Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 2021 > Projeto Aya: Baobá, ancestralidade e pensamento de(s)colonial é finalista do Prêmio Escola Diversa
conteúdo

Notícias

Projeto Aya: Baobá, ancestralidade e pensamento de(s)colonial é finalista do Prêmio Escola Diversa

Idealizado por docentes do Campus Eunápolis do IFBA, o projeto está entre os 13 selecionados na primeira edição do prêmio promovido para enaltecer iniciativas que usam as diferenças e a diversidade nos processos de aprendizagens das (os) estudantes. Ao todo, 417 escolas, públicas e privadas, se inscreveram na competição que será finalizada na próxima quinta-feira (15).
por Helen Sampaio publicado: 14/07/2021 08h50, última modificação: 14/07/2021 08h53

“Pensar o processo histórico brasileiro, sua formação sociocultural e política, tidos por fundamentais na compreensão de trajetórias individuais e coletivas, mas, sobretudo, enquanto compromisso político com populações e grupos que foram e são historicamente marginalizados”. Essa é a missão do projeto Aya: Baobá, ancestralidade e pensamento de(s)colonial, representante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) na final do Prêmio Escola Diversa, promovido pela empresa Piraporiando, cuja votação on-line segue até essa quinta-feira (15).

Criado por Flaviane Ribeiro e Lincoln Cunha Júnior, docentes do Campus Eunápolis, o projeto Aya visa à promoção de ações educacionais voltadas a estudantes do ensino médio integrado ao técnico, a partir da realização de debates em sala de aula, com base em textos acadêmicos de pensadores e pensadoras negras (os) e indígenas. Igualdade racial e de gênero, Racismo, Violência de gênero, Empoderamento das populações negra e indígena, Superação do preconceito de identidade sexual e de gênero são temas essenciais para as discussões propostas.

          Flaviane Ribeiro, professora de história do IFBA, em Eunápolis     Lincoln Cunha Júnior, professor de filosofia no campus Eunápolis

Flaviane Ribeiro e Lincoln Cunha Júnior, idealizadores do projeto Aya: Baobá, ancestralidade e pensamento de(s) colonial.

Ao longo de três edições (anos letivos 2018, 2019 e 2020), diversos formatos de atividades foram experimentados pelo projeto, entre eles: minicursos; ciclos de colóquios; oficina de contação de histórias infantis indígenas e afro-brasileiras para crianças de escolas municipais de Eunápolis; oficina de stencil e de cartazes; sarau da diversidade e o “AYA: Seminário de Descolonialidades.

“Entendemos que somente por meio de uma educação decolonial e emancipatória poderemos fazer da escola um lugar melhor e da sociedade um lugar mais justo e equitativo. Esperamos que nosso projeto possa inspirar mais colegas, inclusive no próprio IFBA”, declara a docente de história, Flaviane Ribeiro, que atua nas modalidades de ensino integrado, superior e de pós-graduação.

Além das (os) discentes do integrado, a iniciativa envolve toda a comunidade escolar interna e externa, desde discentes dos cursos de graduação e de especialização, docentes e servidores técnicos-administrativos do campus, a estudantes de diversas modalidades de ensino do município e cidades circunvizinhas, representantes de comunidades indígenas, quilombolas, povo de terreiro e pesquisadores atuantes na produção e difusão do conhecimento.

  Atividade projeto Aya eunapolis.jpeg

Lincoln Cunha Júnior, Ângelo Pataxó, Flaviane Ribeiro, Keyla Rabêlo (integrante do projeto) e Arnâ Pataxó, em uma atividade no ano de 2019. 

Desde 2018, as atividades do projeto são organizadas pelo Baobá: Grupo de Estudos em Ancestralidade e Pensamento De(s)colonial, composto por 12 docentes pesquisadores e sete discentes, que participam ativamente da iniciativa, segundo o professor de filosofia, atuante no integrado, superior e pós-graduação, Lincoln Cunha Júnior. “Acho que é importante termos o reconhecimento de um trabalho tão bonito e que demanda tanta dedicação. Apesar do projeto ter sido concebido por mim e pela professora Flaviane, temos muitos/as colegas que trabalham conosco para que os eventos e atividades aconteçam. Isso é o mais importante: a parceria e o empenho de muitos/as. É um grande grupo de organizadores/as”, complementa.

O PRÊMIO

Promovido pela Piraporiando, empresa criadora de conteúdos e experiências educacionais antirracistas, antibullying e voltadas à diversidade, o Prêmio Escola Diversa conta com o apoio da Bett Educar e do Escolas Exponenciais. A competição foi dividida em duas etapas: seleção (pela equipe do concurso) de 13 escolas entre as 417 inscritas e  votação aberta do público.

As três instituições de ensino mais votadas serão premiadas com: o troféu Escola Diversa; coleções de livros; equipamentos; atividades culturais e formações fornecidas pela Piraporiando.

O projeto Aya concorre na categoria Corpo Docente - Projetos e/ou ações que foram motivadas e conduzidas a partir da iniciativa de um professor/professora/coordenador e que depois se ampliou para toda comunidade escola. Para além da premiação, Flaviane considera importante a divulgação da iniciativa. “Nós estamos muito felizes em poder divulgar nosso projeto, porque achamos bem importante trazer ao público experiências de práticas curriculares interculturais, que respeitem e acolham as diferenças, que exponham as relações de poder que permeiam os currículos, nos quais, em geral, não brancos são objetos de conhecimento, enquanto brancos são sujeitos de conhecimento”, frisa.  

Com informações da Comunicação – Campus Eunápolis.