Abril dos Povos Originários: Direitos, Políticas Públicas e Cidadania no centro do debate
A invisibilização histórica dos povos originários no Brasil e a recorrente violação de seus direitos tornam urgente a ampliação de espaços educativos que promovam reflexão crítica e valorização de suas culturas. Temas como demarcação de terras, políticas públicas e cidadania indígena ganham destaque no cenário contemporâneo, exigindo abordagem interdisciplinar no ambiente escolar e/ou acadêmico.
É com essa fundamentação que nasce o Abril dos Povos Originários 2026, previsto para o dia 23 deste mês. Será um momento de reunir toda a comunidade em torno de aprendizagens que conectam saberes artísticos, socioculturais e políticos. "Jacobina possui um histórico de ocupação territorial que envolve violências contra povos originários. Ao propor um evento que combine arte, como música e cinema, ao lado de debates estruturais e significativos, busca-se promover formação ampla, com base nos princípios da educação antirracista, interculturalidade crítica e do compromisso social do IFBA com as populações historicamente marginalizadas", destaca trecho do projeto do evento.
"O mês de abril é marcado por reflexões fundamentais acerca dos povos originários no Brasil, especialmente no contexto escolar e acadêmico. A data dos Povos Indígenas, 19 de abril, tem sido ressignificada por muitas comunidades e instituições, como o Dia de Luta e Resistência dos Povos Indígenas, rompendo com visões folclóricas e coloniais. No diálogo com a Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura indígenas na educação básica, o evento busca envolver a comunidade acadêmica e externa em uma imersão crítica e sensível à causa indígena, além de promover a valorização das culturas indígenas contemporâneas, estimular o pensamento crítico e fortalecer a formação cidadã no âmbito da educação básica, profissional e tecnológica." - Trecho do projeto
Entre as ações previstas estão cine-debate, apresentações artístico-culturais, exposições, salas temáticas e palestra.
PROGRAMAÇÃO
A mesa de abertura ocorre às 7h30 da quinta-feira, 23, contando com representações das Direções Geral e de Ensino, além do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do campus. Em seguida, será a vez do audiovisual, por meio da exibição do documentário Somos Guardiões*, e do Intervalo Musical, coordenado pelo Núcleo de Arte e Cultura (NAC).
*No coração da Amazônia brasileira, um grupo de ecoativistas, proprietários de terras e indígenas guardiões da floresta se posiciona contra o desmatamento desenfreado.
Também haverá visitação ao Corredor Temático, contendo representações da cultura indígena contemporânea, bem como ao Painel Artístico, representando a diversidade e os saberes astronômicos indígenas, no diálogo entre ciência e ancestralidade.
"Trata-se de uma atividade que busca dar visibilidade ao conhecimento dos povos indígenas brasileiros sobre os céus. É comum reconhecermos algumas constelações a partir da mitologia grega, como o Cinturão de Órion, popularmente identificado como as Três Marias na tradição cristã. No entanto, pouco conhecemos da interpretação dos céus a partir da cosmovisão índigena. Esse mesmo conjunto de três estrelas alinhadas é reconhecido pela etnia tupi-guarani como a Constelação do Homem Velho. Sua aparição está relacionada a eventos climáticos como seca ou períodos chuvosos. A atividade será realizada por estudantes do 1º ano, que farão uma exposição através de painéis, utilizando LEDs e materiais de baixo custo", explica o professor dr. de física Angevaldo Maia.
A 2ª edição da exposição Ecos da Aldeia, organizada pela Associação Artística e Cultural Calmonense, estará em nosso campus no turno matutino, enriquecendo o evento.

Integram a comissão organizadora do evento docentes de diferentes áreas do conhecimento, como história, filosofia, pedagogia, educação especial, física e computação.
Às 19h, a docente convidada Cláudia Vasconcelos (Uneb - Campus IV) falará sobre Cidadania, Arte e Expressões Culturais dos Povos Originários do Brasil. Coordenadora do projeto de pesquisa e extensão Arribar o Céu: artes, saberes e histórias dos sertões indígenas e afro-brasileiros, além de artista e escritora, Cláudia atualmente está na assessoria da mestra do saber Aurivone Ferreira, com a qual compartillha o grupo Vone Ferreira e o Cocobando, em iniciativa extensionista do IFBA-Jacobina voltada para o samba de coco na formação docente.
Às 20h30 o maestro Jal Nunes se apresenta com o projeto Arte de Tocar, encerrando a programação.
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