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Sociólogo do IFBA aborda Guerra do Paraguai sob perspectiva inédita em evento da Universidade Nacional de Assunção

por Helen Sampaio publicado: 02/07/2020 18h17, última modificação: 03/07/2020 12h11

Professor Luciano de Medeiros - Barreiras - Guerra do Paraguai
Arquivo pessoal

Destaque em pesquisa científica e produções tecnológicas, nacional e internacionalmente, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) ensaia voos significativos na área de Ciências Sociais. Esse avanço é resultado da promoção de uma nova frente de debate sobre a Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre os anos 1864 e 1870, e que ficou conhecida como o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul, travado pelo Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai.  A nova perspectiva de análise do fenômeno foi apresentada pelo professor do campus Barreiras, Luciano Silva de Medeiros em uma webconferência sobre a Guerra do Paraguai para historiadores da Universidade Nacional de Assunção (UNA), realizada no último dia 23. A web fez parte do ciclo "Reflexiones en tiempos de pandemia", criado como um espaço para discussões de diferentes temáticas pertinentes às Ciências Sociais e humanidades, no contexto atual.

O convite para a participação na conferência, que reuniu historiadores brasileiros, paraguaios, argentinos e uruguaios, surgiu em alusão aos 150 anos do fim da Guerra do Paraguai. Medeiros promoveu um debate focado na ideia de que a Guerra pode ser interpretada à luz da Teoria da Dependência – que aborda o desenvolvimento e subdesenvolvimento dependente dos países latino-americanos em relação aos do hemisfério norte - e do capítulo “A chamada acumulação original”, do livro “O Capital”, do filósofo Karl Marx - cuja obra estabeleceu as bases para o entendimento do trabalho e sua relação com o capital. O sociólogo sustentou que a região da bacia do Rio da Prata, onde se localizam Argentina, Paraguai, Brasil e Uruguai, entrou na guerra em decorrência “do passado colonial que legou a todos os países uma economia de enclave e um colonialismo interno”.

Para o professor, a webconferência teve sua importância na possibilidade de unificação das Ciências Sociais na América do Sul. “Há uma necessidade do encontro de sociólogos e historiadores paraguaios, brasileiros, argentinos e uruguaios para o debate das diferentes visões sobre este conflito, facilitadas hoje pela internet. Há muita mágoa do Paraguai em relação ao Brasil e a Argentina, por causa do holocausto que foi para os paraguaios esse conflito. Eles perderam 70% da sua população e quase metade do seu território, após o fim dessa guerra”, destaca.

A familiaridade com o tema de estudo surgiu quando Medeiros ainda era criança e residia no estado do Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com o Paraguai. Suas percepções iniciais estiveram baseadas nas relações familiares, já que seu pai foi militar e serviu na fronteira, e nos impactos que a Guerra causou ao imaginário da região, inclusive com a criação de uma lenda local “Plata yvyguy” sobre o suposto enterro de uma grande quantidade de ouro pelo então presidente do Paraguai, Francisco Solano López, que havia fugido da capital do país.

Medeiros, que é professor de Sociologia do IFBA, desde o ano de 2013, possui mestrado na área pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Atualmente, está montando um grupo com pesquisadores da UNA para produção de pesquisas sobre a Teoria da Dependência. Além disso, pleiteia a assinatura de um convênio de cooperação entre o IFBA e a universidade, por tratar-se da maior do Paraguai, o que, segundo o pesquisador, pode promover um enriquecimento em diversas áreas de conhecimento para ambas as instituições. “Os pesquisadores do Paraguai desconheciam a bibliografia de Ciências Sociais do Brasil, como Florestan Fernandes e a escola de sociologia que ele inaugurou: um marxismo aplicado ao estudo do capitalismo na América do Sul”, pontua o pesquisador, que foi convidado para mais uma rodada de palestras na mesma universidade, tendo em vista o ineditismo da abordagem.

Acesse a webconferência.