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ESPECIAL 13 de maio - Cuidado com o que diz!

Termos e expressões racistas cuja utilização também precisamos combater
por Isadora Melo publicado: 13/05/2020 19h20, última modificação: 13/05/2020 20h27

Uma forte cicatriz da herança racista decorrente do processo de escravização está no teor preconceituoso de várias palavras e expressões que ainda são amplamente empregadas tanto oralmente como por escrito. Muitas vezes sem que o(a) autor da fala ou texto tenha noção de que está reproduzindo um discurso de caráter discriminatório ou segregacionista.

“Nosso vocabulário é completamente contaminado de expressões racistas, e esse é um dos aspectos do racismo estrutural, que tem na língua uma prática de naturalização tão perversa que nos compele ao discurso preconceituoso sem que, muitas vezes, tenhamos sequer consciência disso. O desafio, para todos e todas que encampam a luta antirracista, é justamente a militância linguística, que se ocupa em apontar, entre outras coisas, como construções verbais podem ser tão agressivas quanto um soco”, afirma a professora universitária Adriana Telles, mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Trazemos a seguir 10 exemplos destes termos e a carga preconceituosa que eles carregam, pelo contexto histórico em que surgiram ou pela etimologia da palavra. Neste 13 de maio, Dia Nacional de Luta Contra o Racismo, vale lembrar que o combate ao racismo passa, também, pelas palavras. 

Criação: DGCOM

 

- Meia tigela: Negros escravizados cujos trabalhos em minas de ouro não cumpriam as “metas” estabelecidas pelos senhores engenho recebiam apenas metade da tigela de comida – e, com isso, eram chamados de “meia tigela”, que significa sem valor ou medíocre.

 - Denegrir: Este termo, cujo sinônimo é difamar, é usado com uma concepção  racista, associado a ideia de que “tornar negro” ou “enegrecer” é, equivocadamente e de forma preconceituosa, associada a conceitos negativos como manchar, macular. Você já deve ter ouvido alguém dizendo que não quer “denegrir a imagem” de fulano. Da próxima vez que você ouvir, já pode explicar à pessoa que falou algo do gênero para não reproduzir esse tipo de uso.

 - Mercado negro/ovelha negra/ magia negra/lista negra: Seguindo a mesma lógica anterior, estas expressões também têm um cunho pejorativo associado à inferiorização da população negra.

- A coisa tá preta: Mais um exemplo da associação entre “preto” e situações desfavoráveis, ruins, negativas.

- Serviço de preto: Referente a trabalhos mal executados é uma das mais explícitas expressões racistas cuja reprodução precisa ser banida numa sociedade que busca elevar seu nível civilizatório.

- Cor do pecado: A expressão, ainda muito difundida – houve até uma novela com este nome -, carrega em sua história um processo de sexualização e objetificação da mulher negra, que muito frequentemente no período da escravidão era obrigada a manter relações sexuais com senhores de engenho ou familiares destes. Ou seja, eram estupradas.

- Não sou suas negas: Mais uma expressão em que a mulher negra é desqualificada.

- Mulata: Relativo, na língua espanhola, ao filhote macho do cruzamento entre cavalo e jumento – a mula -, esta expressão foi apropriada à língua portuguesa como forma de reiterar o corpo negro como mercadoria. Esta expressão ainda é utilizada como “mulata tipo exportação”.

- Moreno(a): Outro problema grave decorrente do pensamento racista enraizado na sociedade brasileira é a utilização desta expressão para referir-se a pessoas negras – o que confere à negritude um sentido pejorativo que beira o tabu. O pressuposto preconceituoso é denominar como moreno ou morena para não “ofender” alguém o chamando de negro ou negra.

- Cabelo ruim/piaçava: Uma forma explícita de depreciar características da população negra. Conceitos como este contribuíram durante muito tempo para baixa autoestima de homens e mulheres negras, o que, felizmente, vem sendo transformado com os movimentos de empoderamento da raça negra.

Referências: https://m.noticias.ne10.uol.com.br/brasil/noticia/2016/11/20/no-dia-da-consciencia-negra-conheca-expressoes-racistas-usadas-no-cotidiano-648628.php

https://www.letras.mus.br/sergio-porto/1113833/

https://www.geledes.org.br/18-expressoes-racistas-que-voce-usa-sem-saber/

https://www.cartacapital.com.br/sociedade/dez-expressoes-racistas-que-voce-precisa-parar-de-falar-imediatamente/