"Saberes ancestrais na formação docente": 2ª chamada para matrícula (vagas remanescentes)

A equipe executora do Curso de Extensão Coco é reza, corpo é raiz: saberes ancestrais na formação docente, no âmbito da Escola Nacional Nego Bispo - Programa de Saberes Tradicionais, divulga a 2ª chamada de matrícula (vagas remanescentes). O novo prazo para garantir a vaga segue até o dia 31/01, através de formulário eletrônico. Além de preencher todas as informações solicitadas, é preciso anexar os seguintes documentos:
a) Cópia do RG com CPF;
b) Comprovante de residência;
c) Termo de autorização de uso da imagem e voz (pode ser assinado manualmente ou por meio do gov.br).
Fique por dentro
A Escola Nacional Nego Bispo visa à valorização e integração dos saberes tradicionais na formação de estudantes de licenciatura e profissionais da Educação Básica. Coordenado pela professora Carla Côrte, mestra em história social, o projeto contará com a participação de outras mulheres da comunidade jacobinense: Aurivone Ferreira (multiartista), que atuará como mestra do saber e estará assessorada pela profa. dra. Cláudia Vasconcelos (Uneb); Jailza Gomes (estudante da Licenciatura em Computação do IFBA) e Milena Carvalho (comunicóloga e educadora popular), ambas como assistentes da coordenação.
"Ao dançar e cantar, produz-se conexão com a sua própria história e existência, rompendo com os séculos de silenciamento e dominação que incidiram sobre os corpos femininos, em especial os corpos negros e indígenas, historicamente controlados pela ciência, pela religião e pelo Estado. Entendemos a música e a dança como dispositivos pedagógicos e formativos, capazes de promover o autoconhecimento, o fortalecimento das identidades e a valorização dos saberes tradicionais. Por meio dos gestos, das batidas e dos cantos do coco, nosso curso convida à vivência de uma pedagogia do corpo, da voz e da ancestralidade, reconhecendo nas artes e nos ofícios tradicionais caminhos para a construção de novas formas de aprender, ensinar e existir. Será um reencontro com os saberes corporais, compreendidos como território de memória, cura e resistência", destaca trecho do projeto.
Estão sendo ofertadas 25 vagas professoras/es da Educação Básica das redes pública municipal e estadual, além de estudantes de licenciatura, com prioridade para mulheres negras, quilombolas, indígenas e sertanejas.
- Os/as cursistas serão contemplados/as com três parcelas de uma bolsa no valor de R$ 200 (duzentos reais), totalizando R$ 600 (seiscentos reais);
- A formação será híbrida e inclui certificação, consistindo em 60 horas-aula, sendo 50% de forma presencial e 50% remotamente, por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O começo das aulas está previsto para o mês de março;
- Com relação aos dias/turno dos encontros presenciais, haverá variação para atender minimamente os/as participantes. Mais informações pelo e-mail: carlacorte@ifba.edu.br
Módulo 1 - Ancestralidade e corpo como território (15h)
Carga horária: 8h presenciais | 7h remotas
Objetivo: Compreender as relações entre ancestralidade, corpo, espiritualidade e saberes tradicionais afro-indígenas-brasileiros, reconhecendo o corpo como território de memória e resistência.
Distribuição das horas presenciais:
- Aula Inaugural do curso de extensão;
- Roda de conversa com partilha de saberes e a escuta sensível das trilhas formativas das participantes;
- Oficina corpo e ancestralidade: movimentos de presença e pertencimento;
- Debate coletivo: a colonialidade do corpo e as formas de resistências femininas.
Distribuição das horas remotas:
- Aula síncrona de introdução aos saberes tradicionais afro-indígenas-brasileiros na formação da sociedade brasileira com ênfase nas manifestações artísticas;
- Leitura e discussão orientada de textos sobre corpo, ancestralidade e memória;
- Atividade assíncrona com o fórum de debate - o corpo como território ancestral: experiências e heranças vividas (produção de relatos);
- Atividade síncrona e assíncrona: exibição e debate de vídeos/documentários sobre as tradições orais e as músicas de matriz afro-indígenas-brasileiros.
Módulo 2 - O coco: história, ritmo e resistência (15h)
Carga horária: 7h remotas | 8h presenciais
Objetivo: Investigar as origens, os significados e os modos de transmissão do coco de roda, reconhecendo-o como prática cultural de resistência e circulação dos saberes afro-indígenas-brasileiros.
Distribuição das horas remotas:
- Momento síncrono|Aula expositiva-dialogada: o coco história e ancenstralidade no contexto das músicas e danças afro-indígenas-brasileiras;
- Estudo dirigido sobre a história do coco e suas principais mestras e mestres (Dona Selma do Coco, Mestre Galo Preto, Lia de Itamaracá, entre outros);
- Escuta e análise de músicas e letras do coco de roda;
- Momento assíncrono|Fórum de reflexão: o coco como canto, movimento, história e memória.
Distribuição das horas presenciais:
- Oficina de percussão: ritmos e toques do coco (pandeiro, ganzá e zabumba);
- Vivência de canto e roda de coco;
- Conversa com convidado(a) mestra ou mestre do coco local.
Módulo 3 - Corpo e criação (10h)
Carga horária: 5h remotas | 5h presenciais
Objetivo: Explorar o corpo como meio de expressão, cura e criação coletiva, através de práticas musicais e simbólicas inspiradas nas tradições afro-indígenas-brasileiras.
Distribuição das horas remotas:
- Encontros síncronos de escuta e trocas de experiências sobre os processos criativos;
- Apresentação de um seminário temático corpo e criação: as dimensões formativas da experiência musical;
- Registro reflexivo individual (diário de corpo): percepções e aprendizagens durante o processo.
Distribuição das horas presenciais:
- Oficinas de música e percussão integradas, com base na tradição oral e nas escutas do corpo;
- Roda de saberes: vivências e partilhas sobre a potência curadora do movimento;
- Construção coletiva de pequenas cenas e coreografias inspiradas nas músicas analisadas e trabalhadas.
Módulo 4 - Artes e ofícios: catálogo das músicas|danças|roda e dos relatos de docência (20h)
Carga horária: 10h remotas | 10h presenciais
Objetivo: Sistematizar as vivências do curso e elaborar um catálogo coletivo ilustrado, reunindo textos, imagens e reflexões sobre as músicas/danças do coco e o processo formativo vivido.
Distribuição das horas remotas:
- Orientação síncrona para organização dos registros (textos, fotos e depoimentos);
- Momento assíncrono: produção colaborativa dos texto sobre as aprendizagens e as experiências;
- Revisão coletiva do material em plataforma compartilhada.
Distribuição das horas presenciais:
- Oficina de diagramação e curadoria das imagens e textos para a produção do catálogo;
- Ensaios e preparação da apresentação pública final (roda de coco, performance e lançamento do catálogo);
- Encerramento do curso com roda de avaliação e celebração.
