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Polo de Inovação completa cinco anos e avalia novas linhas de atuação

Profissionais que desenvolvem projetos na unidade especial da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, comemoram conquistas, contam suas experiências de aprendizado e falam sobre novas perspectivas para o PIS.
por Helen Sampaio publicado: 13/09/2021 19h40, última modificação: 23/09/2021 13h15

O Polo de Inovação Salvador (PIS) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) completou cinco anos nessa segunda-feira (13). Com expertise em inovação para a indústria de base mecânica, eletrônica e de materiais do Complexo Industrial de Saúde, a unidade, vinculada à Reitoria do IFBA, é uma das nove a fazerem parte da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Tal destaque garantiu projetos de relevância atestada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que pode renovar em 2022 o credenciamento do Polo como unidade Embrapii até 2027.

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Juliano Lopes,diretor pró-tempore do Polo de Inovação do IFBA

A tarefa de elencar os projetos mais importantes para o Polo nesses cinco anos de funcionamento não é algo simples. Juliano Lopes, diretor geral pró-tempore do PIS, apontou três projetos como de alto impacto: o desenvolvimento da torre de esterilização de objetos, equipamento com capacidade de eliminação do vírus da Covid-19, H1N1, dentre outros microorganismos; o projeto de desenvolvimento de imagens tomográficas com aplicação principal na área de odontologia (ambos em parceria com a Embrapii e indústrias de São Paulo); um projeto em parceria com a empresa portuguesa da área de energia, Petrogal/Galp e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Está em negociação para ser concluída ainda este mês, uma segunda fase deste último projeto em parceria com a Petrogal, que também terá grande relevância, aportando novos recursos aos parceiros, que possibilitarão o desenvolvimento da pesquisa no IFBA com a participação efetiva dos nossos estudantes”, comenta.

Já Antonio Gabriel Almeida, coordenador de projetos do Polo de Inovação, destaca como relevante o primeiro projeto desenvolvido no âmbito da parceria com a Embrapii, para a empresa BARRFAB, do Rio Grande do Sul: o Foco Cirúrgico à LED com controle eletrônico de campo. “Este primeiro projeto pode ser considerado como um ‘case’ de sucesso, uma vez que o produto é um sucesso de mercado, e pôde ser visto na última Feira Hospitalar antes da pandemia, em 2019”, afirma o professor que faz parte da equipe do Polo, desde a sua fundação.

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Antonio Gabriel Almeida é coordenador de projetos no PIS/IFBA

Coordenador de um dos laboratórios, o Labproti (Laboratório de Prototipagem Integrada), Almeida participou, como responsável na área de mecânica, da estruturação do PIS. É responsável pela área de serviços tecnológicos e já atuou como equipe executora e coordenador de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Embrapii. O Simulador para estudo de patologias cardíacas é o segundo projeto mencionado pelo professor. O projeto foi premiado, em 2018, na Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Reditec) e apresentado pela estudante Tamires Alves, no World Congress - World Federation of Colleges and Polytechnics (WFCP), em 2018, na Austrália.  

“Isso dentre outros projetos de P&D que viabilizaram a inserção de novos produtos no mercado. Além das várias prestações de serviços tecnológicos, principalmente fabricação de protótipos, que permitiram que indústrias baianas inserissem seus produtos no mercado, contribuindo para geração de empregos. Mas, na minha opinião, o mais relevante para a história da unidade é o cumprimento da missão de formação de profissionais de alto nível. Temos alunos ex-bolsistas do Polo inseridos em várias empresas de grande porte, como Braskem e Coelba, e além do exemplo de um bolsista que foi contratado por uma empresa de Campinas. Ou seja, os alunos formados pelo Polo IFBA estão no mesmo nível dos alunos formados pelas principais universidades do país, como a Unicamp”, considera Almeida.

HISTÓRIAS DE APRENDIZADO

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Tamires é engenheira e bolsista de mestrado da Fapesb no PIS

Engenheira mecânica e bolsista de mestrado no PIS, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Tamires Alves, relata que a participação no desenvolvimento do Simulador de paciente para estudo de patologias cardíacas foi um divisor de águas em sua vida. “A oportunidade de fazer parte da equipe surgiu em um momento um tanto complicado para mim, de desânimo em relação à graduação, dificuldade em conseguir oportunidades de emprego/estágio e de desafios da maternidade... Na época o meu filho, Pedro, tinha um ano e dez meses. E que bom que eu aceitei o desafio! O projeto me proporcionou realizações maravilhosas: oportunidade de fazer parte de algo tão significativo, ingressar no mundo da pesquisa e do desenvolvimento, reconhecimento pelo trabalho realizado e a minha primeira viagem internacional. Foi um desafio enorme, a insegurança bateu, mas deu tudo certo e valeu muito a pena. Poder representar a minha equipe de trabalho, o Polo de Inovação Salvador e o IFBA no evento foi encantador e muito gratificante”, desabafa sobre a participação no WFCP, na Austrália.

Tamires é um dos exemplos que evidenciam a fluidez da equipe multidisciplinar do Polo - formada por engenheiros, físicos, fisioterapeutas, especialistas em diversos campos da informática, entre outros profissionais – e que é requisitada com base nos projetos executados. A engenheira também já atuou no PIS como terceirizada contratada para a prestação de serviços tecnológicos. “A trajetória é desafiadora, difícil e pouco glamourosa, mas também é recompensadora e dá brilho nos olhos. Poder materializar uma ideia, tirar um projeto do papel, fazer acontecer... É muito bom! E participar desse processo, desde o início, é melhor ainda! As oportunidades que eu tive no Polo foram grandes responsáveis pela pessoa e profissional que eu me tornei. Acredito no meu crescimento desde quando eu comecei, em 2017. E continuar fazendo parte, agora desenvolvendo o projeto de mestrado, me fez saber que todo o processo valeu a pena”, confidencia.

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Aisha na Hospitalar, em 2019

Aisha Muiños também exalta os conhecimentos que o Polo lhe proporcionou. A engenheira eletricista e bolsista, foi estudante de engenharia industrial elétrica no campus Salvador e, atualmente, cursa o mestrado de Engenharia de Sistemas e Produtos (PPGESP) da instituição.  A inserção no universo das pesquisas na área de saúde aconteceu ainda na graduação, no Núcleo de Tecnologia em Saúde (NTS), onde o PIS foi iniciado. A partir disso, iniciou sua participação como voluntária na equipe, na organização dos laboratórios e das ilhas de trabalhos onde são desenvolvidos os projetos.  Em 2017, a estudante retornou como bolsista de mestrado e atuou na prospecção de novos projetos, participou da feira Hospitalar, considerada o principal evento de conexão e desenvolvimento do setor da Saúde na América Latina. 

“As atividades que desenvolvi no Polo me ensinaram a importância do trabalho multidisciplinar, no mesmo grupo de trabalho podemos ter engenheiro de várias áreas, médicos, técnicos, administradores, enfermeiros, estagiários e precisamos de todos para fazer um bom trabalho. Hoje sou docente no Senai Cimatec. O Polo e o IFBA me auxiliaram muito a chegar onde estou hoje, primeiro pela relação formada com os professores, pesquisadores e todos os colaboradores que sempre me incentivaram a buscar meus objetivos de vida e foram importantes na minha decisão de ser professora e pesquisadora, pois me mostraram o valor da educação e de passar o nosso conhecimento com carinho e atenção”, declara.

EXPANSÃO E NOVAS PERSPECTIVAS

A história do pesquisador sênior Elias de Souza com o PIS também é longa. Ele ingressou no Polo para coordenar um projeto de pesquisa na área de petróleo, em 2017. “Na época, eu era professor titular do Departamento de Tecnologias em Saúde e Biologia, no campus Salvador. Me aposentei em novembro de 2019, mas continuei no IFBA como professor voluntário. Em 2020, criei o spin-off - empresa derivada de um grupo de pesquisa - acadêmico, Mosaico Fluido Pesquisa e Inovação Ltda. Um ano depois de criada, a Mosaico Fluido conseguiu apoio para o seu primeiro projeto de pesquisa, que será executado em parceria com o IFBA e a UFBA”, conta.

No IFBA, a execução do projeto ocorrerá no Polo de Inovação e em um novo laboratório que será instalado no campus Salvador, sob a coordenação do professor Edgard Bacic, na área de engenharia química. Contando com o apoio da Petrogal Brasil S/A e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a iniciativa, de acordo com Souza, “tem como objetivo o design de águas inteligentes para o aumento do fator de recuperação do petróleo, ou seja, para o aumento da produtividade dos campos petrolíferos. O termo águas inteligentes se refere à formulação de soluções aquosas que, uma vez injetadas nos poços de petróleo, aumentam o volume do óleo recuperado. A parceria entre a Mosaico Fluido, o IFBA e a UFBA envolverá a realização de várias atividades de pesquisa que incluem a simulação de reservatórios, a realização de testes de molhabilidade de rochas do pré-sal e testes laboratoriais de deslocamento do petróleo em plugues de rochas que mimetizam a recuperação de petróleo em campos reais”, explica.

Entre 2017-2021, o Polo também contou com o apoio técnico da Petrogal e da ANP, em um projeto executado com foco no desenvolvimento de alternativas biotecnológicas sustentáveis para a recuperação avançada de petróleo, por meio de parceria entre o IFBA e a UFBA. A iniciativa, segundo o pesquisador, resultou em diversas publicações científicas e no depósito de duas patentes de cotitularidade entre o IFBA, a UFBA e a Petrogal.

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O pesquisador sênior, Elias Souza apresenta trabalho com o estudante de engenharia mecânica do IFBA, Danilo Lemos, no Encontro de Outono de Física de 2018.

Souza fala da expansão do Polo para outras áreas do conhecimento para além da sua forte vocação para a área de tecnologias em saúde, através da parceria com a Embrapii.  Para ele, esse movimento possibilitou o acolhimento de outros projetos, o que tornou a unidade um espaço importante para projetos na área de energia, que, segundo o pesquisador, constitui, nos tempos atuais, um dos grandes desafios para a humanidade. “Embora as análises indiquem que os combustíveis fósseis ainda vão ter um papel muito importante, pelo menos até 2050, o desenvolvimento de projetos visando à transição para energias renováveis já constitui uma realidade. O Polo de Inovação tem sido um espaço importante para os nossos projetos nessa área por oferecer uma infraestrutura para as nossas atividades de simulação computacional em computadores de alto desempenho. Essa infraestrutura pode servir para uma abordagem mais ampla na área de energia que tenha como foco o desenvolvimento de tecnologias para a transição energética. Uma vez que disponibilize infraestrutura adequada para as simulações, o Polo poderá se consolidar como espaço de colaboração com laboratórios do próprio IFBA, nos diferentes campi, ou mesmo com laboratórios de outras instituições parceiras”, pondera.

Para Juliano Lopes, “as perspectivas são de superação da crise que estamos vivenciando. E, em que pese todas as dificuldades decorrentes dela, principalmente o trabalho remoto, concluímos um ciclo de seis anos de avaliações e auditorias junto a Embrapii e estamos habilitados e pleiteando um novo ciclo de recredenciamento de mais seis anos. Além dos projetos Embrapii, temos outras perspectivas de captação de projetos e desenvolvimento de novas linhas de pesquisa, que precisam de alguns trâmites para serem divulgadas para toda a comunidade. São, portanto, perspectivas de muitos desafios e oportunidades”, enfatiza.

A visibilidade atingida pelo Polo é realçada por Antonio Gabriel Almeida. “Hoje já somos procurados por empresas de todo o país, para o desenvolvimento de projetos de P&D na área de Saúde. Da mesma forma, algumas empresas da Bahia já nos procuram para a prestação de serviços tecnológicos, à medida que tomam conhecimento da nossa atuação. E, naturalmente, a equipe do Polo vem passando por um processo de renovação, tanto do ponto de vista dos servidores, com a participação de novos colegas nos projetos, quanto do ponto de vista dos discentes, já que os primeiros bolsistas naturalmente foram se inserindo no mundo do trabalho, pela sua alta qualificação”, frisa.

Como planos futuros, o professor acredita na ampliação do PIS, a partir da incorporação de novos componentes à equipe. Para atingir essa meta, em 2020, foi realizado um seminário e, em 2021, o curso  de Captação e execução de projetos de PD&I. Desde então, segundo Almeida, houve manifestações de interesse em atuar pelo Polo, e os novos integrantes já estão sendo inseridos em atividades de prospecção, negociação e execução de projetos. 

NÚMEROS DO POLO DE INOVAÇÃO

Situado no Parque Tecnológico, em Salvador, onde conta com quatro laboratórios em uso, o Polo de Inovação do IFBA soma oito projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) Embrapii; dois projetos de PD&I com outras fontes de financiamento; cinco pedidos de propriedade intelectual; uma carta patente; um registro de software, 39 serviços especializados em prototipagem e um centro de usinagem em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Dois servidores técnicos administrativos integram a equipe, ao lado de docentes dos campi Irecê e Salvador, além de uma estagiária e um funcionário terceirizado. Ao todo, 15 estudantes já passaram pela unidade como colaboradores.

NOVOS INTEGRANTES NA REDE EMBRAPII

Quatro novos grupos de pesquisa de Institutos Federais estão sendo credenciados como polos de inovação na rede de unidades Embrapii, ao lado dos nove já em atuação.