Estudantes e professores de mineração realizam visita técnica à Cooperativa Mineral da Bahia
No fim do mês passado, cerca de 40 alunos do último ano das formações técnicas integrada e subsequente ao ensino médio de mineração do Campus Jacobina do IFBA, ao lado de sete docentes, estiveram em Pindobaçu, no distrito de Carnaíba, realizando visita técnica multidisciplinar na Cooperativa Mineral da Bahia (CMB), lavra garimpeira responsável pela extração de minérios na região.
A iniciativa foi idealizada pelo docente José Torres, mestre em geologia, e responsável, entre outras, pelas matérias de Mineração e Legislação Ambiental e Informática Aplicada à Mineração, em parceria com mais seis professores, incluindo o coordenador do curso, Frederico Fava.
Possibilitar aos estudantes o conhecimento da realidade contextualizada, ao estar em um local de exploração, foi o foco da visita, que ainda contou com o uso de instrumentos específicos, como bússola e GPS, ao lado de anotações em caderneta de campo.
Estiveram envolvidos conhecimentos das áreas de Operações de Lavras de Minas e Equipamento de Mineração e Aplicações, ministradas pelo prof. Jonei Costa; Segurança, Meio Ambiente e Saúde (Marcelo Linon); Geologia de Minas (Baldoíno Dias); Concentração Mineral e Estabilidade e Desmonte de Rochas (Rodrigo Luís), Prospecção e Pesquisa Mineral (Frederico Fava) e Biologia (Bruna Oliveira).

ALIANDO TEORIA À PRÁTICA

"Os discentes saíram com os olhos brilhando, sentindo-se inseridos na profissão, no mundo de trabalho. Devido à pandemia, estamos intensificando as atividades práticas para os formandos, a fim de suprir a carência pelos dois anos de estudos remotos", comenta Torres.
Durante a visita, as turmas foram orientadas a identificar e classificar as rochas e os minerais, por meio da descrição e medição macroscópica dos afloramentos visitados e seus elementos estruturais. Na ocasião, ainda coletaram amostras e fizeram fotografias para posterior interpretação dos dados e análises laboratoriais.
Compreender o processo de lavra local, ao lado dos métodos, equipamentos e das normas de segurança do trabalho envolvidos, além dos aspectos sócio-culturais, como a rotina das quijilas, mulheres dos garimpeiros, que fazem a quebra das rochas, também fez parte do rol de atividades propostas pelos docentes.
Além da região das minas e do local de lapidação, a equipe do IFBA ainda conheceu o comércio local, onde as esmeraldas, em especial, são vendidas de forma bruta. "Tivemos aulas na superfície e no subsolo do garimpo. Conhecemos minérios e rochas de importância tanto econômica quanto acadêmica. A Carnaíba é um paraíso geológico com informações acerca da história da Terra. Vemos, na administração da cooperativa, um grande esforço, união e articulação dos envolvidos para a melhoria do processo de trabalho. Nosso objetivo é somar o conhecimento técnico-científico com o saber empírico dos garimpeiros, contribuindo para alavancar a renda e qualidade de vida da população, ao reduzir as desigualdades sócio-econômicas. É preciso profissionalizar a cultura de lapidação! Acreditamos que o novo campus do IFBA, que caminha para ser implementado no município de Campo Formoso, possa atender a essa demanda de profissionalização, encurtando a distância entre os mineradores e os compradores finais", explica o docente.
Para a jovem Samara Almeida, 18, formanda do curso integrado ao ensino médio, "a Serra de Carnaíba é um grandioso tesouro de esmeraldas que temos o prazer de ter por perto". "Essa visita foi essencial para uma melhor compreensão da teoria que vemos no curso, interligando diversas disciplinas e servindo para o nosso amadurecimento técnico. Poder conversar com os profissionais e observar de perto a realidade nos fez perceber a grandeza que ainda temos a conquistar", comenta a estudante.
Já o colega Anthoni de Souza, 28, 3º semestre da formação (subsequente), destaca a contradição do lugar: "É um ambiente muito rico e muito pobre ao mesmo tempo. São 60 anos de história do garimpo na região, no entanto, ainda falta muito pra ajudar a sociedade local, sobretudo os trabalhadores. Todo o processo ainda é bastante 'primitivo' aos olhos de quem está acostumado com alta tecnologia e mineradoras de nível internacional", comenta. Para ele, "a experiência foi incrível", ao ter contato direto com os métodos aplicados. Para o trabalho de conclusão de curso, Anthoni está desenvolvendo estudo sobre o tratamento manual e primário aplicado aos rejeitos e sua relação com alternativas de beneficiamento.
PRÓXIMOS PASSOS

Agora os estudantes compartilharão os aprendizados da visita através de seminários temáticos. O Projeto Esmeralda acontece na primeira semana de maio e reunirá os discentes da forma integrada.
"Estamos mirando projetos que possam alavancar a exploração dos minérios, não apenas da esmeralda, mas de outras pedras preciosas, como alexandrita e ametista".
"O potássio presente nas rochas flogopitíticas que compõem o rejeito, fruto da extração da esmeralda, por exemplo, poderia ser usado na agricultura, alimentando e ajudando o meio ambiente. Além de dar a destinação ambiental correta, tornaríamos esse rejeito valioso", conclui Torres, que já planeja outra visita técnica, desta vez a Campo Formoso, para conhecer a mina de cromo com os discentes.
A visita do IFBA à CMB também será pauta da próxima edição da revista impressa da cooperativa. Para o presidente da CMB, Humberto Meneses, foi uma oportunidade proveitosa: "Agradecemos ao Instituto por essa interação. Estamos de portas abertas. Voltem sempre!".


