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Comunidade do Campus Jacobina participa de audiência pública sobre Plano de Contingência Institucional frente à atual pandemia

A reunião virtual ocorreu na manhã desta terça-feira, 4, e envolveu gestores, professores, profissionais técnicos, estudantes e familiares
por Verusa Pinho publicado: 04/08/2020 12h16, última modificação: 06/08/2020 17h17

Ao longo de pouco mais de três horas de duração, a audiência pública dos campi Jacobina e Seabra do IFBA reuniu a comunidade institucional, através da plataforma Microsoft Teams, em torno do debate acerca do Plano de Contingência frente à atual pandemia.

No começo do encontro foram contextualizados dados acerca da doença e das ações realizadas pelo IFBA ao longo desses quase cinco meses de suspensão do calendário letivo, por meio dos comitês locais e central de enfrentamento e prevenção da ameaça do novo coronavírus. 

Dentre os eixos de trabalho, o ensino foi citado pelos pró-reitores de extensão, pesquisa, pós-graduação e inovação como o mais complexo, “que tem gerado a maior parte das dúvidas pela comunidade acadêmica”, destacando-se a necessidade de avaliar as peculiaridades regionais de cada campus, a flexibilidade e autonomia do Instituto, bem como a oferta de uma educação inclusiva com qualidade. 

Com relação a esse último ponto, a pró-reitora de extensão, Nívea Cerqueira, mencionou a importância dos núcleos de atendimento às pessoas com necessidades educacionais específicas e das ações afirmativas, a fim de garantir o acompanhamento futuro de atividades educacionais não presenciais emergenciais (síncronas e assíncronas, que demandam interação simultânea ou não). A dinâmica de avaliações diagnósticas e formativas complementares por meio de ambientes virtuais de aprendizagem, por exemplo, estiveram entre as alternativas apresentadas.  

No âmbito da pesquisa e extensão, Nívea pontuou o desenvolvimento de ações que visem à mitigação dos impactos da pandemia nas comunidades locais, especialmente quanto ao público em situação de vulnerabilidade social, estimulando-se a produção artístico-cultural. Nesse sentido, têm-se projetos como o Na frequência da vida: radiodifusão e ciência no enfrentamento à Covid-19, aprovado pelo Campus Jacobina e em fase de execução. 

Quanto à gestão e administração institucionais, o atendimento aos protocolos de saúde e segurança do trabalho, ao lado da capacitação de servidores para uso de tecnologias digitais, foram o foco da discussão. A Comunicação foi lembrada como área estratégica para interação com os públicos interno e externo, por meio de conteúdos noticiosos e prevenção/gerenciamento de crise. À Tecnologia da Informação, caberá a adaptação e garantia de acesso aos sistemas institucionais, além de apoio à capacitação dos usuários. 

Pesquisa Institucional sobre aprendizagem online

Ao serem compartilhados os dados do Campus Jacobina referentes à pesquisa direcionada aos discentes, sobressaíram-se os seguintes números: 

Apesar da conectividade (87%), quase 40% dos alunos não dispõem de equipamento adequado para os estudos online. “Dado que precisa ser considerado”, segundo os gestores. O professor Yuri Wanderley, coordenador da Licenciatura em Computação de Jacobina, chamou atenção para o fato de 1/3 dos estudantes (33%) não terem participado da pesquisa, problematizando os motivos dessa situação, ao que o pró-reitor de pesquisa, pós-graduação e inovação, Jan Carlos Lapa, lembrou que ainda houve baixa adesão da comunidade discente nesse levantamento e que outras metodologias estão sendo pensadas para otimizar os números.

“Não iremos resolver a questão da inclusão digital no IFBA neste contexto pandêmico”, pontuou, ao que a assistente social do campus, Jociane Correia, reforçou a importância da universalidade dos auxílios. Para minimizar essa situação, o Plano de Trabalho do Instituto, recém-aprovado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do Ministério da Educação, prevê recursos para compra de tablets, que serão disponibilizados aos estudantes que não possuem acesso à tecnologia digital. “Os dois mil tablets não darão conta do universo total, mas são os dados que temos no momento”, acrescentou Jan Carlos.

O docente Alberto Viana, da área de informática, também problematizou as porcentagens minoritárias da pesquisa, como a referente ao retorno parcial e online das atividades (mais de 40% não é a favor), solicitando análise minuciosa das respostas e lacunas. Citou, ainda, a dificuldade de adaptação de alguns conteúdos nos dispositivos móveis (a maioria dos respondentes dispõe apenas de celular para acesso).

O professor de filosofia Saulo Campos esclareceu a diferença entre EaD e atividades remotas, destacando que “a emergência é salvar vidas”, sobretudo porque o Brasil não tem sido exemplo em seguir os protocolos de saúde e segurança, opinião corroborada por profissionais do Campus Seabra em suas falas.

“Os Institutos Federais (IFs) são referência na qualidade do ensino, a melhor educação pública do país! Por isso não considero prioridade investir em ações remotas emergenciais, mas sim, na preparação para o retorno presencial, nosso maior talento. Os dados da pesquisa são meramente de opinião, vimos o que as pessoas ‘querem que aconteça’, não necessariamente o que devemos fazer de forma efetiva e universal”, comentou.

Maria Cristina, mãe de aluna do 4º ano do integrado, elogiou a iniciativa e compartilhou preocupações: “O debate democrático é o caminho para redução das desigualdades. Sou professora da rede pública e sei que não houve inclusão total até o momento, mas temos que traçar estratégias possíveis. A pesquisa do IFBA foi feita para ver o retrato da nossa educação. O Enem está batendo na porta... É preciso fazer o que for possível remotamente! Vejo que ainda estamos a passos lentos”.

A pedagoga do campus Indaiara Célia da Silva aludiu às reuniões feitas com estudantes da forma integrada, bem como aos demais instrumentos para levantamento de informações acerca do tema, como a pesquisa institucional. “O IFBA não se preparou historicamente para o ensino remoto obrigatório. Não há infraestrutura viável para tal. Todos desejamos o retorno, mas precisamos de condições objetivas”. 

Plano de Contingência

O diretor geral do campus, Ricardo Alcântara Mesquita, aproveitou a ocasião para parabenizar a transparência e coletividade da Reitoria e fazer um questionamento. “Temos muitas incertezas ainda... Sabemos que nem todos os alunos têm acesso à tecnologia e internet, como demonstrou a nossa pesquisa. Ontem o Comitê Local começou a ver a questão dos recursos materiais que serão adquiridos pensando no retorno das atividades, mas já estamos no mês de agosto... Haverá viabilidade de tudo acontecer ainda neste ano?

Em seguida, Jan Carlos Lapa respondeu à indagação com aspectos do Plano de Contingência Institucional, em fase de construção, sobretudo quanto à “inclusão digital e formação docente”, “problema histórico, que sempre existiu, mas ficou em evidência com a situação da pandemia”.

“Estamos chegando ao consenso de que não é possível voltar às atividades presenciais em 2020. Esperamos que, em 2021, façamos uma retomada mais tranquila, com todas as condições sanitárias necessárias”, disse, fala complementada por Nívea ao acrescentar que é momento de dar os primeiros passos, fazendo o que é possível enquanto “pré-retorno”.  

O documento, cuja versão preliminar tem 157 páginas, está sendo discutido por meio de audiências públicas virtuais e será apresentado no próximo dia 11 de agosto ao Conselho Superior (Consup), instância à qual cabe a decisão pela aprovação da sua versão final. Para acessar a íntegra do Plano,  clique aqui. As contribuições ao texto podem ser inseridas através de formulário específico disponível neste link.  

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