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Servidores apresentam glossário inédito de termos técnicos em Libras durante evento regional

Conceitos Específicos da Área de Mineração são o foco do material
por Verusa Pinho publicado: 22/10/2019 09h15, última modificação: 05/11/2019 09h22

A Construção de Sinais-Termos em Libras de Conceitos da Área de Mineração: Relato de Experiência no Instituto Federal de Educação da Bahia, Campus Jacobina. Esse é o título de artigo desenvolvido pelo técnico em assuntos educacionais Daniel Neves, em parceria com a pedagoga Eliene Sales, e as intérpretes de Libras, Agda Medrado e Érica Lima, aprovado para apresentação no II Encontro de Pesquisadores de Língua de Sinais do Recôncavo da Bahia, que aconteceu em Amargosa, de 23 a 25/10. A maioria dos autores integra o Núcleo de Apoio às Pessoas com Deficiência (NAPNE) do campus.

O estudo é fruto de projeto de incentivo à aprendizagem (Pina), realizado no âmbito do Programa de Assistência e Apoio ao Estudante (Paae), intitulado Videoteca de saberes em Libras: construção visual da aprendizagem, que reúne uma série de gravações sobre formas de cumprimento, verbos, sentimentos, bem como termos técnicos específicos da área de mineração. Além de profissionais, a proposta contou com a participação de estudantes bolsistas, ao lado da única aluna surda do campus, Heveli Castro.

estudante Heveli, no palco do auditório, explicando a origem e o significado do Setembro Azul

Utilizado como recurso pedagógico para estudantes surdos e docentes, o “glossário técnico”, lançado durante a I Semana da Inclusão e III Setembro Azul, já tem contribuído com o processo formativo.  “As ações desenvolvidas favoreceram a inclusão da discente surda, promovendo a disseminação da  Libras no espaço escolar, ao envolver  ouvintes (docentes, estudantes, técnicos administrativos e funcionários  terceirizados), e a própria aluna surda, numa ação colaborativa, que contribui tanto para a promoção das  diferenças  linguísticas quanto para a aprendizagem significativa a partir de conteúdos acessíveis”, comenta Daniel.

Para Heveli, os sinais são essenciais no aprendizado. Com auxílio da intérprete de Libras Érica, a jovem revelou os desafios para compreender os conteúdos técnicos antes dos sinais. “Era muito difícil memorizar palavras. Agora, que é mais visual, entendo bem mais fácil”, pontua. De acordo com Heveli, a partir de então, participar de eventos da área no âmbito institucional, e até os atendimentos com os docentes, tornaram-se atrativos e dinâmicos.

Nas palavras de Érica, a comunicação entre ela e a estudante surda por meio dos novos sinais foi otimizada, sobretudo no contexto dos assuntos específicos da área técnica.

Sem os sinais-termos criados, as intérpretes tinham que usar datilologia (como se fosse a soletração no ar das palavras em língua portuguesa utilizando o alfabeto manual), algo de difícil compreensão para os surdos, pois remete à escrita do português, que é uma segunda língua para eles, com status de língua estrangeira, portanto, apresentando várias limitações”, acrescenta o técnico em assuntos educacionais.

Em andamento, encontra-se o registro escrito e inédito dos 37 sinais-termos criados por  meio do sistema norte-americano SignWriting, utilizado por comunidades surdas e universidades em vários países, inclusive no Brasil, através da Plataforma Web SignPuddle Online, que possibilita o acesso a vários dicionários onlines de escrita de sinais, a exemplo do Português-Libras, permitindo o registro colaborativo. 

Fique por dentro

Para a organização da videoteca, a equipe realizou pesquisas em sites especializados, além de gravações autorais, contando com a colaboração do técnico em audiovisual Carlos Santana, do técnico dos laboratórios de informática Hélder Oliveira, e dos docentes Talita Gentil, Frederico Fava Zogheib e Mariana Gonçalves.

profa. Talita

profa. Mariana

prof. Fred no lançamento do glossário

 

   

 

 

 

A dinâmica acontecia da seguinte maneira: uma especialista em Libras e a aluna surda interpretavam o significado da palavra a partir das imagens mostradas e dos conceitos descritos pelos docentes, criando o sinal de modo conjunto. Posteriormente, os sinais eram gravados e publicados em formato de vídeo.

O primeiro sinal-termo criado foi para o conceito de “cristalografia” A ideia para esse sinal surgiu da junção do sinal já existente para “cristal”, ao qual foi acrescentado o movimento das mãos em “L”, representando visualmente as diversas formas de cristais, que lembram figuras geométricas.                                                         

intérprete de Libras Érica fazendo o sinal referente à cristalografia; montagem retirada do artigo
                                                                                                  

“Os professores continuam contribuindo com a construção de novos sinais e possíveis adaptações”, destaca Érica. Segundo a docente Talita, que é geóloga e abordou o tema educação inclusiva em especialização, dominar a Libras em sala de aula é o principal desafio. "Cada nova disciplina traz conteúdos a serem adaptados. É um processo continuado, mas os primeiros passos foram dados".

Saiba Mais 

https://napneifba.wixsite.com/napneifbajacobina/mineracao

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