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Inédito na Bahia, programa implantado pelo IFBA fortalece iniciação à docência e residência pedagógica

A ação institucional foi concretizada pelo edital nº 09/2020 da Proen, que selecionou 25 estudantes que atuavam voluntariamente no Pibid e na Residência Pedagógica vinculados à Capes.
por Helen Sampaio publicado: 01/03/2021 13h36, última modificação: 01/03/2021 13h36

“Estou tecendo caminhos para a construção da minha identidade como futura docente de Geografia”. É assim que Edelvaice das Neves define sua participação no Programa de Residência Pedagógica. A estudante da licenciatura de Geografia, do campus Salvador, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) está entre os (as) 12 bolsistas selecionados (as), através do edital nº09/2020, para a Residência Pedagógica do Programa de Bolsas para Iniciação à Docência e Residência Pedagógica da Instituição. Outros (as) 13 estudantes foram selecionados (as) para atuarem na iniciação à docência, somando, ao todo, 25 selecionados (as) para o programa.

A seleção foi destinada a estudantes das licenciaturas do IFBA que atuavam de forma voluntária nos programas de Iniciação à Docência (Pibid) – IFBA/Capes e de Residência Pedagógica (RP).  As bolsas, no valor de R$ 400, têm vigência por dez meses, contados a partir de janeiro, quando as atividades iniciaram. A Iniciativa da Pró-Reitoria de Ensino (Proen), por meio do Departamento de Ensino Superior (Desup) e das coordenações institucionais, é inédita entre as Instituições de Ensino Superior (IES) baianas, que não possuem programas de bolsa própria para fomento das ações de iniciação à docência e residência, e utilizam, portanto, somente o fomento decorrente dos editais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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Edelvaice das Neves é estudante de Geografia, em Salvador, e está na Residência Pedagógica.

Segundo o pró-reitor de ensino, Philipe Carvalho, desde o início de 2020, era desejo do IFBA realizar uma ação institucional de bolsa para os estudantes que atuavam de forma voluntária no Pibid e RP da Capes. “No começo de 2020, quando o novo edital da Capes foi aberto e o IFBA mais uma vez foi contemplado com aprovação do projeto institucional de Pibid e Residência, reacendeu a necessidade da Proen buscar recursos para a implementação de uma bolsa do IFBA para fortalecer as ações desses programas. No final do ano, visto que tínhamos algum recurso que não seria utilizado em função de algumas ações que, devido à pandemia, tiveram outro formato ou mesmo não aconteceram, começamos a construir o edital, com vista a agregar, em um primeiro momento, bolsas para esses estudantes que estavam atuando de forma voluntária, mas com muita dificuldade de continuar as ações, em virtude das dificuldades financeiras oriundas do isolamento social e da fragilidade econômica”, recorda Carvalho.

A iniciação à docência é uma oportunidade de aproximação, na primeira metade do curso de licenciatura (com no máximo quatro matrículas semestrais) entre o corpo estudantil e o cotidiano das escolas públicas de educação básica e o contexto em que estão inseridas. Já o programa de residência pedagógica, é iniciado na segunda metade da licenciatura (mínimo de 50% do curso ou a partir do 5º período) e se constitui como uma das ações da Política Nacional de Formação de Professores (as), para o aperfeiçoamento da formação prática, a partir da inserção do corpo estudantil na escola de educação básica. As atividades são acompanhadas na escola por professores (as) da educação básica, orientadas e coordenadas por docentes do IFBA.

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Danilo dos Santos é estudante de Geografia em Salvador e está no Pibid.

Devido à pandemia da Covid-19, o trabalho tem sido desenvolvido de forma virtual, através da realização de reuniões e da prática de atividades por meio das plataformas virtuais, que demandam uma série de leituras sobre a prática docente e metodologias de ensino. Para Edelvaice, que está no 8º período do curso, a residência tem proporcionado “segurança para atuar em sala de aula, ministrando os conceitos da Geografia, o que fazer e como agir no espaço geográfico escolar, as metodologias que vou aplicar e aprender a conviver com a rotina educacional das diferentes instituições que vou trabalhar”, pontua.

Danilo dos Santos, estudante do 4º período do mesmo curso de Edelvaice, conheceu o Pibid através de colegas que relataram “o quanto as experiências vividas durante o programa foram enriquecedoras, no que diz respeito à visão que um discente da licenciatura tem do que é ser um professor. Diante disso, fiquei extremamente curioso para experimentar o que esse programa tem de tão especial. Confesso que me inscrevi, porém sem muita expectativa, mas graças a Deus fui um dos selecionados. Agora estou numa empolgação só!”, comenta.

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Ivan Silva Júnior é coordenador do curso de Geografia em Salvador.

O coordenador do curso de Geografia, no campus Salvador, Ivan Silva Junior, afirma que o Programa de Iniciação à Docência e a Residência Pedagógica contribui para “a valorização da educação e qualificação do processo de formação inicial de professores (as), uma vez que possibilita a iniciação e a prática dos estudantes na vivência cotidiana dos espaços escolares, a partir da articulação entre a teoria e a prática pedagógica, da integração entre a educação básica e a educação superior e do alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além disso, possibilita a garantia de melhores condições de permanência discente, minimizando os índices de evasão dos cursos de licenciatura”, complementa.

Jakires Braz e Tacineide de Oliveira são estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena (Linter), no campus Porto Seguro e foram aprovadas, respectivamente, para o Pibid e para a RP. Para elas, a experiência vai além da educação formal voltada às escolas públicas, como também aponta o coordenador do curso, Francisco Ferreira: “Em se tratando da Linter, que tem entre suas várias peculiaridades a característica de ter estudantes que já são professores em suas comunidades, o programa traz a possibilidade de levar ainda mais qualidade para a prática destes docentes. Ou seja, as atividades desenvolvidas já estarão conectadas com a prática docente que está em andamento, não se trata de uma formação para o futuro, somente, mas é uma formação que estará sendo posta à prova na prática diária destes estudantes do IFBA e professores indígenas”, frisa.

                     Francisco é coordenador da Linter, em Porto Seguro       Jakires _ estudante Linter - porto seguro       Tacineide _estudante Linter _porto seguro _ rp

Francisco Ferreira, coordenador da Linter, em Porto Seguro e as estudantes do curso Jakires Braz e Tacineide selecionadas para o Pibid e Residência Pedagógica. 

No 1º período do curso, Jakires avalia que “passar nessa seleção foi muito importante porque é difícil ter uma oportunidade dessas. Quero aproveitar cada experiência e aprendizado porque vai ser muito bom para meu futuro e o da minha aldeia”, vislumbra. Já Tacineide, que está no 5º período da licenciatura para formação na área de linguagens, faz um resumo da sua trajetória no programa de residência. “No começo fiquei como bolsista voluntária, mas mesmo assim, continuei firme e não desisti e hoje eu agradeço ao IFBA por ter me dado essa oportunidade. Estar nesse programa é uma experiência muito grandiosa, onde tenho mais conhecimento na área da educação geral e indígena”, conta.

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