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Docentes do IFBA participarão de evento sobre necessidades educacionais especiais, na Ufba

Ao todo, serão realizadas sete palestras, entre os meses de agosto e novembro, com o objetivo de apresentar alguns dos perfis de estudantes com necessidades educacionais especiais e discutir a educação inclusiva na escola regular, adaptações e estratégias a serem adotadas.
por Helen Sampaio publicado: 28/07/2021 18h41, última modificação: 28/07/2021 18h41

As professoras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) Thalita Araújo e Sandra Samara Farias participarão do Ciclo de Palestras sobre necessidades educacionais especiais, realizado pelo grupo de pesquisa TrAce  (Tradução e Acessibilidade) do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ilufba). Respectivamente dos campi Santo Amaro e Barreiras, Thalita e Sandra conduzirão as palestras sobre “Surdez e Deficiência Auditiva” e “Surdocegueira”, nos dias 30 de agosto e 20 de setembro.

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Manoela é professora e coordenadora do grupo de pesquisa TrAce, na Ufba

Aberto ao público e com a limitação de 50 vagas por palestra, o evento é uma das ações de extensão do grupo criado em 2020, cujo foco está na Tradução Acessível (TAVA), principalmente em modalidades como a Audiodescrição (AD), a Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e a janela de Libras. “É necessário que procuremos nos familiarizar com o maior número de perfis possíveis. Os temas foram escolhidos levando em consideração alguns dos perfis com os quais já trabalhamos e temos maior familiaridade, assim como alguns perfis que gostaríamos de conhecer melhor”, explica a docente e coordenadora do TrAce, Manoela da Silva.

No IFBA, segundo o Departamento de Assuntos Estudantis (Daes), vinculado à Diretoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (DPAAE), mais de 330 estudantes com deficiência estão matriculados em cursos técnicos e superiores, existindo a prevalência, entre as necessidades, das deficiências visual e auditiva. O acompanhamento dessas(es) alunas(os) é realizado pelos campi, por meio dos Núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napnes) e das Coordenações de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Capnes). Como suporte a essa assistência, o IFBA conta com documentos norteadores como a Política de Inclusão  e as cartilhas de “Orientação para Atendimento às Pessoas com Deficiência” e “Práticas Acadêmicas Inclusivas”, um guia para docentes, com orientações básicas de como lidar com as dificuldades enfrentadas pelas (os) estudantes em sala de aula.

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Lívia Pereira é psicóloga na coordenação de inclusão e acessibilidade do Daes

“A promoção da educação especial inclusiva é dever de todos os agentes que compõem a instituição. O Daes tem buscado avançar na criação e atualização de políticas internas. Nos campi, os Napnes e Capnes têm promovido discussões em diversos âmbitos, nas jornadas pedagógicas, seminários, projetos de pesquisa e de extensão, além da participação em eventos de outras instituições, compondo a comissão organizadora, científica e como palestrante”, relata Lívia Pereira, psicóloga da Coordenação de Inclusão e Acessibilidade do Daes. Para a profissional, o debate da temática promove a quebra de estigmas, barreiras e preconceitos que ainda existem na sociedade quando se fala sobre deficiências.

É o que também acredita Thalita Araújo. A docente é intérprete de Libras, pedagoga, bacharela em Letras/Libras, mestra em educação e doutoranda no programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLINC/Ufba), atividade que lhe rendeu o convite para o ciclo. Em sua palestra, planeja apresentar as diferenças entre surdez e deficiência auditiva, abordar as características atribuídas a cada público e as adaptações que devem ser pensadas pelo corpo docente em seus planejamentos para melhor adequação em suas práticas. “Tratar sobre temas que ainda são distorcidos e/ou pouco conhecidos pela maior parte da sociedade, sempre significa contribuir para que mitos sejam desfeitos e que, consequentemente, grupos chamados de minoritários ganhem mais espaço e respeito social. Espero que a minha fala traga tais contribuições e que o conhecimento seja espalhado entre todos!”, enfatiza.

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Thalita leciona Libras na licenciatura de computação do IFBA, em Santo Amaro

Thalita leciona, há sete anos, na licenciatura em computação do campus Santo Amaro, na qual também é membro do colegiado e do Núcleo Docente Estruturante (NDE), um órgão consultivo responsável pela concepção do Projeto Pedagógico dos cursos de graduação. Na unidade de ensino, foi a responsável por um curso de extensão em Língua Brasileira de Sinais (Libras), focado na formação de professores de surdos do município e de outros circunvizinhos. Atualmente, promove, a cada semestre, na disciplina Libras, ações que reverberam na comunidade surda das cidades da região. Sua proximidade com a temática remonta da sua primeira formação, que coincidiu com os primeiros aprendizados da língua. “Consegui transpor para a área educacional toda a minha dedicação à língua e logo me engajei junto à comunidade surda baiana, assim como adentrei ao campo das pesquisas dos Estudos Surdos quando fui bolsista PIBIC da professora doutora Nídia Regina Limeira de Sá, uma referência nacional na área. As pesquisas que realizei em nível de mestrado trouxeram novamente essa temática e hoje, não mais com o foco completamente na educação, pesquiso ainda sobre as pessoas surdas, porém na perspectiva dos Estudos da Tradução”, conta.

No caso de Sandra Samara Farias, a provocação para pesquisar o tema surdocegueira e se tornar uma ativista na área, foi a maternidade. Isso porque a docente é mãe de Janine Farias, a primeira universitária surdocega congênita do Brasil, hoje com 29 anos. Mestra em educação, pedagoga e especialista em educação inclusiva/especial e em Libras, Sandra atua como docente de Libras e educação especial nos cursos de licenciatura em matemática, engenharia de alimentos, arquitetura e urbanismo e nos técnicos integrados em alimentos, informática e edificações, do campus Barreiras, onde está há nove anos. 

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Sandra é professora de Libras e educação especial no IFBA, em Barreiras

Atualmente, desenvolve o curso de Braille para cegos adquiridos e adéqua uma proposta de formação de professores para surdocegueira no Brasil, já aprovada pela Diretoria de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos (DISPERB) do Ministério da Educação (MEC). Além dessas atividades, participa, como audiodescritora, no projeto de extensão Ensino de Partículas e Astropartículas (EPA), ebook acessível, executado a partir de uma parceria entre o IFBA e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte  (UFRN) e que foi indicado ao Prêmio Péter Murányi, um estímulo a iniciativas inovadoras na área da educação, saúde, alimentação, ciência e tecnologia, cuja premiação ocorrerá em abril de 2022.“Como não temos o estudante surdocego no campus esse tema ainda é muito pouco discutido, mas na organização das políticas educacionais do IFBA que dizem respeito à inclusão, quando tenho oportunidade de participar, sempre busco contemplar a surdocegueira. Porque tenho certeza que um dia esse estudante chegará”, afirma.

Na sua palestra, Sandra apresentará o conceito de surdocegueira, os tipos e características da necessidade educacional, abordando formas de garantia da acessibilidade e inclusão educacional a esses estudantes, além do planejamento, avaliação e adequação curricular e recursos para a participação ativa do estudante surdocego na sala de aula.

As discussões do ciclo de palestras contemplarão outros perfis de estudantes com necessidades educacionais especiais, como deficiências visual e intelectual, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades e superdotação.

Confira a programação completa, abaixo.

PROGRAMAÇÃO DO CICLO DE PALESTRAS SOBRE NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS                                               às segundas-feiras, das 14h às 16h

  • 30/08 – Surdez e Deficiência Auditiva

Palestrante: Ma. Thalita Araújo (Pedagoga, Intérprete de Libras do NAPE UFBA e docente do IFBA Santo Amaro)

  • 06/09 – Deficiência Visual

Palestrante: Dra. Miralva Silva (docente da UNEB e coordenadora pedagógica no Instituto de Cegos da Bahia)

  • 20/09 – Surdocegueira

Palestrante: Ma. Sandra Samara Farias (docente do IFBA Barreiras, especialista em Educação Inclusiva e Libras e mãe de Janine Farias, primeira universitária surdocega congênita do Brasil)

  • 04/10 – Deficiência Intelectual

Palestrante: Dra. Fernanda Queiroz (docente da FACED UFBA ligada à área da Educação Especial e Tecnologia Assistiva)

  • 18/10 – Autismo

Palestrantes: Dra. Verônica Nascimento (docente da UNINASSAU com experiência como mediadora no atendimento a autistas) e Sabrina Nascimento (autista, pós-graduanda da FACED e professora da rede municipal)

  • 08/11 – Dislexia

Palestrante: Dra. Elizabeth Teixeira (docente do ILUFBA com larga experiência na temática e coordenadora do NAPE UFBA)

  • 22/11 – Altas Habilidades e Superdotação

Palestrante: Ma. Dartilene Andrade (pedagoga, presidente da Associação de Pais, Professores e Amigos das Pessoas com Altas Habilidades ou Superdotação APAHS-BA e coordenadora da Sala de Recursos Multifuncionais para Altas habilidades ou Superdotação do Raphael Serravalle).

Inscrições: a partir de formulários que terão seus links divulgados nos canais do ILUFBA, com certa antecedência das discussões. O primeiro estará disponível a partir do dia 10 de agosto.

Plataforma de transmissão: Conferência Web RNP

Vagas: 50

Certificado: Sim

Mais informações: silvamc.let@gmail.com - Manoela Cristina da Silva (Coordenadora do TrAce).

 

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