Você está aqui: Página Inicial > Campus Jacobina > Notícias Campus Jacobina > 2024 > Julho das Pretas: Confira os destaques da 3ª edição do evento
conteúdo

Julho das Pretas: Confira os destaques da 3ª edição do evento

O encerramento foi marcado por mesa-redonda virtual, através do nosso canal no Youtube: WebTVIFBAJacobina
por Verusa Pinho — publicado: 01/08/2024 11h37, última modificação: 27/09/2024 11h07

Durante dois dias, o Campus Jacobina do IFBA realizou uma série de atividades voltadas para o Julho das Pretas, evento que integra o calendário acadêmico e está em sua 3ª edição.

Com o tema Trabalho Doméstico e a Interseccionalidade de Raça e Classe, o evento contou com apresentações artístico-culturais, além de exposições, oficinas e mesas-redondas.

O 25 de julho foi instituído como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra pela Lei nº 12.987/2014. 
No 1º dia, 31, o destaque foram as exposições e oficinas. Para Sabrina Rodrigues, 2º ano de mineração, participar da organização da exposição Quarto de Despejo, baseada na obra de Carolina de Jesus, foi uma experiência nova e divertida: “Foi muito legal conhecer o livro e sua autora, tão importantes e citados nos vestibulares, mais ainda desconhecidos por muitos, até em espaços como as bibliotecas tradicionais. O livro trata de tantas coisas: racismo, desigualdade social, pobreza, fome... a luta de uma mulher negra, mãe solo, favelada, dos anos de 1950, que conseguiu escrever e publicar um livro com apenas dois anos de alfabetização formal. O processo foi incrível, estou feliz por termos montado esta exposição em tão pouco tempo!”, comentou a jovem.
      

Já a exposição de pinturas envolveu estudantes de todas as formações técnicas integradas ao ensino médio, sobretudo dos anos iniciais, sob coordenação da professora de artes Graziela Santana, mestranda em Desenho, Cultura e Interatividade e também licenciada em História. A docente ainda foi facilitadora da oficina Imagem Cruzada: Colagem Manual, que atrelou a técnica artística à temática do evento: “O objetivo da atividade foi criar painéis com recortes inspirados em dois filmes - Que horas ela volta e Histórias cruzadas -, que retratam o trabalho doméstico da mulher que abandona o próprio lar para cuidar de filhos que não são seus”, explicou. 

  

Na quinta-feira, 1º de agosto, foi o momento da dança e poesia, com a presença de integrantes do grupo Quilombo Erê. Na mesa solene estiveram presentes os diretores geral e de ensino, Jorge Ney e Washington Pereira, respectivamente; a professora de geografia Juliana Petronílio e a estudante do 2º ano de mineração Vitória França.

Na ocasião, os diretores destacaram a relevância social do tema e parabenizaram a comissão organizadora. Já a docente Juliana questionou o público quanto à invisibilidade das influências negras, mesmo em tempos de redes sociais: "Que os espaços sejam ocupados por nós, mulheres pretas, porque, além do racismo, estamos falando sobre uma questão feminina. O Julho das Pretas deve estar em nossas ações cotidianas, nas pequenas ações", disse.

A discente Vitória, que também integrou a equipe de montagem da exposição Quarto de Despejo, aproveitou o momento para descrever a história do diário e da vida da autora: "Carolina de Jesus não foi alfabetizada, mas se tornou uma grande escritora; é uma referência para nós, mulheres negras. A jovem fez um paralelo com a própria trajetória, citando o orgulho da mãe por ter duas filhas estudando no IFBA. "Ela também precisou trabalhar como doméstica para nos sustentar", acrescentou.

A membro-fundadora da Associação Atabaque Quilombo Erê, situada no bairro da Bananeira, Edna Moreira, que é chef de restaurante quilombola e professora de dança, citou a importância da regularização dessas comunidades e da assistência desenvolvida pelo grupo, considerado o 1º quilombo urbano de Jacobina e região.

  

   

         

Ainda no turno matutino, houve mesa-redonda composta pelas convidadas Jane de Sá, advogada e mestra em educação e diversidade com foco nos direitos humanos e educação antirracista; Lúcia Fabiana da Silva, professora, mestra em crítica cultural e pesquisadora da educação quilombola, e Mayanara Costa, mestra, especialista em gênero, raça e sexualidade, bem como professora de comunidade quilombola.

Em sua fala, Lúcia contestou o uso do termo "empregado" como fruto do preconceito relacionado a essa classe trabalhadora. Na sua apresentação, exibiu trechos do documentário Laudelina, suas lutas e conquistas, ativista negra e pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil, bem como fundadora do Sindicato das Empregadas Domésticas. "O imaginário que ainda permeia na cabeça das mulheres brasileiras que têm uma funcionária dentro de casa é da 'obrigação da perfeição'. Não vivemos apenas de resistência e da força da ancestralidade; precisamos ser bem remuneradas também!", pontuou.      

À noite, o encerramento do evento ficou por conta de mesa-redonda virtual, com Chirley Pereira Santos, ex-empregada doméstica e atualmente advogada, e Janaína Costa, doutoranda em política social, mestra em história, quilombola, além de idealizadora e apresentadora do podcast Quadro de Empregada e produtora do perfil Ela é só a babá no Instagram.

Acompanhe os detalhes aqui