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Evento celebra encerramento do curso de formação para a diversidade

Ação foi aberta ao público e aconteceu no dia 13 de fevereiro
por Verusa Pinho publicado: 03/02/2020 08h17, última modificação: 27/02/2020 10h52

Mesas-redondas sobre Libras, educação de surdos, deficiência visual, relações étnico-raciais, gênero e sexualidade estiveram em foco no auditório do Campus Jacobina do IFBA no dia 13 de fevereiro.

educandos formando semicírculo em sala de aula

Das 14h às 17h, os formandos do curso de extensão “Formação Continuada Docente: a Diversidade como Princípio Educativo” compartilharam saberes com a comunidade, com destaque para os trabalhos desenvolvidos ao longo de seis meses de aprendizado.

“Ovulário Integrador” foi a expressão escolhida para a apresentação das equipes, uma referência à necessidade de desconstruir a linguagem machista que prevalece tanto nos discursos quanto na escrita, feminilizando processos e dando visibilidade às mulheres e suas lutas.

Durante o encerramento, também houve apresentações culturais, entrega de certificados e homenagem aos professores mediadores.

Fique por dentro

Coordenada pelas pedagogas do IFBA Eliene Sales e Indaiara Silva, em parceria com o técnico em assuntos educacionais Daniel Neves, o técnico em informática, Hélder Oliveira, e o transcritor de Braille, Herculano Nunes, além de colaboradores externos, a iniciativa teve carga horária de 160 horas, sendo 88h presenciais e 72h a distância, contemplando seis módulos, com o trabalho de conclusão de curso (tcc). 

cinco estudantes reunidos em torno de mesa para a construção do ovulário

Além de servidores e estudantes do Instituto, professores das redes municipal e estadual de ensino compuseram a turma. Estudos de caso, rodas de conversa e análise da legislação vigente são exemplos da metodologia adotada pelos facilitadores, inspirada na aprendizagem baseada em problemas. 

Para a formanda Rebeca Neri, graduanda da área de Educação Especial, participar do curso “foi uma experiência maravilhosa”: “Com a diversidade de alunos, fica cada vez mais desafiador o trabalho em sala de aula. Achei importante cada tema abordado nos cinco módulos estudados, como a exclusão de alunos com deficiência, o preconceito em relação aos negros na sociedade, a violência contra a mulher, discursos de ódio, bem como a importância de um intérprete de Libras na escola. Mudei minha opinião quanto à cota para negros nas universidades e sobre o ensino de gênero e sexualidade nas escolas, temas dos quais eu era contra e hoje sou a favor”, comenta.

atividade prática em sala de aula com colaborador cego

Na opinião de Laiane Silva, formanda da Licenciatura em Computação ofertada pelo IFBA, a formação foi enriquecedora tanto para a sua vida pessoal quanto acadêmica, ao apresentar formas de como abordar esses temas em sala de aula. “Estamos tão acomodados com tudo que nos é imposto e dito como verdade que sair da nossa zona de conforto e buscar mais conhecimento sobre todas essas diversidades que nos cercam chega a ser espantoso! São muitos mitos, tabus e preconceitos a serem quebrados”, pontua.

formandos alinhados no centro da sala posando pra foto

Maynara Costa, mestranda em Educação e Diversidade pela Uneb e professora de Língua Portuguesa e Libras, citou a transdisciplinaridade como ponto forte do curso. “Não só no aspecto da celebração, mas, sobretudo, na perspectiva cultural, inclusiva e política, a formação foi um divisor de águas! Como mulher, negra, pobre, criada por mãe solteira, vinda de escola pública, formada em universidade pública e professora, rememorei toda a minha trajetória com um sentimento paradoxal de alívio, por estar onde estou, mas também de dor, por considerar a injustiça social pela qual passamos. A esperança nasce quando mulheres como eu levantam-se em luta para enfrentar o racismo estrutural”, ressalta. 

Para a professora mediadora voluntária Lúcia Fabiana, mestra em Crítica Cultural, oportunizar a professores de vários lugares o repensar das práticas cotidianas e a construção de novos caminhos para uma educação equitativa foi o diferencial do curso. “Precisamos reconstruir essa ideia de igualdade justamente pelo contrário: Nós somos diferentes e a gente precisa ser respeitado nessas diferenças! Achei fantástica a diversidade de áreas dos integrantes da turma, o que dialogou diretamente com a proposta da formação”.

Fotos: Acervo dos cursistas

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