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IFBA divulga resultado da Pesquisa Institucional com docentes, estudantes e TAE

A pesquisa sobre "Educação e metodologia de ensino-aprendizagem online em tempos de quarentena" envolveu a participação da comunidade em todos os 22 campi do Instituto
por Bárbara Souza publicado: 19/05/2020 14h59, última modificação: 19/05/2020 15h41

A Pró-Reitoria de Ensino (Proen) do Instituto Federal da Bahia divulgou os resultados da pesquisa institucional sobre Educação e metodologia de ensino-aprendizagem online em tempos de quarentena.  Realizada entre abril e maio, a pesquisa envolveu os três segmentos da comunidade acadêmica: docentes, estudantes e técnicos(as) administrativos(as). Na primeira etapa, entre os dias 17 de abril e 1º de maio de 2020, foram ouvidos(as) professores(as) e estudantes  . Na segunda etapa, iniciada em 25 de abril, foi a vez dos técnicos(as) administrativos(as) em educação (TAE) participarem da consulta, concluída no último dia 11.

O pró-reitor de Ensino, Philipe Carvalho, explica que o objetivo da pesquisa institucional foi “conhecer melhor os limites e as possibilidades do uso de metodologias de ensino-aprendizagem online diante dos efeitos da pandemia da Covid-19” e que foram considerados aspectos como as condições de acesso à internet, a disponibilidade e o suporte tecnológico, a experiência e a formação pedagógica para educação a distância. Philipe ressalta que “a realização dessa pesquisa não implicará alteração e/ou suspensão da orientação apresentada na Resolução Consup nº 7, de 22 de março de 2020”, que suspendeu temporariamente as atividades presenciais no âmbito do IFBA.

Com base na análise dos resultados e “de um diagnóstico preliminar e parcial das condições da comunidade acadêmica do IFBA neste período de pandemia da Covid-19”, a intenção é criar uma base de dados que contribua para “a reflexão coletiva” sobre as práticas pedagógicas no contexto de suspensão e da “reorganização do calendário acadêmico no retorno às atividades presenciais”, esclarece o pró-reitor de Ensino.

 

EAD: UMA ALTERNATIVA VIÁVEL? - Diante do contexto de pandemia da Covid-19, os(as) docentes participantes avaliaram,em sua maioria, isto é 38,1%, que têm disposição, mas possuem limitações físicas, materiais e/ou emocionais para atuar na educação a distância. Em contrapartida, 33,4% se dizem dispostas/os e declaram possuir habilidades para atuar na EAD pelo IFBA.

Para praticamente metade dos(as) professores(as) respondentes (49,67%), o uso da modalidade de Educação a Distância ou de ferramentas tecnológicas e digitais envolveria dificuldades e seria insuficiente para substituir a realização de atividades presenciais neste período de distanciamento social. Um contingente um pouco menor, de 38,37% dos participantes, afirma peremptoriamente: o ensino a distância não substitui a atividade presencial de sala de aula.

A pesquisa reuniu perguntas também sobre a disponibilidade de materiais didáticos e pedagógicos para utilização em atividades de ensino a distância, acesso à internet e a experiência e a formação dos(as) docentes na Educação a Distância. Com relação ao último assunto, 67,8% dos professores que participaram da consulta à comunidade informaram “nunca ter atuado na modalidade de Ensino a Distância”. Um percentual expressivo, 42,9% dos respondentes, afirmaram ter interesse em fazer cursos de formação e capacitação para atuar na modalidade EAD. “Isso indica que seja qual for a decisão a respeito de utilização de atividades não presenciais na reorganização do calendário acadêmico, é necessário criar meios e instrumentos de qualificação para aprimorar a atuação docente no âmbito da EAD”, afirma o pró-reitor de Ensino, Philipe Carvalho.

DOCENTES: PREOCUPAÇÃO, OTIMISMO E ESTUDOS

O índice de participação na Pesquisa Institucional do corpo docente do IFBA, que reúne cerca de 1.700 professores(as), foi de 44%. Precisamente 761 docentes dos 22 campi do Instituto Federal da Bahia responderam o questionário. “Embora seja uma amostra representativa, vê-se também que mais da metade dos professores não participaram da pesquisa”, pondera o pró-reitor de Ensino, Philipe Carvalho. A maior participação registrada foi a de docentes da área de Ciências Exatas, num total de 36,40% dos respondentes.

Os resultados da pesquisa com os(as) professores(as) revela que a maioria dos docentes (53,6%) está preocupada com o quadro e os efeitos da pandemia, mas “otimista” com a superação do cenário. No entanto, 46% se dizem “pessimistas” com a melhoria do cenário.

Quase a totalidade dos docentes que participaram da pesquisa institucional, especificamente 97,2% deles(as), apontaram   “estudos e trabalhos acadêmicos” como as atividades mais desempenhadas nesse período de suspensão das atividades presenciais. As atividades domésticas aparecem na segunda colocação no ranking do tipo de tarefa mais desenvolvida neste período de distanciamento social. O terceiro lugar ficou com a realização de atividades esportivas e culturais (65,8%), seguida da missão de cuidar de filhos(as) e/ou  familiares idosos (60,6%).

 

O QUE PENSAM OS ESTUDANTES? – Cerca de quatro mil estudantes dos 22 campi do Instituto Federal da Bahia responderam a pesquisa institucional. Números exatos: 3.597 pessoas. O relatório com análise dos resultados registra que “deste total, houve respostas duplicadas ou inválidas” e, no caso das respostas duplicadas, foi adotado o critério “do último formulário respondido completamente”. Após essa filtragem, foram contabilizadas 3.388 respostas válidas e “consideradas na tabulação dos dados quantitativos” nos quais se baseou a análise dos resultados da pesquisa com o corpo discente. Em síntese, cerca de 11,6% dos(as) estudantes regularmente matriculados(as) no IFBA - do universo de 30.261 - participaram da Pesquisa. Uma das hipóteses  consideradas pela Proen sobre a baixa participação do corpo discente é a possibilidade de que o método de pesquisa online tenha dificultado o alcance da maior parte dos(as) estudantes.

NOTA 10 EM CONSCIÊNCIA – No atual contexto de pandemia da Covid-19, uma boa notícia que os números da pesquisa institucional trazem é que 95,9% dos(as) estudantes estão respeitando as medidas de isolamento social com sua família. Outra boa nova: 96,4% consideraram que o isolamento social é necessário, ou seja, os discentes têm o entendimento claro e apóiam as medidas de prevenção e combate ao avanço do novo coronavírus. O melhor: agem de forma coerente com a compreensão que têm dos fatos, tanto que mais de 95% dos respondentes estão respeitando o distanciamento social. Mais da metade dos(as) estudantes que participaram da pesquisa, exatos   53,2% manifestaram preocupação com a situação atual, mas estão também otimistas com a superação desse momento.

As atividades com as quais os(as) discentes mais se ocupam nesse período de suspensão de aulas, revelam os resultados, são as tarefas doméstica ( (76,3%). Em segundo lugar, aparecem as “leituras, filmes e programas de TV” (75,7%) e, outra boa notícia:  53,2% afirmam estar mantendo uma rotina de estudos. O somatório dos percentuais é maior que 100 porque esta questão poderia ter múltiplas respostas dos participantes.

CONEXÃO INSTÁVEL E ATIVIDADES ONLINE- Com relação ao acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos, os(as) estudantes que responderam a pesquisa afirmaram ter conexão de banda larga e possuir notebooks (52,9%), smartphones (89,1%) e outros aparelhos eletrônicos em casa.

Um percentual expressivo, 84,5% dos discentes informaram que têm internet de banda larga fixa em domicílio. Além disso, mais de 80% afirmaram que os pais têm condições de manter regularmente o pagamento para o acesso à internet com qualidade suficiente para participar das aulas, realidade que difere dos 19,1% que alegaram não ter condições financeiras para manter o serviço. Entretanto, nos dois casos, problemas de instabilidade na conexão foram apontados como fatores limitantes.

Sobre a hipótese de eventual realização de aulas ou práticas educativas online durante a suspensão das atividades presenciais no IFBA, 70,8% dos(as) estudantes afirmaram ser favoráveis e 29,2% foram contra. Quando perguntados(as) sobre a qualidade do rendimento acadêmico por EAD, os(as) estudantes ficam divididos: 41,7% acreditam que o desempenho seria o mesmo do que ocorre nas atividades presenciais, mas 40,5% consideram que seu rendimento seria prejudicado com adoção de atividades à distância de educação.

PERFIL ETÁRIO, DE RENDA E CONVIVÊNCIA FAMILIAR - O maior contingente de participação estudantil foi dos(as) matriculados(as) em cursos de Ensino Médio Integrado (55,2%), seguido por 33,8% de discentes dos cursos superiores. A maioria dos respondentes (52,7%) têm entre 13 e 18 anos de idade e se identificaram pela cor “parda” (50,6%) - seguidos por 24,7% que se declaram “pretos(as)”e 19,5% como “brancos”. O perfil socioeconômico prevalente (36,3%) entre os(as) estudantes que participaram da pesquisa foi de discentes de baixa renda, que indicaram que a família recebe até um salário mínimo por mês, seguidos de estudantes  com rendimento familiar mensal entre um e dois salários mínimos (34,7%). “O número alto de estudantes de baixa renda ressalta mais uma vez a importância do auxílio emergencial do IFBA”, relata o documento com a análise dos resultados. A maior parte dos(as) estudantes que participaram da Pesquisa Institucional (30,6%) respondeu que mora com três pessoas, seguida pelos percentuais de 23,7%, dos(as) discentes que  vivem com duas pessoas, e 21,8%, com quatro pessoas.

 

COM A PALAVRA, OS(AS) TAEs – A pesquisa feita com o segmento dos(as) técnicos(as) administrativos(as) em educação (TAE) do IFBA teve um formato diferente daquela  realizada com docentes e estudantes. “Considerando que a carreira dos TAE é marcada pela pluralidade profissional e de área de atuação, optamos por um formato em que haveria duas seções: uma para os TAE que atuam em setores acadêmicos [Departamentos de Ensino/Acadêmico, CORES, GRA, Equipe técnico-pedagógico, bibliotecas, etc] e dos administrativos [Departamento Administrativo, Almoxarifado, Patrimônio, Tecnologia da Informação, Orçamento, entre outros.] e de Tecnologia da Informação”, detalha o pró-reitor de Ensino, Philipe Carvalho, ao ressaltar que esta foi uma forma de contemplar as diferentes formações existentes entre os(as) técnicos(as), “apesar de sabermos das limitações nesta divisão proposta”.

Dos(as) 1.075 profissionais que compõem a categoria de TAE do IFBA, a pesquisa contou com a participação de 321 técnicos(as) administrativos(as), de 21 campi e Reitoria, número que corresponde a 29,8% do universo. “O único campus que não teve participação registrada foi Ubaitaba”, registra o relatório da Pró-Reitoria de Ensino com que reúne os dados e a análise dos resultados da Pesquisa Institucional.

Mais da metade dos respondentes (50,8%) estão lotados em órgãos ligados ao acadêmico, 41,4% vinculados(as) aos setores administrativos e 7,8% à área de Tecnologia da Informação.

Apesar de 58,3% dos(as) TAE que responderam à pesquisa se dizerem preocupados(as) com o contexto da pandemia, esses(as) profissionais estão otimistas sobre a reversão deste quadro. Entre as principais tarefas desempenhadas após suspensão das atividades, também predominam entre os(as) técnicos(as) administrativos(as) em educação os estudos e trabalhos de ordem acadêmica e as atividades domésticas.

Mas há também um grande contingente dos(as) que se dividem com o cuidado de filhos(as) e/ou parentes idosos(as), respectivamente 50,9% dos(as) profissionais dos setores acadêmicos e 60,8% daqueles vinculados às áreas administrativas.

CONECTADOS(AS) E TECNOLÓGICOS(AS) - A maioria dos(as) TAE que participou da pesquisa informou ter acesso a internet e equipamentos, caso houvesse necessidade de implementar trabalho remoto para EAD ou para atividades remotas. Entre os(as) técnicos(as) do setor acadêmico, 84% possuem conexão de banda larga e 54% disseram ter aparelhos que consideram suficientes para atuar a distância ou online. No caso dos(as) TAE que atuam nos setores administrativos esses índices são ainda maiores:  90,5% possuem internet fixa de banda larga e 63,9% afirmaram possuir os aparelhos e as ferramentas necessárias para trabalho remoto.

Com relação à formação e à experiência dos(as) técnicos(as) do IFBA com atividades não presenciais e/ou educação a distância são ainda pequenas, de acordo com as respostas apresentadas na pesquisa institucional: 70,5% dos (as) profissionais do segmento acadêmico e 58,9% da área administrativa informaram “nunca” ter feito cursos de capacitação para atuar remotamente. Entretanto, os respondentes manifestaram interesse em realizar cursos de qualificação para a atuação na modalidade de trabalho remoto. Os resultados apontam que essa foi a resposta de 49,7% dos(as) TAE da área acadêmica e 58,9% dos(as) técnicos(as) dos setores administrativos. Especificamente no que se refere à experiência em educação a distância, 80,4% dos TAE do âmbito acadêmico informaram nunca ter atuado nessa modalidade.

Na avaliação da maioria dos(as) TAE do setor acadêmico que responderam a pesquisa (59,5%), o uso de ferramentas digitais e tecnológicas em atividades não presenciais e/ou educação a distância substituem “com dificuldade e insuficiência a atividade presencial”. O percentual daqueles que consideram que as atividades EAD não substituem as atividades presenciais foi de 25,8% dos participantes.