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História, memória e resistência caracterizam a Semana da Consciência Negra do Campus Jacobina

publicado: 20/11/2019 17h25, última modificação: 22/11/2019 15h55

Zumbi dos Palmares e todas as lideranças da luta e resistência dos povos afro-brasileiros. Esse foi o tema central da  Semana da Consciência Negra 2019 do Campus Jacobina do IFBA.

Na mesa de honra, estiveram os diretores geral e de ensino, Beliato Campos e Andson Rocha, ao lado de representantes estudantis e do presidente da comissão organizadora do evento, o prof. Joallan Rocha.

Paralelamente ao credenciamento, duas exposições já compunham o cenário do salão de entrada do campus na terça-feira, 19. Literatura, africanidades, musicalidade e artes plásticas são o foco das diversas fotografias e dos cartazes expostos.

         

Tanto os mestres de cerimônia, os docentes Angevaldo Maia e Isis Moreira, quanto os demais componentes da mesa destacaram aspectos históricos da data, bem como a importância do passado para a compreensão do presente e construção do futuro. Convidando toda a comunidade para participar ativamente dos três dias de atividades, sobretudo os diretores citaram a vasta programação da Semana e o compromisso do Instituto com ações que ultrapassem a sala de aula e envolvam toda a sociedade.

A recente criação do Núcleo Central de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do IFBA, como espaço de formação para fomentar estudos, pesquisas e atividades sobre as temáticas que atravessam as experiências das populações afro-brasileiras e indígenas, também esteve em evidência. Na sua fala, uma das representantes locais do núcleo, a aluna do curso técnico integrado de mineração Jusciana Oliveira, disse: “Estamos aqui pra gritar pelos nossos direitos na cara da lei e dos governantes. Essa é a realidade! Precisamos dar voz e conhecimento às populações negras para evitar o extermínio que ainda acontece em nosso país”. O colega Ciro Rodrigues, integrante do grêmio estudantil, complementou: “Se Palmares não vive mais, faremos Palmares de novo!”

Elencando as leis que tornaram obrigatório o ensino da história afro-brasileira e indígena nas instituições da educação básica do país, o diretor geral, Beliato Campos, lembrou as adaptações e propostas que o Instituto têm realizado para contemplar a temática no cotidiano escolar, sendo exemplo o evento em questão, finalizando sua participação com o seguinte pensamento: “Respeito não tem cor, gênero ou classe, mas consciência!". 

Na conferência de abertura, a professora convidada Karine Damasceno, doutora em História Social com ênfase em História do Brasil, contextualizou o mito da democracia racial com momentos que marcaram séculos e décadas, como a escravidão, atualmente considerada crime contra a humanidade, e o movimento Black Power, de 1970, que visava a autodeterminação dos povos africanos e seus descendentes, através de ações no âmbito político-cultural voltadas para os interesses coletivos dos negros. Ao mencionar o cenário acadêmico, ela ressaltou o eurocentrismo ainda presente nas universidades brasileiras, explicando que houve redirecionamentos devido às denúncias do movimento negro, levando à criação das políticas afirmativas.

Na noite do primeiro dia de evento, ainda houve palestra sobre raça, gênero e classe com a professora e filósofa convidada Zilmar Alverita, doutora em ciências sociais e mestra em estudos interdisciplinares e feminismo.

Nas tardes das terça e quarta-feira, 19 e 20, foia vez das oficinas, dos minicursos e cines-debate. Dentre os temas discutidos, sobressaíram-se estética negra, racismo, empoderamento e apropriação cultural, através de oficinas de penteados afros e minicurso sobre empreendedorismo criativo, além de personalidades negras na ciência e cultura, com os cines-debate dos filmes Pantera Negra, famoso por seu elenco majoritariamente negro, e Estrelas além do Tempo, que retrata a trajetória de equipe de cientistas da Nasa formada exclusivamente por mulheres afro-americanas.

        

Gildeane Mota, assistente social, militante da causa negra, coordenadora do Movimento de Mulheres de Jacobina e instrutora do Programa Trilha, iniciativa do governo do estado, através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), trouxe a sua turma para participar do minicurso Empreendedorismo Criativo: A cultura afrodescendente como tendência de Mercado, ministrado pela professora de administração do IFBA Josiane Borges.

Gildeane e Layla (E/D)

Focada no cooperativismo e associativismo, a formação na qual estão inseridos, que acontece no bairro da Jacobina III, dialoga diretamente com a proposta ofertada pelo Instituto durante o Novembro Negro: “A ideia do curso é trabalhar as questões sociais. Então inscrevemos os jovens no minicurso do IFBA como uma aula de campo. Ficou clara a importância e visibilidade que o Instituto dá para a temática, abrindo espaço para o debate. A Semana está repleta de atividades. A qualidade do material e a metodologia de fácil compreensão são destaques", comentou Gildeane.

Thaíse e Guiomar (E/D)

Cerca de 20 jovens compõem o grupo. Para Layla Vitória Lima, que sempre prestigia os eventos institucionais do campus e, neste ano, já esteve no IFBA durante a Semana de Ciência e Tecnologia, ampliar a visão acerca da cultura afro foi algo novo. “É um conhecimento diversificado, que está em vários lugares. Aqui na cidade temos o Quilombo Erê [primeiro quilombo urbano da região], por exemplo. São muitas opções e precisamos ter mais conhecimento para aplicá-los no mundo do trabalho e no cotidiano, em geral”.

Além de questões teóricas, o minicurso contou com atividade prática, por meio da qual os participantes montaram modelos de negócios. Guiomar Cruz, pedagoga e licenciada em história, revela que irá compartilhar os saberes com os familiares que já são empreendedores. De acordo com a colega Thaíse Santos, a formação serviu para reacender o projeto do seu salão de beleza. Ambas participam dos cursos ofertados pelos licenciandos em computação do Instituto.

Rodas de conversa acerca do mundo do trabalho, no diálogo com as relações étnico-raciais, e das comunidades quilombolas, contando com pesquisadores e representantes do poder público de Mirangaba [onde está situada a localidade remanescente de quilombo Coqueiros], também fizeram parte da programação, ao lado de recitais, voz e violão, coreografias, desfile e até batalha de rap. 

As atividades da Semana se encerraram na quinta-feira, 21, com as salas temáticas O tempo dos povos africanos: uma imersão na ancestralidade

        

Mais registros fotográficos e em formato de vídeo estão disponíveis na fanpage oficial do campus e no perfil do Instagram.