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Em Camacan, IFBA lança as sementes do primeiro centro de referência agroecológico

publicado: 09/09/2019 00h00, última modificação: 20/09/2019 17h09

Experiência inovadora, lançada não pela mobilização de uma única cidade, mas do conjunto de 10 municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (CIMA), o Centro Tecnológico de Referência de Camacan tem inauguração prevista para o dia 31 de outubro.

Exatos dois meses antes, em um encontro realizado em a 170km dali, no município de Ibirapitanga, começava a se desenhar o esboço do que pode vir a ser a primeira unidade agroecológica do IFBA.

Na ocasião, o pró-Reitor de Extensão Marco Antônio Góes e o assessor de gabinete José Luís Wensce estiveram em Ibirapitanga com lideranças do Assentamento Dois Riachões, o presidente do Instituto Cabruca, Thiago Guedes Viana, e o diretor geral do campus de Ubaitaba do IFBA, Esaú Santos para debater o assunto.

“O reitor Renato da Anunciação Filho, a quem viemos representar no encontro em Ibirapitanga, determinou que busquemos esse diálogo permanente com todos os setores da sociedade que têm condições de contribuir para a implantação de cursos que estejam em sintonia com a vocação desta região, que é a exploração dos recursos naturais de forma a gerar desenvolvimento sustentável", explica Marco Antônio Góes.

E tanto o Instituto Cabruca quanto o Assentamento Dois Riachões têm muito a contribuir.

INSTITUTO CABRUCA – Criado em 2007, com a missão de conservar e valorizar o modelo de produção conhecido como cabruca – que é o sistema agroflorestal presente em 83 municípios de sete territórios de identidade que estão na poligonal da indicação geográfica do cacau –, o Instituto Cabruca difunde este sistema não somente para a produção de cacau, mas também de frutas, madeira certificada, sementes, plantas ornamentais, fármacos, ecoturismo, além do estímulo ao sequestro de carbono, entre outros.

Junto ao IFBA, o Instituto Cabruca vai apoiar a formação de alunos com os parceiros e pesquisadores que possui, a capacitação dos professores tanto da parte de referencial técnico como bibliográfico, além de prestar assessoria técnica no curso de sistema agroflorestal (SAF), no levantamento de insumos e do melhor modelo de SAF para ser implantado nos 15 hectares de área verde do CTR de Camacan.

“Vamos trocar experiência com IFBA para formatar um curso mais atrativo, que corresponda às expectativas do território, como é o curso de mateiro, que é como a gente consegue implementar biodiversidade local, ensinar os jovens na identificação das espécies arbóreas e criar um herbário”, planeja Thiago Viana.

Engenheiro agrônomo pela UESC com especialização em gestão e manejo ambiental em sistemas florestais pela UFLA Lavras, mestrado em conservação da biodiversidade pelo Instituto IPÊ/ESCAS e doutorando em agronomia e florestas pela Universidade Trás os Montes e Alto Doro (UNITAD), Thiago também empresta um pouco de sua experiência acadêmica ao IFBA, na condição de como supervisor de projetos de recursos naturais da Rede e-Tec.


DOIS RIACHÕES – Foi a partir da difusão das tecnologias sociais que foram aplicadas no cultivo sob manejo agroecológico do IC, que o Assentamento Dois Riachões recebeu a certificação orgânica para a produção de cacau. Uma experiência tão exitosa que detém nada menos que 30 dos 600 agricultores certificados organicamente, o maior núcleo da rede.Uma vitória do movimento composto por 40 famílias assentadas desde 2007 em uma área de 160 hectares de Ibirapitanga desapropriada três anos antes pelo Governo Federal.

“Em 2018 vendemos 5 toneladas de cacau de qualidade a 270 reais a arroba. A gente espera chegar em 2019 a 20 toneladas”, prevê Clodoaldo Alves da Silva, que formou-se professor do magistério e bacharel em Direito pela UNEB, sem nunca ter deixado a lida com a terra.

Embora fisicamente mais próximo do campus de Ubaitaba, Clodoaldo vê no IFBA de Camacan um potencial parceiro do assentamento. “Desde que não se priorize uma visão tecnicista, que não se apresente apenas depositária de conhecimento, que não se visibilize apenas o resultado econômico, ,mas também o resultado social, ali certamente teremos equipamentos, laboratórios e experiências que a gente jamais poderia vivenciar”, conclui.

 

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