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Nota - 300 mil mortos - Covid-19

publicado: 24/03/2021 17h03, última modificação: 24/03/2021 17h22

Em maio de 2020, quando o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil ultrapassou a marca de 10 mil vítimas fatais, fomos fortemente impactados pela tristeza e choque diante de tantas perdas em tão pouco tempo.

Dez meses depois, 300 mil brasileiras e brasileiros perderam suas vidas para a doença. Incapazes de traduzir a dor das pessoas, as estatísticas dão a dimensão numérica dessa tragédia anunciada. Não faltaram alertas, informações e orientações da comunidade científica; não faltaram exemplos de condução do enfrentamento à pandemia de forma eficaz, balizadas por evidências científicas e comprometidos com o respeito à Vida.

O vírus não escolhe vítimas, mas a desigualdade social que vigora no Brasil condena a população pobre a ser o alvo preferencial da Covid-19. Essa população está muito mais vulnerável à contaminação e à morte porque, historicamente, tem sido negligenciada por governos que não cumprem deveres fundamentais definidos pela Constituição Federal, como o de assegurar habitação digna, educação, emprego e saúde para todos(as) os(as) brasileiros(as).

Sem água na torneira, é impossível seguir medidas simples como o de higienizar as mãos para evitar a infecção. Sem emprego e sem auxílio financeiro emergencial, não há renda. Sem renda, não há o que comer. Onde há fome e faltam perspectivas do amanhã, não há como dormir em paz.

A morte de cerca de 2 mil brasileiros(as) por dia não é normal, não é um fato banal. É uma realidade brutal sobretudo porque muitas vidas poderiam ter sido preservadas. Como é brutal a forma como tantos brasileiros e brasileiras têm perdido suas vidas diante do colapso do sistema de saúde, por falta de atendimento, por falta de oxigênio, por falta de planejamento, por falta de empatia e humanidade.

Lamentamos profundamente que muitos(as) estudantes e servidores(as) do IFBA e da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica estejam sendo atingidos pela dolorosa perda de familiares e amigos. Nos solidarizamos a todas e todos da comunidade IFBA e da Rede Federal que estão em luto. A nossa empatia com servidores(as) e estudantes transcende qualquer distanciamento social. O nosso afeto abraça cada uma e cada um da nossa comunidade que está vivendo este sofrimento.

O luto que vivemos pelas vítimas fatais da Covid-19 e pelo pesar de todas as famílias enlutadas permeia o nosso dia a dia e é lembrado em cada atividade acadêmica, em cada reunião de trabalho, em cada aula, em cada evento. Estamos em luto institucional, nos apoiando e nos mantendo unidos(as) para proteger e conduzir a vida, respeitando e homenageando a memória daqueles(as) que se foram.

Desde março de 2020, quando o Conselho Superior decidiu pela suspensão das atividades presenciais no âmbito do IFBA, temos pautado nossas decisões, ações e esforços pelo cuidado com a preservação da vida dos(as) nossos servidores(as) e estudantes. A nossa comunidade é o nosso patrimônio mais importante e de valor imensurável. São as pessoas que movem e dão vida e sentido à existência do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Em meio a tantas tensões e temores, não podemos deixar de ressaltar e render nossos agradecimentos à atuação heroica dos(as) profissionais de saúde, que nos traz segurança e alimenta a nossa crença na humanidade. O exemplo de dedicação e abnegação desses(as) profissionais, que expõem a riscos a própria vida e trabalham de forma incansável para salvar outras, mantém viva a nossa esperança em dias melhores. Eles, certamente, virão!

TREZENTAS MIL FAMÍLIAS choram a morte de entes queridos, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia se solidariza a todas essas pessoas que sofreram o duro golpe do desaparecimento precoce – e muitas vezes, evitável – de familiares e amigos.

Basta!

A vida precisa e deve ser preservada! É dever do Estado cuidar e preservar a saúde do povo brasileiro. Salve o SUS que salva! Vacina para todos(as)!

 

Luzia Mota
Reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA)
Presidente do Conselho Superior (Consup) do IFBA