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IFBA investe em energia solar como receita de economia e fonte de pesquisa

por Aurelio Nunes publicado: 23/10/2019 17h56, última modificação: 23/10/2019 20h38

Foto: Reginey Barbosa / IFBA Irecê
Professor Eduardo Allatta e o estagiário Pedro Araújo lavam painéis da usina do Campus Irecê


No mês de outubro começou a funcionar a usina de produção de energia solar da Reitoria do IFBA, no bairro do Canela, em Salvador. Foi a quarta e última a entrar em operação após um investimento de R$ 645.027,29 feito pela Reitoria, que contempla ainda os campi de Lauro de Freitas, Jequié e Jacobina.

“Esta iniciativa aprofunda as ações de eficiência energética do IFBA iniciadas em 2015 e que já contemplam 15 unidades do Instituto. A nossa meta é tornar todos os campi autossuficientes em energia, como já acontece em Lauro de Freitas”, explica o reitor Renato da Anunciação Filho.

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Reitoria
A usina fotovoltaica da Reitoria tem capacidade de 10kw, e produz de 10% do consumo da sede administrativa da instituição. Já a de Lauro de Freitas, é de 70kw. "No mês de setembro produzimos toda a energia consumida no nosso campus e ainda distribuímos para a 5.000 kw para a rede, que foram usados para abater parte da conta de energia da Reitoria", explica o professor Durval de Almeida Souza, coordenador do curso de Engenharia de Energia.

Lauro de Freitas tem a segunda maior usina da rede, atrás apenas da de Salvador, cuja capacidade máxima de 165kw. Além destes, Brumado, Camaçari, Eunápolis, Feira de Santana, Ilhéus, Irecê, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Paulo Afonso, Santo Antônio de Jesus e Ubaitaba também tem suas próprias usinas. Barreiras, Euclides da Cunha, Porto Seguro, Santo Amaro, Seabra, Simões Filho, Valença e Vitória da Conquista aguardam a sua vez. A expectativa da Reitoria é que os entendimentos mantidos com deputados federais da bancada baiana resultem, já em 2020, a aquisição de novos módulos através de recursos oriundos de emendas parlamentares. 

COMO FUNCIONA

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Campus Camaçari

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Campus Salvador
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Campus Paulo Afonso

 

 

 

 

O engenheiro eletricista Milson Matos Lima Júnior é o coordenador de projetos elétricos da pro-reitoria de Desenvolvimento Institucional do IFBA e acompanhou a implantação das usinas da Reitoria e de Lauro de Freitas. Ele explica que uma usina é composta basicamente por painéis formados por células fotovoltaicas conectadas entre si, um inversor on grid, um quadro de distribuição e um medidor bidirecional, que substitui o medidor convencional. A diferença entre eles é que o convencional mede apenas o que é consumido, enquanto o bidirecional mede também o que é injetado na rede. Ao final do período de faturamento, o consumidor paga apenas a diferença entre o que consumiu e o que gerou.

“O sistema on grid dispensa a necessidade de baterias porque a energia excedente não é armazenada, e sim distribuída para a rede e utilizada para abater o valor do que foi consumido dela”, explica Milson. Já no sistema off grid as baterias armazenam a energia que pode ser utilizada nos períodos noturnos e de baixa insolação, quando não há geração.

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Campus Feira de Santana
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Campus Brumado
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Campus Ilhéus

 

 

 

 

 

 

 

PESQUISA

Estimular o uso racional de recursos naturais, promover a sustentabilidade ambiental e socioeconômica e melhorar a qualidade do gasto público pela eliminação do desperdício podem ser elencados como os maiores benefícios produzidos pela geração de energia solar. Mas sua utilização no IFBA não se restringe a isso.

No campus de Irecê, a usina fotovoltaica de 50kw produz 40% da energia consumida e ainda funciona como um importante laboratório de pesquisas. Adquirida com recursos oriundos de investimento obrigatório em P&D por parte de uma empresa termoelétrica, a usina é propositadamente composta por cinco tecnologias distintas de painéis solares, a partir dos quais o professor Eduardo Allatta debruçou-se nos últimos três anos, na condição de pesquisador-chefe de um projeto da CBEM, investigando qual seria o mais eficiente para o semiárido nordestino. O vencedor foi o Telureto de Cadmio.

Foro: Reginey Barbosa/IFBA
Campus Irecê

Encerrada esta pesquisa, Allatta já está desenvolvendo outra, em parceria com a Universidade Federal do mato Grosso do Sul (UFMS), sobre o impacto da sujeira – ou sujidade - no desempenho das usinas. Ele coordena o grupo de pesquisa do IFBA formado pelos professores Reginey Barbosa, Edler Albuquerque e Rodrigo Coelho, e pelos estudantes Pedro Araújo e Mariana Queiroz.

"Mensurando diversas grandezas físicas, vamos fornecer subsídios para a UFMS criar um modelo de algoritmo embarcado em um hardware  que pode dizer com precisão: agora tá na hora de limpar a usina”, explica Allatta.“Estamos vislumbrando usinas comerciais que têm um elevado custo para limpar áreas de até 35 hectares de painéis solares e que necessitam desse instrumento", complementa.

Em novembro, este dispositivo será interligado a outro, o protótipo de um robô autônomo, também desenvolvido pela UFMS, que faz a limpeza dos módulos e que ficará funcionando em fase experimental no campus Irecê. Do casamento entre as essas tecnologias nascerá uma solução para otimizar, baratear e popularizar ainda mais uma fonte de energia limpa e sustentável. Uma solução com a marca do IFBA.