Professor do IFBA assina artigo publicado pelo Estadão sobre enfrentamento da pandemia da covid-19
O professor Francesco Bonelli, do Campus Avançado de Ubaitada , é co-autor de artigo publicado no Estadão no último dia 20. Institulado ‘A Covid-19 no Brasil e no mundo - a relação entre a responsabilidade dos governos e a responsabilidade dos cidadãos’, o texto foi escrito por Bonelli em parceria com os professores Antônio Sérgio Fernandes, da Universidade Federal da Bahia, e Flávio Santos Fontanelli, doutor em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
No artigo, os autores apresentam dados sobre o crescimento da “taxa de reprodução de contágio” da covid-19 em países europeus (como Alemanha, França e Espanha), asiáticos (China, epicentro da pandemia) e da América do Sul, como o Brasil, Bolívia, Chile e Argentina. As estatísticas apresentadas e as características sociais, econômicas e políticas dos países às quais elas estão associadas são pilares da análise feita pelos três pesquisadores sobre a relação entre o crescimento do número de casos de covid-19 e mortes decorrentes da doença, as medidas adotadas pelos governos desses países convergentes com as recomendações da OMS e o comportamento da população de obedecer as determinações governamentais de enfrentamento à pandemia.

Uma das conclusões dos autores é que, com o passar do tempo, há uma tendência de afrouxamento, por parte da população, no cumprimento das medidas de isolamento e distanciamento social, ainda que as pessoas tenham consciência do risco que correm em descumprir as restrições ao convívio social nos moldes pré-pandemia.
“O fato é que mesmo sendo os Governos nacionais e/ou subnacionais responsáveis e demonstrando capacidade gerencial para combater a COVID-19, depois de certo tempo, a população parece não suportar mais as medidas de isolamento e distanciamento sociais, mesmo sabendo que correm risco”, afirmam os autores do artigo. Eles apontam fatores econômicos como uma das causas do comportamento de relaxamento por parte da população e de flexibilização por parte dos governos. “Os comerciantes e prestadores de serviço ante a crise, pressionam os governos, as pessoas, ante a possibilidade de desemprego, sucumbem, desafiando a racionalidade, e não colaborando com os protocolos criados, mesmo em nações em que os estados desembolsaram muitos recursos em auxílio econômico às pessoas e às empresas, sobretudo as pequenas e microempresas”.
O texto de co-autoria do professor Bonelli traz uma análise contundente sobre o caso do Brasil e da forma como o governo federal e os estados têm gerido a crise de saúde pública frente à pandemia da Covid-19 e aponta para uma perspectiva de futuro pouco animadora, entre outras razões pelos “efeitos morbidamente anestésicos da banalização da morte”.
“Multiplicam-se as evidências de comportamentos passivos, pouco cooperativos ou potencialmente nocivos de um volume crescente da população, com aglomerações nos shoppings e nas calçadas de bares e restaurantes após a reabertura desses locais nas maiores cidades brasileiras. As explicações disso podem ser diversas: oportunismo e descrença nos reais riscos associados a um possível contágio, especialmente por parte dos mais jovens (os quais, especialmente quando assintomáticos, podem se tornar uma séria ameaça para seus familiares idosos ou com comorbidades); perplexidade diante das declarações discordantes dos gestores públicos das diversas esferas do estado; confusão pela quantidade grande de regras e protocolos adotados nas diversas fases de reabertura (com variações entre diferentes municípios do mesmo estado); efeitos perversos da proliferação de fake news; e efeitos morbidamente anestésicos da banalização da morte”, afirmam os autores.
Para conferir a íntegra do artigo, clique aqui.
AUDIÊNCIA DO ESTADÃO - Segundo dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), no primeiro trimestre de 2020 houve um crescimento da circulação digital dos maiores jornais do Brasil. Matéria da publicação especializada Meio & Mensagem, dados do IVC indicam que “a média da circulação digital de Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo e Valor Econômico aumentou em relação ao primeiro trimestre de 2019”. No caso do Estadão, a circulação digital passou de 138.206, nos três primeiros meses de 2019, para 148.419, no primeiro trimestre deste ano. Em junho, o periódico paulista assumiu a liderança de vendas entre os jornais impressos, ainda de acordo com o IVC.

