de pós-graduação”, afirmou, ao lembrar que é preciso “manter a interação com o setor não acadêmico com as necessidades do mundo do trabalho”.

Anibal de Freitas Santos Júnior, da Uneb, também alertou sobre a distribuição de cursos na região Nordeste: “Informações retiradas da plataforma Sucupira, com os dados atualizados. O Nordeste só detém 20,7% dos programas e 19,3% dos cursos”.  O professor concentrou sua exposição nas experiências da Bahia, em especial, da Universidade do Estado da Bahia, citou dados quantitativos de cursos no território baiano, e ressaltou a necessidade de melhoria dos indicadores, especialmente pensar na interiorização da pós-graduação dentro do Estado.

A docente do campus Simões Filho do IFBA, Ana Chiara, apresentou uma linha do tempo da  formação da Institutos Federais, e propôs como elemento para reflexão a indagação sobre quais as contribuições dos Institutos Federais para a comunidade, em especial às comunidades no entorno dos campi. “Não somos a Universidade, mas não somos mais escola. Somos Instituto e essa particularidade é uma coisa que é importante”. Chiara abordou questões como a necessidade de unificação de Pesquisa, Ensino e Extensão, que devem funcionar em conjunto, assim como a necessidade de a pesquisa estar presente para todo o corpo discente dos IFs, incluindo os estudantes do ensino médio e graduação. A professora também ressaltou a questão da capilaridade do IFBA e da necessidade de se pensar no retorno que é gerado para as comunidades locais, como os campi podem contribuir para o desenvolvimento das regiões em que estão situados.

Na manhã da quinta-feira (26), foi realizada a palestra “Técnicas de Planejamento de Experimentos - Uma Visão Multidisciplinar”, com Sérgio Luiz Ferreira, da Universidade Federal da Bahia. O professor falou sobre quimiometria, que é a aplicação de métodos estatísticos ou matemáticos em dados de origem química, e sobre as técnicas de planejamento de experimento que fazem parte da disciplina.

CULTURA MAKER

Na terça-feira, 24 de outubro, a chefe do Departamento de Inovação (Dinov), vinculado a PRPGI, Deise Piau mediou o debate sobre Cultura Maker, na sala A (antiga Proex), que reuniu Antônio Bitencourt, especialista nas áreas de projeto de sistemas mecânicos, metodologia de projeto de produtos e desenvolvimento de dispositivos de precisão; Breno Santos, diretor de Ambientes de Inovação e Empreendedorismo do IFSP; e Flávio Costa, docente de Física do IFBA campus Eunápolis.

Nos relatos, os palestrantes falaram sobre as experiências vivenciadas em seus locais de atuação e ressaltaram o protagonismo dos estudantes nos projetos de inovação. Além disso, houve discussão sobre a necessidade do alcance de pessoas para colocar a “mão na massa”, lema que é sinônimo de cultura maker, uma vez que quem vivencia essas experiências aprende na prática, aprende fazendo e criando, ao mesmo tempo em que é criada uma rede de cooperação entre os/as participantes.

Durante a apresentação, o professor Flávio Costa falou sobre o projeto EduMaker. Segundo informações apresentadas no encontro e presentes no site do IFBA Eunápolis, essa iniciativa do campus Eunápolis propõe a criação de um ambiente multidisciplinar com base na cultura maker, para atender e envolver estudantes e docentes dos vários cursos e níveis de Ensino do IFBA, campus Eunápolis, na resolução de problemas da comunidade interna e externa à instituição por meio do desenvolvimento de projetos.

POLÍTICAS CULTURAIS E EDUCAÇÃO: PELO FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA

No primeiro dia dos eventos, segunda-feira (23), Katia Costa, produtora, gestora e pesquisadora da área da Cultura,  e a chefe do Departamento de Arte, Cultura, Esporte e Lazer (Dacel) do IFBA, Soraia Brito, compuseram a mesa que debateu o tema “Políticas Culturais e Educação: Pelo Fortalecimento da Democracia”, sob mediação de Jecilma Alves, atualmente coordenadora de Arte e Cultura do Dacel. Entre as questões levantadas, Katia Costa falou sobre a importância de políticas públicas para enfrentamento da desigualdade social e também sobre a necessidade de o IFBA dialogar com as comunidades. Soraia Brito, apontou o Plano Decenal de Arte e Cultura do IFBA como um documento que “resguarda e legitima” a Cultura como um pilar que atravessa a Pesquisa, a Extensão e a Administração da Instituição. A chefe do Dacel ainda falou sobre a necessidade do fortalecimento coletivo.

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