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V Semana da Inclusão e VII Setembro Surdo: Confira os destaques dos eventos

por Verusa Pinho publicado: 26/09/2024 12h24, última modificação: 29/10/2024 14h09

"Ampliar o diálogo sobre a importância de se construir uma sociedade inclusiva, na qual as pessoas com deficiências não apenas tenham seus direitos garantidos, mas também sejam protagonistas na construção de um futuro mais acessível, igualitário e equânime" foi o que propôs trecho do projeto integrador da V Semana da Inclusão e do VII Setembro Surdo do Campus Jacobina do IFBA, que aconteceram de 24 a 26 de setembro.

      

O 1º dia de atividades foi marcado pelas salas temáticas, que relacionaram conhecimentos dos cursos técnicos à inclusão, abrangendo eixos como gênero, raça, classe e sexualidade; ciência e tecnologia; comunicação e artes; educação; política; saúde; turismo, cultura e esportes.

Romilson (pessoa surda) e outros estudantes de informática, ao lado da intérprete de Libras Agda Medrado, fazendo o sinal do app LogiLibras

Os estudantes desenvolveram desde sites e apps a dispositivos, como mão mecânica, andador e óculos VR, utilizando a plataforma Arduino e materiais de baixo custo. O estudante surdo Romilson Evangelista, por exemplo, participou da elaboração de um glossário da área de informática, que será tema de seu trabalho de conclusão de curso. Ele, que não sabia Libras, aprendeu a Língua Brasileira de Sinais ao ingressar no Instituto. 

Iasmin

Para Iasmin Menezes, pessoa cega que está no 1º ano do curso, o acolhimento encontrado no IFBA, sobretudo por parte dos professores, têm contribuído para a inclusão: "No começo foi difícil, fiquei muito tímida, mas as pessoas me acolheram. A Semana de Inclusão é ótima para perceberem que as PcDs podem se incluir na sociedade do jeito que são; 'a gente é capaz de tudo, de qualquer coisa!'", pontuou.

"Acho que a área de computação é a base da acessibilidade. Tenho dificuldade com algumas teclas e pontuações, que os programas ainda não leem, mas os professores têm se juntado pra procurar a melhor forma de me ajudar, buscando e desenvolvendo ferramentas inclusivas", acrescentou.

Mariane
Já a colega Mariane Costa, 2º ano de eletromecânica e pessoa com baixa visão, declarou que, apesar da deficiência, muitos sonhos já foram realizados: "Os eventos ajudam as pessoas que não são deficientes a respeitar mais e ajudar as PcDs, incluí-las e, acima de tudo, serem amigas, parceiras. Eu conheci Iasmin aqui, o que tem me ajudado muito na autoaceitação", comentou.

Ainda na terça-feira, oficinas e apresentações de trabalhos movimentaram o campus, com a facilitação de profissionais da casa e convidados, como o próprio Romilson, ao lado da intérprete de Libras Iara Martins; o professor da área de computação Iuri Wanderley e a convidada Vivian Magalhães (Letras-Libras). Os assuntos em evidência foram Libras para Todos; Língua Portuguesa como segunda língua para os surdos e a utilização de Prancha de Comunicação Alternativa (PCA) por pessoas com deficiência física não-verbais.

"O projeto integrador emerge de uma necessidade identificada pelas servidoras e servidores do campus de articular os eventos com as atividades desenvolvidas em sala de aula. Em parceria com o ensino e os docentes, pesquisas culminaram na produção de materiais para exposição em formato de salas temáticas, que deram a cara da 1ª Feira de Inclusão do campus . Há também outros produtos educacionais que estão sendo divulgados nas redes. Estudantes e professores se engajaram na proposta e desenvolveram um trabalho excelente!", destaca Daniel Neto, coordenador da Coordenação de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Capne) e integrante da comissão organizadora da V Semana de Inclusão/VII Setembro Surdo.
... "a palavra é onde o corpo ganha forma e acessa realidades diferentes!"... trecho da fala da convidada Vanessa Reis, assistente social, escritora e integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência
... "as PcDs podem se incluir na sociedade do jeito que são; 'a gente é capaz de tudo, de qualquer coisa!'" - trecho da fala da estudante Iasmin

No 2º dia dos eventos, acessibilidade visual e o protagonismo da pessoa com deficiência na ficção literária estiveram em foco através de mesa-redonda com Vanessa Reis, assistente social, escritora e integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e da professora Cristina Reis (IFBA Salvador). Eliene Sales, pedagoga  e integrante da comissão organizadora, mediou a mesa, apresentando as facilitadoras como "grandes mulheres, que se re-existem".

Ao interagir com o público por meio de questionamentos, Vanessa indagou: "Quantos autores e protagonistas com deficiência vocês já leram? Pra mim a literatura é a casa da diversidade; 'a palavra é onde o corpo ganha forma e acessa realidades diferentes'. Precisamos que vocês, pessoas sem deficiência, possam fazer o possível para que os nossos próximos dias não sejam marcados como dias de luta; precisamos de conforto também, e celebrar!", disse.

Momento Formacional

No turno vespertino da quarta-feira, 25, minicurso com a profa. dra. Susana Pimentel (UFRB) tratou das metodologias de ensino inclusivas como momento formacional para os servidores do campus. A atividade contou com mediação do professor de atendimento educacional especializado (AEE), Ideilton Alves. 

Já a noite foi destinada à mesa-redonda sobre Capacitismo: barreiras à inclusão e ao protagonismo das PcDs, com as profas. Sabrina Nascimento (IFBA Lauro de Freitas) e Elen Gomes (IFBA Porto Seguro). A atividade foi remota, com transmissão pelo Youtube e mediação da profa. Tathiane Mendes.

No 3º  dia, 26, data dedicada nacionalmente aos surdos, houve apresentação teatral na qual estudantes representaram situações em que os surdos não são compreendidos. Em seguida, houve mesa-redonda voltada para o eixo mundo do trabalho e protagonismo surdo, com o prof. de Libras convidado Rafael Almeida, empresário e proprietário da IL Sordo (Salvador/BA).

Na ocasião, o diretor-geral do campus,  Jorge Ney, parabenizou a comissão organizadora dos eventos e ressaltou a relevância social do tema. A história de vida do palestrante foi citada como "inspiradora" e rendeu depoimentos do público presente, com destaque para a comunidade surda do Colégio Municipal de Jacobina (Comuja), incluindo docentes, estudantes e familiares. 

Tauany, Robisvânia, Maria de Lourdes, Weverson e profa. Gabriela (Comuja)

De acordo com a professora de Libras e AEE do Comuja Gabriela Souza, que acompanhou o grupo, os eventos são uma maneira de dar visibilidade aos surdos e à Língua de Sinais, através de referências. "Eles precisam acreditar no próprio potencial; oportunidades como essa são fundamentais".

Para Maria de Lourdes de Jesus, mãe do jovem Weverson Oliveira, que está no 9º ano do Fundamental II e é uma pessoa surda, conhecer a trajetória de Rafael foi um estímulo para superar obstáculos. "Sabemos a dificuldade para 'correr atrás' da inclusão nos serviços básicos, como saúde e educação; a falta de compreensão da sociedade ainda é grande. Hoje, aqui no IFBA, me senti renovada!". 

Tauany Costa, 16, pessoa surda, que desde o ano passado participa dos eventos, afirma ter ficado "de boca aberta" com o palestrante: "Ele enfrentou muitos desafios na comunicação, assim como eu. Saber que ele conseguiu ser professor e empreendedor me faz ter perspectiva. Quero fazer veterinária e isso me motiva a alcançar meu objetivo".

Já para Robisvânia Carneiro, mãe da pequena Maria Carolina, de 7 anos, que vem diariamente de município vizinho (Caém) para as aulas no Comuja, foi muito gratificante a experiência no Instituto: "Quando você é mãe de uma criança surda, ocasiões como essa nos dão coragem. Creio que minha filha pode estudar, ter uma profissão e ser independente", compartilhou. 

Pela tarde, aconteceram as oficinas Construção de Glossário Terminológico em Libras dos Locais Turísticos de Jacobina, com a estagiária da Capne, Jessica Carolaine, e Escrita em Braille, com a estudante Iasmin.

         

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