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Docentes do IFBA compartilham pesquisas realizadas com comunidades tradicionais baianas, no XVII Enecult

A 17ª edição do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), da Universidade Federal da Bahia (Ufba) será realizada entre os próximos dias 27 e 30 de julho.
por Helen Sampaio publicado: 22/07/2021 16h46, última modificação: 23/07/2021 11h01

Como parte da programação do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), docentes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) irão compor, no dia 30 de julho, a mesa “Comunidades Tradicionais na Bahia: Desenvolvimentos, Difusão e Culturas”. A discussão será promovida das 8h às 10h por Adriana Santos e Ricardo Mendes, dos campi Salvador e Porto Seguro, e Maria de Fátima Campos e Salete Vieira.

O evento é uma iniciativa do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult) da UFBA e será realizado entre os dias 27 e 30 de julho, de forma virtual, com transmissão pelo Youtube.  Na sua 17ª edição, abordará diversas temáticas associadas à Cultura, a partir da realização de mesas coordenadas, lançamento de livros e apresentações de artigos em 20 grupos temáticos. A cerimônia de abertura acontece no dia 27 de julho, às 10h.

A cultura na encruzilhada; O emergencial e o emergente nas políticas e práticas culturais no Brasil da pandemia; Comunicação estratégica, marca e organizações; Dilemas das políticas culturais na atualidade latino-americana; Redes de culturas das instituições públicas de ensino superior: fóruns e políticas, são algumas das discussões programadas.

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Adriana Melo Santos é professora do curso de turismo no campus Salvador

Para a professora Adriana Santos, a construção coletiva de conhecimento entre as(os) pesquisadoras(es) das instituições será enriquecedora. “O olhar multidisciplinar das experiências interinstitucionais nos oportuniza refletir e difundir o conhecimento na sociedade, além de fortalecer as redes de aprendizagem colaborativa”, afirma. Formada em turismo e mestre em desenvolvimento regional e meio ambiente, Adriana é recém-chegada ao campus Salvador. Anteriormente, atuou na unidade de Valença, onde assumiu a coordenação do curso técnico em guia de turismo. Consta ainda no seu currículo, um projeto voltado à comunidade indígena Aldeia Pé do Monte, em Teixeira de Freitas, que aliou pesquisa e extensão. Atualmente, leciona nos cursos subsequente de hospedagem e superior em tecnologia de eventos, é conselheira titular do Conselho de Turismo de Lauro de Freitas e planeja desenvolver um projeto com a Secretaria de Turismo de Lauro de Freitas que articule educação e turismo.

Na mesa coordenada, Adriana compartilhará o trabalho “Aspectos da visitação turística na Reserva Indígena Pataxó da Jaqueira no contexto da Covid-19”, desenvolvido a partir do seu objeto de estudo no Doutorado em Difusão do Conhecimento (DMMDC), coordenado pelo IFBA e que funciona como uma rede associativa com outras cinco instituições de ensino superior (Ufba, Uneb, Uefs, Senai-Cimatec e o LNCC - vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações-). “Buscarei refletir acerca da visitação turística na comunidade, contextualizando sua adaptação aos protocolos de segurança para a prevenção da Covid-19, além de evidenciar a necessária implementação e avaliação de práticas de cuidados por parte das comunidades indígenas atuantes no setor turístico, de modo a nortear suas ações considerando todos os protocolos sanitários e o distanciamento social”, conta.

Adriana participará também, como colaboradora da Campanha Abraço Solidário na Cultura, que visa à arrecadação de fundos para auxiliar profissionais da área cultural impactados pelos prejuízos decorrentes da Covid-19 e colaborar com 55 famílias da Aldeia Pataxó Thag’ru Mirawê, localizada em Santa Cruz de Cabrália, castigada pela pandemia devido à falta de recursos e a impossibilidade de receber visitantes em suas terras, cuja principal fonte de renda é o turismo.

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Ricardo Mendes é professor de cursos integrados e da Linter, no campus Porto Seguro

Também doutorando do DMMDC e mestre em avaliação nas atividades físicas e desportivas, Ricardo Mendes fará uma exposição sobre “Povos originários do Extremo Sul da Bahia: resistência e desenvolvimento sustentável”. A pesquisa do docente tem a cultura dos povos indígenas Pataxó como ponto de convergência com o trabalho de Adriana. “Essas discussões pretendem reforçar a necessidade da valorização da diversidade cultural encontrada nas comunidades tradicionais, a qual é baseada na cultura nacional em seus mais variados contextos”, esclarece Mendes.

Morador da região dos Pataxó, Mendes possui licenciatura e bacharelado em educação física, sendo, desde 2010, professor dos indígenas na Licenciatura Intercultural Indígena (LINTER), em Porto Seguro.  Para o debate da mesa, pretende apresentar o artesanato indígena como “elemento de proteção cultural e geração de renda, como forma de minimização dos prejuízos da diminuição das terras originalmente pertencentes aos povos tradicionais, bem como a não demarcação das hoje existentes”, destaca.

NOVOS SABERES PARA O AMADURECIMENTO, SISTEMATIZAÇÃO E DIFUSÃO DA ARTE E CULTURA NO IFBA

Em 2020, a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) do IFBA lançou o edital de fomento para atender às comunidades tradicionais, quilombolas e vulneráveis, englobando iniciativas nas áreas de arte e cultura. Segundo Soraia Brito, chefe do Departamento de Ações Culturais, Esporte e Lazer (Dacel), a expectativa é de que, havendo recursos, o edital seja continuado até o final da gestão. A edição 2021 está prevista para esse mês de julho.

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Soraia Brito é professora do IFBA e chefe do Dacel, na Pró-Reitoria de Extensão

Mestre em Ciências Sociais, a docente destaca o papel do eixo arte e cultura para o fortalecimento da relação do IFBA com a comunidade e no desenvolvimento das tecnologias sociais. Nesse sentido, considera a Política de Arte e cultura e o Plano decenal de Arte e cultura do IFBA, submetidos à consulta pública no último mês de junho, documentos cruciais para que as ações no Instituto sejam estruturadas e sistematizadas. A política e o plano foram elaborados pelo Dacel e uma comissão multicampi. Seus eixos contemplam o fomento, a produção, difusão e memória, tendo como princípios: a diversidade das expressões culturais, o compromisso com o combate à desigualdade cultural, social, econômica, racial, de gênero e educacional, a valorização e o respeito aos direitos humanos, à diversidade cultural, étnica, social, regional, histórica e aos movimentos de desenvolvimento social, dentre outros.

Para Soraia, os projetos da professora Adriana e do professor Ricardo se relacionam profundamente com as ações e o escopo do Dacel, uma vez que as iniciativas do setor nesse campo têm como uma de suas diretrizes o reconhecimento da diversidade étnica do estado da Bahia como fundamento e horizonte para promoção de ações culturais, artísticas, interculturais e plurais, priorizando as comunidades em vulnerabilidade social.

A chefe do Dacel acredita que a participação em encontros de intercâmbio de experiências de pesquisa, ensino e extensão e de produção de arte e cultura, como o Enecult, são fundamentais para o amadurecimento do IFBA como instituição de referência na área, que possui uma produção robusta e atuação intensa, porém ainda caminha para a sistematização, difusão, reconhecimento e regulamentação da área. “Acessar as múltiplas experiências nos permite refletir sobre nós mesmos, atentos a nossas especificidades, mas articulados com os saberes já desenvolvidos pelas demais instituições. E esses espaços de trocas, como o Enecult só favorecem o crescimento institucional, que implica, consequentemente, em uma melhor atuação no cumprimento do seu compromisso social de atendimento à comunidade. E a instituição “viva”, que se movimenta e faz movimentar é feita por servidores e discentes que vivenciam essas experiências e trazem novos saberes e fazeres para a instituição, complementa”.

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