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Laboratórios IFMaker dos campi Salvador, Eunápolis e Santo Amaro devem entrar em operação no início de 2021

Recursos tecnológicos vão possibilitar que estudantes construam robôs, desenvolvam e produzam softwares, próteses e órteses, criem equipamentos de proteção como protetores faciais (face shields), entre outros.
por Bárbara Souza publicado: 16/09/2020 09h51, última modificação: 16/09/2020 14h56

A boa notícia veio no final de agosto: a Proposta Institucional do Instituto Federal da Bahia que concorreu nacionalmente ao Edital nº 35/2020 da Setec/MEC foi aprovada.  O edital para seleção de projetos voltados à criação dos Laboratórios IFMaker possibilita a construção de aproximadamente 113 laboratórios de prototipagem em 41 instituições que compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, entre elas o IFBA.

De acordo com informações da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPGI), responsável pela elaboração da proposta institucional apresentada, com os recursos que o IFBA receberá, serão instalados laboratórios IFMaker nos campi Salvador, Santo Amaro e Eunápolis, que tiveram seus subprojetos aprovados no Edital nº 12/2020/PRPGI/IFBA para seleção interna de projetos Maker. A proposta do campus Salvador foi feita em parceria com o campus Simões Filho.

Cada campus concorreu a um kit de equipamentos que irão compor um Lab Maker. Entre os equipamentos que compõem o kit a ser fornecido pelo MEC estão: kits de robótica e de eletrônica, impressoras 3d, computadores, canetas 3D, cortadoras a laser e scanner 3D.

O pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação do IFBA, Jancarlos Lapa, explicou que “o IFMaker é um edital de equipamentos, baseado no ensino Maker que visa a auxiliar os professores e técnicos-administrativos em educação no desenvolvimento da cultura learning by doing, levando-os a refletir sobre o uso da Aprendizagem Baseada em Projetos e sobre como ela pode ser utilizada nestes espaços como suporte ao processo de ensino-aprendizagem de todas as áreas do conhecimento”.

“REVOLUÇÃO”, ROBÔS E TECNOLOGIA ASSISTIVA - O professor Flávio Costa, titular da Coordenação de Extensão do Campus Eunápolis e responsável pela coordenação do Laboratório IFMaker que será instalado na unidade, considera que os equipamentos “revolucionarão o ambiente de ensino do IFBA campus Eunápolis”, a partir de um “um novo conceito de recurso didático, que torna o aprendizado mais interativo e dinâmico, otimizando o papel do professor”. Na visão de Flávio, com essas ferramentas os estudantes poderão tomar iniciativas de seus próprios projetos e irão “aprender fazendo, literalmente colocando a mão na massa”. Para o professor, a aplicação do ensino Maker pela equipe gestora do Laboratório e a disponibilidade de equipamentos vão contribuir para “atiçar a curiosidade dos estudantes, desenvolver habilidades e inspirar iniciativas de aprendizado”.

Entre os recursos tecnológicos que devem compor o laboratório do Campus Eunápolis está o Kit Lego Mindstorms Education EV3, que “motivará os estudantes a desenvolverem, construírem e programarem robôs usando motores, sensores, engrenagens, rodas, eixos e outros componentes, para que tenham uma melhor compreensão de como a tecnologia funciona nas aplicações do dia a dia”. A lista de equipamentos inclui impressoras 3D, que possibilitam a criação de objetos físicos com rapidez e precisão a partir de um modelo digital (tridimensional) no computador, e scanner 3D, aparelho capaz de analisar um objeto já existente e transformá-lo num modelo digital, o que reduz o tempo gasto com a modelagem.

“Nosso objetivo é realizar diversas atividades com os equipamentos que teremos no Lab IFMaker Santo Amaro. Inicialmente, estão previstas entregas inéditas e inovadoras”, declara o professor doutor Thiago Mendes, coordenador do laboratório do Campus Santo Amaro. Ele cita entre as inovações a criação de Tecnologia Assistiva (TA), “como softwares, objetos de aprendizagem, equipamentos, próteses e órteses no escopo do projeto E-NABLE Brasil” e a criação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de saúde e segurança do trabalho, feirantes e trabalhadores de serviços essenciais do setor público, como por exemplo, protetores faciais (face shields), de acordo com especificações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), “clipes aliviadores de pressão nas orelhas, prototipação e produção de oxímetros digitais e de pulso com kits Arduino”, além de aplicativos para respiradores CPAP adaptados para o tratamento da Covid-19. “Além disso, essas entregas já estão em execução pelo projeto “Máscaras Solidárias”, no combate à Covid-19, com cooperativas de costureiras locais”, completa.

O professor Thiago Mendes fala com entusiasmo sobre as possibilidades de inovação e criação trazidas com a implantação do Lab IFMaker. Segundo ele, o advento do IFMaker vai possibilitar uma “transformação social, cultural e tecnológica” em que os estudantes se apropriem das técnicas e se tornem “produtores de tecnologia e não apenas consumidores, com repercussões na vida cultural, educacional e arranjos produtivos locais”.  Isso porque será possível uma articulação entre os estudantes que estão no Ensino Médio integrado de Informática, Eletromecânica, Segurança do Trabalho (modalidade EJA) e o curso de Licenciatura em Computação, a partir de grupos de trabalho em conjunto, o que vai fortalecer “os diversos projetos de ensino, pesquisa e extensão” que são realizados pelos diferentes grupos de pesquisas já existentes no Campus Santo Amaro.

O pró-reitor Jancarlos Lapa destaca que a ideia dos IFMakers é disseminar os princípios do ensino Maker, baseado em um tipo de metodologia ativa denominada Aprendizagem Baseada em Projetos, que tem o estudante como protagonista no processo de ensino-aprendizagem. “Nesse sentido os Laboratórios [IFMaker] se propõem a auxiliar professores e técnicos administrativos em educação no desenvolvimento da cultura learning by doing  (aprender fazendo), a partir de projetos desenvolvidos com os discentes a partir do protagonismo das e dos estudantes”, explica.

PARCERIA, INOVAÇÃO E ATENDIMENTO À COMUNIDADE - Os campi Salvador e Simões Filho construíram em parceria o projeto do Lab Maker que será instalado no campus instalado na capital baiana. Liderada pela professora Andrea Bitencourt (Salvador) e professor Ramón Lemos (Simões Filho), a equipe que assina o projeto Maker que concorreu ao Edital nº 12/2020/PRPGI/IFBA contou com oito servidores(as) e nove estudantes dos dois campi. Intitulado “EduMaker: Laboratório Colaborativo de Formação e Soluções Sustentáveis Para Ecossistemas de Educação e Inovação”, o projeto prevê um espaço de 41,90m2 para instalação do laboratório, “tratamento de resíduos e rede de dados com capacidade de 10 Gbps para acesso à internet”.

A equipe gestora do Lab Maker a ser instalado no Campus Salvador contará com pesquisadores doutores e mestres em Educação, Engenharia e Difusão do Conhecimento de grupos multidisciplinares de pesquisa certificados pela PRPGI. O projeto prevê a participação da equipe gestora, de discentes e multiplicadores relacionados ao EduMaker em capacitações “promovidas pela Setec/MEC, pelo IFBA ou outras que se façam necessárias”. Também estão previstos princípios metodológicos como a multidisciplinaridade. “A multidisciplinaridade permeia habilidades e soft skils com aceleradoras de startups, laboratório maker, coworking, concursos de empreendedorismo, robótica educacional, tecnologia assistiva, formação docente e inclusão da diversidade”, detalha o projeto.

Parceiros na construção da proposta, os campi Salvador e Simões Filho oferecem educação profissional em diferentes níveis do técnico ao superior, incluindo cursos integrados ao ensino médio, subsequentes, educação de jovens e adultos (Proeja), bacharelado, engenharias, licenciaturas, graduações tecnológicas, cursos de pós-graduação lato-sensu, mestrado e doutorado. Os campi “têm histórico consistente de ações de promoção de uma formação ampla e integrada por meio de abordagem que promovem aprendizagem prática e engajada na resolução de problemas reais e que representaram impactos em diversas dimensões nas comunidades envolvidas. “Destacam-se no envolvimento com a comunidade, como por exemplo: ITCP (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares), Tecnologia Assistiva com Instituto de Cegos, Empresas Juniores e parceria com o Instituto Campus Party na organização e metodologia pedagógica dos Laboratórios Include, cujo objetivo é a implantação de laboratórios que promovem a inclusão social por meio da tecnologia em comunidades carentes”, descreve o projeto dos campi Salvador e Simões Filho.

De acordo com o texto, “o EduMaker deve integrar a pós-graduação e as licenciaturas, pretendendo ser um espaço dinâmico de disseminação da cultura maker entre discentes, docentes e a comunidade externa”. Para possibilitar o atendimento de serviços tecnológicos de potenciais demandas da comunidade externa, será viabilizada uma parceria com fundação credenciada ao IFBA, descreve o projeto.

QUANDO OS LABORATÓRIOS IFMAKER ESTARÃO FUNCIONANDO?

O professor Thiago Mendes, coordenador do Lab IFMaker do Campus Santo Amaro, explica que inicialmente a previsão para início do funcionamento do Laboratório de Prototipagem (Lab IFMaker) nos Institutos Federais é até o dia 18 de dezembro de 2020, de acordo com o Edital 35/2020, mas “houve alterações” no cronograma do edital, principalmente na publicação dos resultados finais. “Outro ponto que deve ser levado em consideração é o processo de aquisição e instalação dos equipamentos devido à pandemia da Covid-19”, ressalta. Por isso, segundo Thiago, a previsão é que a implantação do laboratório ocorra no primeiro semestre de 2021. 

O docente explica que, de acordo com o edital, o processo de implantação efetiva do laboratório envolve o cumprimento de algumas etapas, entre elas “a descentralização dos recursos financeiros nos termos do Decreto nº 6.170/2007 para os Institutos Federais” e “a aquisição de todo o mobiliário necessário para a instalação do(s) Lab IFMaker, empregando recursos próprios, de acordo com a proposta apresentada”. Cumpridos os trâmites, a instalação do Lab IFMaker “deve ser feita em no máximo quatro meses após a entrega de todos os equipamentos pelos fornecedores”.

 “Já estamos nos preparando para chegada dos materiais, vislumbrando a ampliação e integração dos projetos de ensino, pesquisa e extensão do IFBA campus Eunápolis, e ainda assim, agregar o planejamento dos cursos em seus distintos níveis (integrado e superior) com a finalidade de atender as necessidades da comunidade”, afirma o professor Flávio Costa, que vai coordenar o laboratório em Eunápolis. Ele explica que, “após a chegada dos materiais, teremos quatro meses para efetivar o Laboratório IFMaker”, e assegura que a implantação conta com “total apoio” da Direção Geral do campus firmado pelo seu termo de compromisso.

QUEM PODERÁ UTILIZAR OS LABORATÓRIOS IFMAKER?

O pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação, Jancarlos Lapa, explica que os laboratórios IFMaker que serão instalados nos campi Eunápolis, Santo Amaro e Salvador poderão ser usados por estudantes e servidores(as) de outros campi, mas a utilização requer prévia articulação com a coordenação dos respectivos laboratórios, instância à qual caberá a competência para  gerir o uso dos equipamentos. “Os IFMakers foram contemplados para serem instalados nesses campi. Entretanto, chegamos a um entendimento que outros campi podem usar as instalações dos IFMakers a partir da estrutura de funcionamento dos mesmos”, esclarece Jancarlos.

PERSPECTIVAS DE FUTURO COM O IFMAKER...

“A próxima etapa é tentar outras alternativas de fomento para implantação da cultura Maker nos campi que não foram contemplados nesse momento. Estamos em fase de estudos e já iniciamos a construção de uma proposta de IFMakers itinerantes que consigam atender a demanda dos campi por agendamento. Além disso, na fase 2 do Edital 35/2020 está prevista a ampliação dos IFMakers para 2021 com a implantação de novos subprojetos”, informa o titular da PRPGI, Jancarlos Lapa.

O professor Flávio Costa, do Campus Eunápolis, afirma que uma das articulações que também devem ser fortalecidas é a parceria do campus com a Veracel Celulose, “maior indústria da Costa do Descobrimento, que, além de absorver a mão-de-obra de estagiários, técnicos e graduados do IFBA, colabora com projetos por meio dos quais o Instituto dissemina a cultura maker na região”. Flávio relata que, através dessa cultura, o campus, por meio do projeto de extensão Eun@ Robótica, teve condições de confeccionar e doar protetores faciais (face shields) para centros de saúde de Eunápolis, de Itamaraju, e para a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), na cidade de Santa Cruz Cabrália, “respondendo, assim, às demandas sociais impostas pela pandemia do novo coronavírus". Além disso, salienta, será ampliada a viabilidade de parcerias com outros campi do IFBA, a exemplo de Porto Seguro e Ilhéus,” para fortalecer o desenvolvimento da ciência e tecnologia da instituição” por meio do Lab IFMaker.

“A interação entre a comunidade interna e externa deverá ser incentivada através da disponibilização à comunidade dos recursos tecnológicos e projetos, em cooperação com as redes de ensino, desenvolvidos no IFMaker, voltados para às demandas educacionais, culturais e tecnológicas com arranjos produtivos locais”, diz o professor Thiago Mendes, que vai liderar a equipe gestora do Lab IFMaker em Santo Amaro. Ao citar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD realizada em 2018 pelo IBGE, o docente ressalta que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade era de 0,604, “abaixo da média nacional de 0,761”, e afirma que os projetos vão contribuir para “solucionar problemas específicos da comunidade e criar soluções inovadoras, através do investimento na Cultura Maker, como forma de mudança nas desigualdades socioeconômicas de uma região carente, como Santo Amaro”