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Estudante do campus é selecionada para intercâmbio em Cabo Verde

Carolaine Carvalho, graduanda da Licenciatura em Computação, foi a 6ª colocada numa turma de 50 bolsistas
por Verusa Pinho — publicado: 14/10/2024 10h31, última modificação: 15/10/2024 14h15

Iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes),  o edital Caminhos Amefricanos tem por objetivo combater o racismo e promover a igualdade racial no Brasil, por intermédio de intercâmbios de curta duração no exterior, particularmente, em países africanos, latino-americanos e caribenhos. 

Para Cabo Verde, candidataram-se estudantes pretos, pardos e quilombolas regularmente matriculados a partir do 5º semestre dos cursos de licenciatura de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas brasileiras. Dentre os selecionados na turma de 50 bolsistas para o referido país africano está a estudante do Campus Jacobina Carolaine Carvalho, 26, que ficou em 6º lugar na classificação geral.

Carolaine integra o Núcleo Local de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) há mais de um ano. Agora terá a oportunidade de passar 15 dias junto à Universidade de Cabo Verde. Mas antes da partida, prevista para o mês de dezembro deste ano, ela fará curso preparatório online sobre a história e cultura do país africano. Por lá, estão previstas desde visitas guiadas em escolas, locais históricos e museus a rodas de conversas com movimentos sociais cabo-verdianos. Após a vivência, a jovem relatará a experiência através de artigo científico e conteúdos relacionados com base em seu diário de campo, no intuito de elucidar as aproximações e os distanciamentos existentes entre Cabo Verde e o Brasil.

O SONHO SE TORNANDO REALIDADE...

"Eu sempre sonhei em ser professora, por isso escolhi o curso de Licenciatura. Desde muito nova gosto de fazer edições e criar coisas em ambientes digitais. Desde que ingressei no IFBA tenho me dedicado a aprender sobre diversas áreas da educação, incluindo gestão, ensino e aprendizagem. Fui bolsista do Programa de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) por 18 meses, o que me proporcionou experiências valiosas na rede pública de ensino básico. Os Estágios Supervisionados I e II me permitiram explorar novas ideias e realizar experimentos em salas de aula do Ensino Fundamental I. Participei de eventos científicos, apresentando projetos e atividades desenvolvidos durante minha formação. Além disso, fui membro do Colegiado do Curso e do Conselho de Campus como representante estudantil, o que me impulsionou a buscar a colaboração de outros colegas para fundar o Centro Acadêmico da Licenciatura em Computação do Campus Jacobina em 2023", explica Carolaine.

Para a jovem, nos dias atuais é indispensável um profissional de Licenciatura em Computação nas escolas: "É ele quem vai preparar os estudantes para a sociedade cada vez mais digital, conscientizar sobre a utilização desses mecanismos, seus impactos e segurança. Me sinto realizada com a minha escolha!", relata. 

"A EDUCAÇÃO TEM O PODER DE TRANSFORMAR PESSOAS E ESPAÇOS!"

Visando à universidade inclusiva, que valorize a diversidade e promova a igualdade de oportunidades para todos os estudantes, a jovem conta que, mesmo nas atividades curriculares obrigatórias (que não envolvem diretamente estudos de gênero e raça), esses temas surgem frequentemente em discussões de sala de aula, devido aos inúmeros problemas sociais, que demandam estudo e discussão cuidadosa.

"O Neabi tem sido uma solução para essas questões, proporcionando diversas trocas de saberes. Por meio do Núcleo, temos a oportunidade de conhecer e compartilhar histórias que muitas vezes não nos são contadas, que parecem esquecidas, como a dos povos originários e a diversidade de culturas que encontramos neste país", pontua. 

Natural de Caatinga do Moura, Carolaine faz parte da Associação Comunitária Art do Quilombo Berimbau. "Acredito que este intercâmbio em Cabo Verde terá grande impacto em minha trajetória profissional. Conhecer mais das minhas raízes e buscar estratégias para falar mais sobre a (r)existência negra, colaborar na educação antirracista e buscar outras conquistas serão parte fundamental desse processo. A educação tem o poder de transformar pessoas e espaços. Quero estar em constante crescimento e transformação!", destaca.