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Seis vezes medalhista de ouro em olimpíadas nacionais, estudante do IFBA relata experiência do intercâmbio no Japão

Styves Barros participou da edição 2022 do Sakura Science High School Program (Brazil), para o qual foi aprovado em seleção nacional. Em 2021, o jovem de 18 anos foi o único representante da Bahia no Programa Jovens Embaixadores. Entre 2020 e 2022, conquistou três medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e outras três na Olimpíada Nacional de Ciências (ONC). Confira a reportagem especial sobre o estudante prodígio do Campus Seabra.
por Bárbara Souza publicado: 23/11/2022 19h50, última modificação: 25/11/2022 18h56

Arte: Gilberto Amorim
Aos 18 anos, ele já coleciona seis medalhas de ouro conquistadas em olimpíadas estudantis e já cruzou o mundo para participar de dois programas de intercâmbio. Neste ano, o desempenho de excelência carimbou seu passaporte para o Japão, onde participou entre os últimos dias 6 e 12 de novembro da edição 2022 do Sakura Science High School Program (Brazil), programa de intercâmbio de curta duração no país asiático, para o qual foi Styves Barros Miranda foi aprovado em seleção nacional.

Estudante do curso técnico de Informática integrado ao Ensino Médio, do Campus Seabra, Styves tem uma trajetória acadêmica digna de nota. Senão, vejamos: em 2021 foi o único representante da Bahia no Programa Jovens Embaixadores, dirigido a estudantes do ensino médio da rede pública com excelente desempenho escolar, fluência em inglês e engajamento em iniciativas de impacto social. Por três vezes consecutivas (2020, 2021 e 2022) foi medalhista em duas competições: na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e Olimpíada Nacional de Ciências (ONC). Conquistou seis medalhas de ouro no total.

Arte: Gilberto Amorim

Nascido e criado em Seabra, Styves qualifica a experiência do intercâmbio no Japão como “inimaginável”. Ele conta que teve um choque cultural “muito grande”, ao citar aspectos como o idioma, a culinária e “até a própria maneira de se comportar”. O estudante relata que, apesar de ser fluente em inglês, enfrentou alguma dificuldade na comunicação porque muitos(as) japoneses(as) com os quais ele precisava se comunicar não falavam o idioma. “Por isso, contávamos com uma tradutora japonês-inglês para nos auxiliar quando necessário. Às vezes eu arriscava com o básico de japonês que eu sei e conseguia me comunicar um pouco”, lembra.

“Academicamente, o intercâmbio superou minhas expectativas”, afirma o estudante, que completa 19 anos no próximo mês de dezembro. Ele conta que participou em Tóquio de uma visita ao Tokyo Skytree Tower, torre de radiodifusão que é a segunda mais alta estrutura do mundo, com 634 metros de altura. “Vimos desde robôs usados em escombros de terremotos e simuladores usados nas Paralimpíadas, até inteligência artificial para identificar espécies de flores”.

FÓSSEIS, LEVITAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E ASTRONAUTAS

Foto: Acervo pessoal
O jovem prodígio conheceu a Ana Bule Base, uma das maiores instalações de treinamento do Japão, que reproduz o ambiente de um aeroporto e um avião e conta com equipamentos de treinamento mais avançados do mundo.  “Vimos de perto um dos maiores aviões do mundo, com suas partes desmontadas para visualizarmos as partes de dentro e como os pilotos e comissários de bordo são treinados”, relata.

Na bagagem da memória, o intercambista baiano trouxe também a lembrança do contato visual com “roupas usadas por astronautas, satélites e até foguetes” e as visitas a museus, como o Museu Nacional de Natureza e Ciência e o Museu de Ciência de Toshiba. Neste último, “vimos fósseis, réplicas de células, simulações de indução eletromagnética, como funciona o trem que utiliza levitação eletromagnética”, lembra Styves, que cita também o supercomputador que visitou na Universidade de Tsukuba.

“Essas visitas aguçavam minha curiosidade cada vez mais e me faziam ficar muito animado para contribuir com toda essa ciência que visava tornar o mundo um lugar melhor”, narra o estudante do IFBA, ao ressaltar que o grupo de intercambistas era sempre acompanhado por guias nesses lugares, "que iam nos explicando sobre as coisas".

Styves ressalta que os(as) estudantes brasileiros(as) que participaram do Sakura Program em 2022 conviveram com intercambistas do Peru, Chile, Quirguistão, Cazaquistão e Tailândia. “Foi possível absorver ideias de todos esses outros países de tantas partes do mundo e não só a cultura japonesa”, afirma, ao destacar que essa experiência tornou o intercâmbio “ainda mais enriquecedor”. Uma síntese? “Foi uma viagem que abriu meus horizontes”.

 E O FUTURO?...

Foto: Acervo pessoal

...é uma astronave que, tudo indica, Styves Barros vai pilotar muito bem. O estudante revela que atualmente seu “maior sonho” é conseguir ingressar numa universidade americana, para cursar Ciência da Computação. “O curso de Informática do IFBA fez com que eu me apaixonasse pela área e é o que decidi seguir acadêmica e profissionalmente”, afirma o jovem que demonstra compromisso social quando discorre sobre sua escolha. “Acredito também que a tecnologia é uma ferramenta importantíssima para mudar o mundo à nossa volta e, nessa área, poderei fazer minha parte para tornar o mundo um lugar melhor”, conclui. É provável que o entusiasmo de Styves tenha influenciado seu irmão mais novo, Malone, de 15 anos, que “tem o sonho de entrar no IFBA” e está participando do processo seletivo para ingresso nos cursos técnicos do Instituto Federal da Bahia em 2023.

 Se dá para conciliar a intensidade dos estudos com a vida social? “Não é uma tarefa fácil, devo admitir. Participar de tantas atividades acadêmicas extracurriculares muitas vezes faz com que você não consiga ir a algumas festas ou encontrar seus amigos com frequência. Mas desde cedo aprendi a importância de equilibrar os estudos e a vida social, então sempre mantenho uma agenda com todos os meus afazeres, incluindo os eventos acadêmicos e sociais. Descobri que assim, consigo me organizar para participar de ambos e manter uma vida equilibrada”. Sim, essas são palavras do jovem Styves Barros, reproduzidas textualmente.

AGRADECER E ABRAÇAR: PAIS, COLEGAS E SERVIDORES(AS) DO IFBA

“Em primeiro lugar gostaria de agradecer à minha professora orientadora Rafaelle da Silva Souza, que desde o meu 1º ano está comigo em Projetos de pesquisa e extensão, Olimpíadas, Feiras científicas, Artigos, Programas de intercâmbio e sempre me incentiva a buscar mais. Também gostaria de agradecer às minhas colegas de turma Raiane Araújo Brandão, Laura de Araújo Rodrigues e Nataly de Souza Cunha que, além de parceiras de projeto incríveis, são amigas para uma vida, sempre comigo nos momentos conturbados.

Eu não conhecia o professor Maurício Nascimento antes do programa Sakura, mas em pouquíssimo tempo ele se tornou uma figura incrível para mim, me incentivando a buscar meus sonhos e me apoiando de todas as maneiras possíveis durante e depois do programa.

Também agradeço aos meus pais por todo o carinho e apoio. E, de modo geral, a todos os demais professores e técnicos do IFBA que se preocupam e se esforçam para tornar a passagem dos alunos pela instituição a mais enriquecedora possível. Sem todas essas pessoas me motivando, minha trajetória como estudante não seria da forma que está sendo.”

DO POST DO IFBA NO INSTAGRAM AO JAPÃO

“Fiquei sabendo do programa Sakura em 2019. Na época  não pude participar pois um dos requisitos é estar no último ou penúltimo ano do ensino médio. Agora, em 2022, depois de ver uma postagem do IFBA no Instagram sobre o programa, finalmente pude me inscrever e fui contemplado com essa oportunidade””.

 

Foto: Acervo pessoal

 

 

 



 

 



 

RUMO AO ORIENTE, MIRANDO O OCIDENTE

"Resolvi me inscrever por dois motivos. O primeiro é que eu sempre tive uma curiosidade imensa pela cultura japonesa. O segundo é justamente a experiência de visitar um país tão distante e ter a oportunidade de ver de perto a sua ciência e tecnologia de ponta. Além do que a participação no programa é uma extracurricular de grande peso para que eu conquiste meu sonho de ingressar numa universidade americana”.

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 INTERCÂMBIO...E OS CUSTOS?

“Todo o programa foi financiado pela JST (Japan Science and Technology Agency) e também pelo CONIF/MEC/IFSULDEMINAS. Então os gastos que tive durante a participação foram somente de coisas "extras" que eu quis comprar, como presentes, etc. Acredito que essa é uma iniciativa excelente, visto que a maior parte dos alunos não teria condição de arcar com uma viagem como essas”.

 

Foto: Acervo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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