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"Saberes ancestrais na formação docente": 2ª chamada para matrícula (vagas remanescentes)

por Verusa Pinho publicado: 28/01/2026 16h18, última modificação: 20/03/2026 16h10

A equipe executora do Curso de Extensão Coco é reza, corpo é raiz: saberes ancestrais na formação docente, no âmbito da Escola Nacional Nego Bispo - Programa de Saberes Tradicionais, divulga a 2ª chamada de matrícula (vagas remanescentes). O novo prazo para garantir a vaga segue até o dia 31/01, através de formulário eletrônico. Além de preencher todas as informações solicitadas, é preciso anexar os seguintes documentos:

a) Cópia do RG com CPF;
b) Comprovante de residência;
c) Termo de autorização de uso da imagem e voz (pode ser assinado manualmente ou por meio do gov.br).

Fique por dentro

Escola Nacional Nego Bispo visa à valorização e integração dos saberes tradicionais na formação de estudantes de licenciatura e profissionais da Educação Básica. Coordenado pela professora Carla Côrte, mestra em história social, o  projeto contará com a participação de outras mulheres da comunidade jacobinense: Aurivone Ferreira (multiartista), que atuará como mestra do saber e estará assessorada pela profa. dra. Cláudia Vasconcelos (Uneb); Jailza Gomes (estudante da Licenciatura em Computação do IFBA) e Milena Carvalho (comunicóloga e educadora popular), ambas como assistentes da coordenação.

"Ao dançar e cantar, produz-se conexão com a sua própria história e existência, rompendo com os séculos de silenciamento e dominação que incidiram sobre os corpos femininos, em especial os corpos negros e indígenas, historicamente controlados pela ciência, pela religião e pelo Estado. Entendemos a música e a dança como dispositivos pedagógicos e formativos, capazes de promover o autoconhecimento, o fortalecimento das identidades e a valorização dos saberes tradicionais. Por meio dos gestos, das batidas e dos cantos do coco, nosso curso convida à vivência de uma pedagogia do corpo, da voz e da ancestralidade, reconhecendo nas artes e nos ofícios tradicionais caminhos para a construção de novas formas de aprender, ensinar e existir. Será um reencontro com os saberes corporais, compreendidos como território de memória, cura e resistência", destaca trecho do projeto.

Estão sendo ofertadas 25 vagas professoras/es da Educação Básica das redes pública municipal e estadual, além de estudantes de licenciatura, com prioridade para mulheres negras, quilombolas, indígenas e sertanejas. 

  • Os/as cursistas serão contemplados/as com três parcelas de uma bolsa no valor de R$ 200 (duzentos reais), totalizando R$ 600 (seiscentos reais);
  • A formação será híbrida e inclui certificação, consistindo em 60 horas-aula, sendo 50% de forma presencial e 50% remotamente, por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O começo das aulas está previsto para o mês de março;
  • Com relação aos dias/turno dos encontros presenciais, haverá variação para atender minimamente os/as participantes. Mais informações pelo e-mail: carlacorte@ifba.edu.br   

Módulo 1 - Ancestralidade e corpo como território (15h)

Carga horária: 8h presenciais | 7h remotas

Objetivo: Compreender as relações entre ancestralidade, corpo, espiritualidade e saberes tradicionais afro-indígenas-brasileiros, reconhecendo o corpo como território de memória e resistência.

Distribuição das horas presenciais: 

  • Aula Inaugural do curso de extensão;
  • Roda de conversa com partilha de saberes e a escuta sensível das trilhas formativas das participantes;
  • Oficina corpo e ancestralidade: movimentos de presença e pertencimento;
  • Debate coletivo: a colonialidade do corpo e as formas de resistências femininas.

Distribuição das horas remotas: 

  • Aula síncrona de introdução aos saberes tradicionais afro-indígenas-brasileiros na formação da sociedade brasileira com ênfase nas manifestações artísticas;
  • Leitura e discussão orientada de textos sobre corpo, ancestralidade e memória;
  • Atividade assíncrona com o fórum de debate - o corpo como território ancestral: experiências e heranças vividas (produção de relatos);
  • Atividade síncrona e assíncrona: exibição e debate de vídeos/documentários sobre as tradições orais e as músicas de matriz afro-indígenas-brasileiros.

Módulo 2 - O coco: história, ritmo e resistência (15h)

Carga horária: 7h remotas | 8h presenciais

Objetivo: Investigar as origens, os significados e os modos de transmissão do coco de roda, reconhecendo-o como prática cultural de resistência e circulação dos saberes afro-indígenas-brasileiros.

Distribuição das horas remotas: 

  • Momento síncrono|Aula expositiva-dialogada: o coco história e ancenstralidade no contexto das músicas e danças afro-indígenas-brasileiras;
  • Estudo dirigido sobre a história do coco e suas principais mestras e mestres (Dona Selma do Coco, Mestre Galo Preto, Lia de Itamaracá, entre outros);
  • Escuta e análise de músicas e letras do coco de roda;
  • Momento assíncrono|Fórum de reflexão: o coco como canto, movimento, história e memória. 

Distribuição das horas presenciais: 

  • Oficina de percussão: ritmos e toques do coco (pandeiro, ganzá e zabumba);
  • Vivência de canto e roda de coco;
  • Conversa com convidado(a) mestra ou mestre do coco local.

Módulo 3 - Corpo e criação (10h)

Carga horária: 5h remotas | 5h presenciais

Objetivo: Explorar o corpo como meio de expressão, cura e criação coletiva, através de práticas musicais e simbólicas inspiradas nas tradições afro-indígenas-brasileiras.

Distribuição das horas remotas: 

  • Encontros síncronos de escuta e trocas de experiências sobre os processos criativos;
  • Apresentação de um seminário temático corpo e criação: as dimensões formativas da experiência musical;
  • Registro reflexivo individual (diário de corpo): percepções e aprendizagens durante o processo.

Distribuição das horas presenciais: 

  • Oficinas de música e percussão integradas, com base na tradição oral e nas escutas do corpo;
  • Roda de saberes: vivências e partilhas sobre a potência curadora do movimento;
  • Construção coletiva de pequenas cenas e coreografias inspiradas nas músicas analisadas e trabalhadas.

Módulo 4 - Artes e ofícios: catálogo das músicas|danças|roda e dos relatos de docência (20h)

Carga horária: 10h remotas | 10h presenciais

Objetivo: Sistematizar as vivências do curso e elaborar um catálogo coletivo ilustrado, reunindo textos, imagens e reflexões sobre as músicas/danças do coco e o processo formativo vivido.

Distribuição das horas remotas: 

  • Orientação síncrona para organização dos registros (textos, fotos e depoimentos);
  • Momento assíncrono: produção colaborativa dos texto sobre as aprendizagens e as experiências;
  • Revisão coletiva do material em plataforma compartilhada.

Distribuição das horas presenciais: 

  • Oficina de diagramação e curadoria das imagens e textos para a produção do catálogo;
  • Ensaios e preparação da apresentação pública final (roda de coco, performance e lançamento do catálogo);
  • Encerramento do curso com roda de avaliação e celebração.