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Setembro Amarelo promove reflexão e ação

Uma rede de apoio estruturada é capaz de evitar o suicídio em até 90% dos casos, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde.
publicado: 10/09/2021 18h37, última modificação: 10/09/2021 18h37

Por Maria Gabriela Vidal *

Campanha Setembro Amarelo tem como objetivo chamar a atenção para um problema, que por vezes, pode ganhar silenciosamente proporções irreversíveis e culminar no fim antecipado de vidas. No Brasil, a campanha foi iniciada em 2015 e trouxe à tona um problema que até então era um tabu social: o suicídio.

O problema, que é de ordem de saúde pública, é lembrado oficialmente no dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Contudo, a discussão sobre o assunto não se restringe ao mês de setembro. Nem poderia, tendo em vista os dados que apontam o suicídio como a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, como estima a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a entidade, anualmente, cerca de um milhão de pessoas tiram a própria vida em todo o mundo. Por outro lado, a OMS também estima que uma rede de apoio estruturada é capaz de evitar o suicídio em até 90% dos casos.

APOIO NO IFBA

Mesmo sem perceber, essa realidade pode estar próxima, nos lares, nas rodas de amigos e até no ambiente de trabalho. Como forma de promover a reflexão e auxiliar com atendimento e apoio profissional para aspectos relacionados à saúde mental, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) intensificou, nesse mês, as ações e divulgação de temas trabalhados na campanha Setembro Amarelo.

“Procure ajuda! Infelizmente falar da saúde mental ainda é um tabu ou motivo de vergonha para muitas pessoas. Porém, se expressar, falar de sua própria dor, buscar uma equipe de saúde qualificada e apoio familiar são fundamentais para a delimitação dos contornos dessa dor invisível e, consequentemente, para o alcance do sucesso no tratamento”, diz o texto publicado esta semana no Instagram do IFBA.

Os(as) servidores(as) do Instituto que estejam precisando de atendimento e apoio profissional para enfrentar sofrimentos que têm impactos na saúde mental contam com o apoio da equipe de Atendimento Psicossocial do Departamento de Qualidade de Vida (Dequav). 

O atendimento pode ser solicitado pelos e-mails ludmillagondim@ifba.edu.br e priscilla.veloso@ifba.edu.br, profissionais do Dequav, ou pelo SEI (Sistema Eletrônico de Informações), que conta com um processo específico denominado “Acompanhamento Psicossocial”, de caráter sigiloso, através do qual o(a) servidor(a) pode fazer a solicitação de atendimento psicossocial.

Os(as) estudantes do IFBA também podem buscar ajuda da equipe de atendimento psicossocial do respectivo campus e os contatos estão disponíveis no site de cada unidade.

 ATENÇÃO AOS SINAIS

Depressão, transtorno bipolar, ansiedade e dependência química são sinais de risco e podem sugerir indícios de um possível desejo suicida. De acordo com especialistas, o conjunto de sintomas costuma vir associados ao desânimo, desesperança e falta de perspectiva. Na página virtual Setembro Amarelo – organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFB) e com acesso pelo www.setembroamarelo.com – é mencionado que cerca de 96,8% dos casos de suicídio estejam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

A atenção a possíveis tendências ao suicídio deve ser ainda maior em um contexto de pandemia, cenário em que tem sido observado o aparecimento cada vez mais recorrente de quadros de ansiedade, depressão, síndrome de Burnout, entre outros transtornos. Por isso, em 2021, a Campanha Setembro Amarelo ganha maior relevância.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021 confirmam a gravidade do problema, sobretudo no Brasil. Isso porque, desde 2012, o país registra uma alta na taxa de crescimento do número de suicídios. Em 2020, foram 12.895 casos, superando as perdas de vidas por esta causa em 2019, quando foram contabilizadas 12.745 mortes por suicídio. São Paulo, Minas Gerais e Porto Alegre, respectivamente, são os Estados com o maior número de pessoas que tiraram a própria vida.

Na Bahia, a situação se repete. Dados do Sistema de Informação de Agravo de Notificações (Sinan), responsável por coletar, processar e hierarquizar dados em todo o território nacional, apontam que em pouco mais de uma década (2009 a 2021) foram notificados 12.416 casos de lesão autoprovocada, entre elas autoagressões e tentativas de suicídio.

A Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa) e a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), através da Coordenação de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Codant), reuniram os dados citados anteriormente em um painel, produzido neste mês para chamar a atenção para a campanha de prevenção ao suicídio. Ainda no material é possível ter acesso a gráficos sobre a distribuição destes óbitos por sexo e idade na Bahia.

 COMO AJUDAR

Entidades como ABP e o Centro de Valorização da Vida (CVV) sinalizam que pela ação é possível viabilizar formas de ajudar as pessoas que estão em sofrimento psíquico. É importante ter atenção à forma de abordagem porque uma tentativa de ajuda não especializada pode contribuir para o agravamento do quadro de saúde de uma pessoa com pensamentos suicidas.

O ideal é buscar ajuda de um profissional capacitado a orientar de maneira adequada. Pensando nisso, a OMS lançou, em 2020, uma cartilha que detalha como família e amigos devem identificar e proceder em possíveis casos de automutilação e tentativas de suicídio.

COMO PEDIR AJUDA

O CVV oferece atendimento gratuito 24h pelo telefone 188 e, na capital baiana, a sede da entidade fica na Rua do Bângala, 47 - Nazaré. Por meio do 192 (SAMU) também é possível buscar ajuda e apoio emocional a qualquer hora do dia.

Além disso, diversos municípios baianos contam com Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ambientes especializados com equipe interdisciplinar para lidar com pacientes que apresentem transtornos mentais. Há unidades do CAPS em Camaçari, Candeias, Dias D’ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Simões Filho.

 ATENDIMENTO PSICOLÓGICO GRATUITO EM SALVADOR

Confira a lista de algumas instituições que oferecem atendimento psicológico gratuito ou a baixo custo na capital baiana:

 ➢ UNINASSAU Pituba - Rua dos Maçons, 365, próximo a 16ª Delegacia de Polícia. Telefone: (71) 3505-4510, no horário das 8h às 17h.

➢ Hospital Juliano Moreira - Avenida Edgard Santos, s/n, Narandiba. Telefones: (71) 3103-3969.

➢ Serviço de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (campus São Lázaro) - Rua Aristides Novis, número 197, Federação. Telefones: (71) 3235-4589 e 98522-8306.

➢ Hospital Roberto Santos (Ambulatório de Psiquiatria) - Rua Santa Bárbara do Saboeiro, s/n – Cabula. Telefone: (71) 31177500.

➢ Sessão Clínica do Serviço de Psicologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública - Avenida Dom João VI, número 275, Brotas. Telefone: (71) 3276-8259. (Novas vagas serão abertas ainda neste mês de setembro)

POR QUE AMARELO? 

*Maria Gabriela Vidal é estagiária de jornalismo da Dgcom, sob a supervisão de Bárbara Souza. Colaborou: Luize Meirelles. 

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