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Ano letivo será iniciado com atividades não presenciais

Por Helen Sampaio e Iali Moradillo

O segundo ciclo de Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais (Aenpe) terá início entre fevereiro e março nos 22 campi do IFBA, de acordo com calendários específicos em cada unidade. Entre expectativas e incertezas sobre o fim da pandemia, novos desafios se consolidam para a comunidade acadêmica da instituição.
publicado: 29/01/2021 07h47, última modificação: 12/02/2021 17h42

Calendários dos campi para 2021
Calendário dos campi para 2021 - Aenpe

Até março as Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais (Aenpe) serão iniciadas em todos os 22 campi do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), de acordo com calendário específico de cada unidade. Quatorze campi já têm datas definidas para iniciar o ano letivo por meio das Aenpe. A autorização para retomada das atividades, referentes tanto ao ano letivo suspenso em 2020 quanto ao de 2021, se deu a partir da publicação da Resolução nº30 do Conselho Superior (Consup), que estabelece parâmetros e diretrizes para as atividades de ensino não presencial, enquanto durar a situação de pandemia da Covid-19.

Com a publicação do documento, teve início o gerenciamento, o acompanhamento e a orientação desse processo pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen), com apreciação ainda em curso dos calendários, por meio do Departamento de Assuntos Acadêmicos, uma vez que os campi têm o dia 12 de fevereiro como prazo final para envio das informações relativas aos calendários. Posteriormente, também haverá apreciação da Câmara de Ensino do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), para garantia da conformidade com os processos de gestão acadêmica.

De acordo com os departamentos de ensino, os campi estão trabalhando nas definições locais. Feira de Santana, Paulo Afonso, Irecê, Juazeiro e Santo Amaro estão na lista dos que de detiveram na conclusão do ano de 2020. Brumado, Ilhéus, Jequié, Lauro de Freitas, Simões Filho e Valença ainda irão definir seus calendários, assim como Camaçari, que está aguardando a finalização do calendário referente ao ano de 2020, suspenso no último dia 16 de março e Santo Antônio de Jesus, que concluiu 2020 e ainda não tem datas para 2021.

A coexistência de calendários diversos é uma realidade no IFBA, em virtude de ser uma instituição multicampi e da autonomia conferida às unidades para tomada de decisões locais específicas. Entretanto, com a implantação das Aenpe, esse quadro ganhou novos realces. “Um dos nossos maiores desafios frente à gestão do ensino no IFBA é o tamanho da nossa instituição, espalhada em vários territórios da Bahia, um Estado de grande extensão territorial, com especificidades e peculiaridades que precisam ser respeitadas, ao mesmo tempo, que a concepção de educação da instituição seja assegurada. Nesse sentido, destacamos a governança democrática, participativa, dialógica e transparente implementada pela Proen [Pró-Reitoria de Ensino], desde que assumimos a gestão do IFBA, e que tem nos guiado nesse processo adverso, porque se trata de um princípio dessa gestão”, disse a pró-reitora de ensino em exercício, Flaviane Nascimento.

O reitor em exercício, Jancarlos Lapa, ressalta que experiência vivida pela Instituição no ano passado, com o processo de adoção das Aenpe, contribuiu decisivamente para credenciar a Instituição a gerir e implementar as atividades não presenciais de forma “segura e mais efetiva” em 2021.

DESAFIOS, SEGURANÇA E NOVOS HORIZONTES - A pró-reitora em exercício mencionou ainda para onde as atenções da Proen estarão voltadas no segundo ciclo de Aenpe. “Começamos o ano civil de 2021 com a expectativa e o desafio da curricularização das Aenpe num cenário de maior adaptação a esse contexto, com as comunidades fazendo uma gestão curricular adequada a essa circunstância, inventivas e criativas, quiçá, construindo novos espaços de reflexões efetivas sobre a função social do IFBA e sobre o ensino integrado, cuja especificidade nos impõe desafios importantes frente à nossa formação, sobre a prática da interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, que devem nos guiar para uma prática e aprendizagens significativas em todos os níveis e modalidades de ensino que ofertamos”, enfatizou.  

Flaviane destacou também a preocupação em “continuar assegurando” os processos de acolhimento que “já existem nos campi e que buscamos acompanhar”, assim como a efetividade das ações de inclusão digital para garantir condições de participação e acompanhamento das atividades a todos (as) estudantes. 

Flaviane Nascimento (pró-reitora de ensino em exercício), Jancarlos Lapa (reitor em exercício), Adriana Santos, professora do campus Juazeiro e uma de suas aulas remotas de Sociologia, em 2020
Flaviane Nascimento (pró-reitora de ensino em exercício), Jancarlos Lapa (reitor em exercício), Adriana Santos, professora do campus Juazeiro e uma de suas aulas remotas de Sociologia, em 2020

Desde a implantação das Aenpe em 2020, docentes, técnicos-administrativos e estudantes do IFBA enfrentaram muitos desafios, a fim de suprir as lacunas que a impossibilidade das atividades presenciais deixou. Mais horas de planejamento, pesquisa e estudo de formas para possibilitar a participação dos (as) estudantes, além do gasto eventual em equipamentos e serviços de internet que garantissem as transmissões on-line e, em alguns casos, também o uso simultâneo com os (as) filhos (as), que assistiam às aulas nos mesmos horários de expediente dos servidores, como recorda a docente de sociologia dos cursos integrado e subsequente do campus Juazeiro, Adriana Santos. “Estou com muitos planos porque a experiência prévia no final de 2020 abriu novos horizontes, pude aprender muito e, embora cada grupo tenha a sua dinâmica própria e o processo de aprendizagem seja interminável, já não vou chegar tão inexperiente e isso me permite arriscar o novo com um pouco mais de precisão quanto à receptividade e os resultados que posso alcançar”, confidenciou como uma grande expectativa para o novo ano letivo.

Entre os novos desafios, a professora destaca a maior atenção à modalidade subsequente, que representou uma adesão pequena em relação ao integrado; maior participação e interação dos estudantes nas aulas, já que muitos acabam não ligando as câmeras, o que, segundo Adriana, tem deixado os professores inseguros sobre a compreensão do conteúdo; maior oferta de disciplinas “para tentar diminuir o fosso do descompasso dos nossos calendários com as demais escolas”; e uma intervenção mais efetiva da assistência estudantil nos casos de alunos que tiveram que iniciar atividades sub-remuneradas para contribuírem com suas famílias. “É um desafio para a assistência estudantil, que precisa olhar para esses (as) alunos (as) para que retomem as atividades escolares e façam as Aenpe ainda que não sejam obrigatórias, porque futuramente será um problema para o IFBA ofertar tantas disciplinas e articular quantidade de aulas dos (as) professores (as), espaço físico e os protocolos de segurança que ainda devem perdurar por bom tempo”, alertou. A Pró-Reitoria de Ensino (Proen) esclarece que, em 2021, as Aenpe serão curriculares e todos (as) estudantes devem se matricular nos componentes curriculares ofertados.

Como “trocar os pneus do carro com ele em movimento”, assim o professor do subsequente e coordenador do curso técnico em edificações do campus Ilhéus, Everton da Silva, definiu a experiência com as Aenpe em 2020. Para ele, a hora é de aperfeiçoar os aprendizados e promover melhorias para manter a qualidade do ensino ofertado pelo IFBA. “O momento ainda é muito difícil, estamos todos sofrendo com as consequências da Covid-19, colegas nossos foram acometidos pela doença e, infelizmente, tivemos perda de familiares de alguns de nossos alunos. Por isso, temos que continuar com todos os cuidados possíveis enquanto a maior parte da população ainda não estiver vacinada. Estamos planejando o retorno das Aenpe, considerando já todo o aprendizado obtido em 2020 e buscando atender a todos os nossos alunos”, frisou. O campus adotou o formato de teia multidisciplinar, a partir de discussões que envolveram todos os servidores da unidade.  “As teias, formadas por quatro docentes e duas turmas, trabalharam projetos multidisciplinares em substituição ao formato disciplinar tradicional. Por exemplo, no curso técnico em edificações uma teia utilizou a construção da primeira ponte estaiada da Bahia, localizada em Ilhéus, para tratar aspectos de engenharia, arquitetura e suas consequências na economia, meio ambiente e qualidade de vida urbana. Outra teia se dedicou à elaboração de projetos de edificações, simulando uma aprovação, por parte da prefeitura, para se obter o Alvará de Construção - algo que foi muito enaltecido pelos alunos. O grande desafio para 2021 é conseguir atender adequadamente aos projetos pedagógicos dos cursos, pois ainda não sabemos quando será possível retornarmos presencialmente”, afirmou.

Everton da Silva, coordenador do curso de edificações e uma de suas aulas virtuais com a professora Maria Lídice Marques; Bruna Rehem, professora e coordenadora de pesquisa e extensão em Ilhéus e uma de suas atividades lúdicas realizadas em 2020 com os estudantes
Everton da Silva, coordenador do curso de edificações e uma de suas aulas virtuais com a professora Maria Lidiane Marques; Bruna Rehem, professora e coordenadora de pesquisa e extensão em Ilhéus e uma de suas atividades lúdicas realizadas em 2020 com os estudantes

PESQUISA, INICIAÇÃO CIENTÍFICA E ATIVIDADES PRÁTICAS - Para a professora do campus Ilhéus, e coordenadora de pesquisa e extensão, Bruna Rehem, “Nas atividades de pesquisa, houve uma maior valorização da pesquisa/levantamento bibliográficos, uso de ferramentas digitais como formulários para a realização de alguns levantamentos de dados para pesquisa, realização de lives para promover uma maior divulgação científica e popularização da ciência, uma maior demanda pelo uso de simuladores e softwares computacionais, pois estas atividades podem ser realizadas de casa mesmo. Inclusive, o número de propostas de projetos de iniciação científica em nosso campus, que no ano de 2020 aumentou cerca de 40% em relação ao ano anterior. E esse aumento foi verificado também em relação às atividades de extensão, principalmente ofertadas na forma de eventos ou cursos ou oficinas ou lives ou atuação em ações comunitárias ligadas à Covid-19”, relatou.

O professor Rhuan Carvalho, dos cursos integrados do campus Paulo Afonso, concorda que a mudança do ambiente escolar para o domiciliar gerou dificuldades, tanto para os professores quanto para os estudantes.  “Ter a residência como ambiente de trabalho não é fácil, ainda mais, em um período de distanciamento social. Um tempo elevado de tela gera consequências negativas, tanto físicas quanto psicológicas, e, essa foi uma grande preocupação. O tempo reduzido para aulas tornou-se uma realidade, assim como a necessidade de replanejamento das abordagens e temas trabalhados”. O professor ressaltou ainda que um dos grandes desafios foi a realização das atividades práticas, que exigiu muita criatividade dos envolvidos. “Habituados aos laboratórios, docentes e discentes se reinventaram e se valeram de simuladores e/ou experimentos simultâneos com produtos caseiros”. Apesar dos contratempos, Rhuan acredita que o saldo foi positivo, houve aprendizagem e há motivação para um novo ano letivo, ainda que não presencial.

Rhuan Carvalho e Otoni da Silva, ambos professores em Paulo Afonso e uma das atividades realizadas por Otoni
Rhuan Carvalho e Otoni da Silva, ambos professores em Paulo Afonso e uma das atividades realizadas por Otoni

“Fica para 2021 a certeza que é preciso buscar inovações cotidianamente a fim de envolver o discente e fazê-los permanecerem dispostos durante todo o processo de aprendizagem”, afirma Otoni Jader Silva, também professor do campus Paulo Afonso (integrado e subsequente). Ele compreende a ansiedade gerada pelo momento, mas acredita que as Aenpe são a solução para manter as atividades acadêmicas em funcionamento e a segurança sanitária que o momento exige.  “Acredito que as Aenpe são a melhor alternativa diante da crise sanitária e também a única forma de mantermos nossa missão institucional de responsabilidade com a sociedade. O momento é extremamente desafiador tanto para os profissionais de ensino quanto para os estudantes, inclusive fazê-los compreender que este é o meio mais eficaz diante de tamanha excepcionalidade é diuturnamente nosso papel”, informou. Para Otoni, as Aenpe obrigam a repensar a forma de ensino e podem ser um legado interessante para os próximos anos. “Creio que esta nova forma de ensinar, após cessada a crise pandêmica, deixará uma herança positiva, sobretudo para os campi que adotarem a forma híbrida, em especial, nos municípios menores com dificuldade de acesso ao campus”, refletiu.

AENPE, SOB A ÓTICA DOS (AS) ESTUDANTES

Estudantes compartilham do pensamento de que, nesse momento atípico, as Aenpe são a opção mais segura, porém não deixam de criar expectativas em um retorno presencial. Victor Queirós, 18 anos, que cursa o integrado em edificações, no campus Salvador, e é diretor social do grêmio Denilson Vasconcelos (Gestão Avante), estuda uma nova reestruturação da rotina em casa. “Esse retorno para 2021 tem me deixado bastante empolgado com a possibilidade de estar perto dos meus colegas e docentes (mesmo que a distância), tendo em vista que o primeiro contato durou bem menos tempo por ter menos matérias. Acho que o meu maior desafio para esse retorno agora em 2021 é conciliar a rotina que criei com os estudos. Precisarei reestruturar tudo e me adaptar novamente a esse novo contexto”.

Na reta final do curso integrado de metalurgia do campus Simões Filho, Monique Aisha, 17 anos tem uma preocupação adicional com esse cenário de incertezas. “É muito angustiante você não saber quando irá se formar. Mas torço para que voltem logo (as aulas presenciais) pois, com isso, creio eu que tudo relacionado aos nossos estudos irá voltar ao normal. Com o ensino a distância, nós não temos como cumprir nossa carga horária e muito menos concluir o ano letivo. Esse novo formato modificou demais o ensino. Os professores dão aulas juntos e, consequentemente, são duas matérias para um horário (em média duas horas de aula). Mas sei que é o melhor para todos devido a nem todo mundo ter o suporte necessário para assistir às aulas”, desabafou.

Estudantes: Victor Queirós (Salvador), Monique Aisha (Simões Filho), Adriele Alves (Salvador) e Alan Nascimento (SAJ)
Estudantes: Victor Queirós (Salvador), Monique Aisha (Simões Filho), Adriele Alves (Salvador) e Alan Nascimento (SAJ)

A apreensão de Adriele Alves, 18 anos, do curso integrado de eletrotécnica, campus Salvador, dialoga com a de Monique. “Acho que terei um déficit em questão de algumas aulas, principalmente na matéria técnica. Eu acho necessário ter tido algo como uma recapitulação, pelo fato de termos ficado muito tempo sem estudar. O que sinto em relação à aula presencial é que se for com todos os cuidados será melhor que a on-line”, contou.

Já Alan Nascimento, 28 anos, estudante do curso superior de produção multimídia, no campus Santo Antônio de Jesus, reflete sobre o momento que o país vive e o classifica como ainda “sensível e pandêmico, levando em consideração o contexto de crise política e social, no qual as desigualdades sociais estão mais que nunca escancaradas”. É sabido que muitos estudantes ficaram/ficarão excluídos do processo de educação, uma vez que não possuem acesso à internet e aparelhos tecnológicos que possibilitem participar das Aenpe. Isso ficou visível em 2020 e acredito que não será diferente em 2021”, pontou. A inclusão de estudantes é um ponto crucial para a Proen. “A nossa preocupação será com o acolhimento, sobretudo em contexto de atividades on-line, pois nossa preocupação é garantir acessibilidade e conectividade, que passa por acesso a equipamentos, internet, tecnologias assistivas, além de formações para os ambientes virtuais que os campi estão adotando”, esclareceu a pró-reitora em exercício.

PLANEJAMENTO, CAPACITAÇÃO E DIÁLOGO 

Para a professora do curso superior de engenharia de energia do campus Lauro de Freitas, Adriana Vieira, além de mais capacitações, é necessário “planejamento para que o IFBA prepare os seus profissionais não só de maneira ‘emergencial’, mas também considerando qualquer conjectura. Sobretudo, deve-se ouvir nossos estudantes em outras ‘realidades’ para compreensão de melhores práticas e melhoria das formas de colaboração e interação entre os discentes nos meios digitais”. No campus, uma pesquisa de avaliação aplicada a estudantes do ensino superior, no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA Institucional) apontou deficiência no índice de interatividade entre os/as estudantes, dos quais apenas 8% se dispõem a explicar frequentemente suas ideias aos outros participantes e 17% dos alunos às vezes pedem explicações sobre ideias e conceitos.

Com base na pesquisa, que teve como motivação a apresentação de dados à gestão, Adriana considera que “o principal desafio é potencializar o uso de meios digitais que realmente permitam a interação entre os estudantes e a continuidade das capacitações para que os servidores façam o melhor uso destes meios”. Neste aspecto, afirma, “o socioemocional também precisa ser discutido e valorizado, considerando que, na pesquisa, no quesito apoio entre os colegas, existiram variações entre as respostas apresentando baixa frequência de elogio e estima às contribuições”. A docente comenta ainda que “sem nenhum tipo de análise mais aprofundada, a afirmação [manifestada na pesquisa com estudantes] de que ‘o ensino remoto é mais fácil e que passa todo mundo’ pode se configurar como frágil e até perigosa e nisso surge ainda a reflexão sobre a necessidade de medidas que façam com que os estudantes não desistam logo no início ou dos componentes curriculares”.                                                      

Adriana Vieira, professora em Lauro de Freitas e as pedagogas Shirley de Souza e Indaira Silva
Adriana Vieira, professora em Lauro de Freitas e as pedagogas Shirley de Souza e Indaira Silva

SAÚDE MENTAL, INDISPENSÁVEL - É senso comum que a complexidade do momento exige atenção e cuidado não apenas com a saúde física, mas também mental. Por isso, a pedagoga e chefe do Departamento de Apoio ao Ensino-Aprendizagem (Depae), do campus Barreiras, Shirley de Souza, elegeu como desafio para 2021 “garantir as condições materiais e emocionais de desenvolvimento dos processos de ensino-aprendizagem para estudantes e servidores/as, de modo a manter a qualidade dos serviços públicos oferecidos pelo IFBA, a acessibilidade nos processos pedagógicos, além de reduzir a evasão de estudantes”. A profissional acredita que é possível que algumas experiências adquiridas no ensino remoto sejam incorporadas nos processos de ensino, pesquisa e extensão, no pós-pandemia, além dos processos de trocas de conhecimentos e experiências entre os campi e profissionais de áreas diversas. “Mesmo sabendo que ainda não temos as condições ideais para a promoção de cursos na forma não presencial, sabemos que avançamos muito e devemos isso ao trabalho colaborativo de toda a comunidade IFBA. No que tange às pedagogas e pedagogos do IFBA, conseguimos realizar momentos de estudos, debate sobre a nossa atuação e a criação de um coletivo da categoria que já tem algumas atividades planejadas para o ano de 2021”, declarou.

O coletivo das Pedagogas e Pedagogos do IFBA conta também com a participação de Indaiara Silva, do campus Jacobina, que defende que "as Aenpe 21 não podem ser pensadas sem o acolhimento institucional das demandas profissionais específicas criadas em função do trabalho remoto na pandemia, como: equipamentos de trabalho adequado ao home office; suporte tecnológico; carga horária diferenciada, principalmente para as mulheres que, em sua maioria, além das atividades laborais, estão acumulando os trabalhos domésticos e os cuidados com crianças e familiares; uma atenção especial para a necessidade de contribuir na produção da saúde mental de discentes e servidores (as)”.

Para Indaiara, na perspectiva pedagógica, em um contexto de pandemia, as Aenpe possibilitaram: a manutenção do processo educativo na pesquisa, no ensino e na extensão; o acompanhamento pedagógico e a assistência estudantil em um momento de empobrecimento e fragilização das famílias; e a manutenção dos vínculos entre a instituição e a comunidade acadêmica e regional. “Mostra-se um enorme desafio institucional construir um projeto de educação híbrida no IFBA, assumindo a metapresencialidade como potência criativa e formativa e não como substituta da presencialidade. Abarca esse desafio, a estruturação tecnológica do Instituto, o fomento a uma educação mais criativa e interativa, com currículos que se abram às necessidades e expectativas formativas das comunidades do seu entorno”, concluiu.

SOBRE POSSIBILIDADE DE RETORNO ÀS ATIVIDADES PRESENCIAIS

No último dia 25, a Pró-Reitoria de Ensino (Proen) publicou uma nota pública informando que, apesar da Portaria nº 1.096 do Ministério de Educação determinar o retorno às atividades presenciais em 1° de março, a Resolução Consup/IFBA nº. 30, de 23 de dezembro de 2020, “estabelece parâmetros e diretrizes para as atividades de ensino não presencial, enquanto durar a situação de pandemia da Covid-19 e as condições sanitárias locais que tragam riscos à segurança das atividades letivas presenciais. Portanto, o retorno às atividades presenciais do IFBA deve respeitar nova resolução do Conselho Superior, que levará em consideração as condições sanitárias, priorizando a saúde e bem-estar da comunidade e familiares”. Em síntese: não há previsão para retorno presencial.