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IFBA promoveu evento para celebrar dia da Consciência Negra

Notas e comunicados no período eleitoral Eunápolis

publicado: 26/11/2019 10h38, última modificação: 27/11/2019 10h55

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Sônia Guimarães durante o Novembro Negro no IFBA Eunápolis

 

 

Para celebrar o dia da Consciência Negra O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia-Eunápolis promoveu nos dias 20 e 21 o “Novembro Negro: Identidade e Pertencimento”. O campus realizou uma programação aberta a toda comunidade com o objetivo de debater pautas como o racismo estrutural, institucional e linguístico, políticas públicas, violência obstetrícia, entre outros.

IMG_0364.JPGO 20 de novembro foi instituído oficialmente em 2011 por meio da lei nº 12.529, e a data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, como explicou a Profª Drª e Diretora Acadêmica do IFBA Eunápolis, Mariana Fernandes “ É a demarcação de um contraponto com a data 13 de maio, que até então era o que era entendido como o marco da abolição da escravatura, só que é uma lógica pautada na perspectiva eurocêntrica, do colonizador e aí enquanto militância, enquanto movimento negro, de história e resistência elegeu-se a data de 20 de novembro que foi o dia em que Zumbi dos Palmares morreu, uma representação de resistência contra a escravidão de toda a população negra” a docente ainda destacou que celebrar essa data faz parte da responsabilidade legal, institucional e social do IFBA “Por uma lógica de lei ( 10.639/ 2013 e a 11.645/2008) a gente demarca esse dia, mas na verdade é para além disso, nós temos uma responsabilidade curricular para que se contemple outros povos que também fizeram parte da formação da nossa sociedade e até então a gente tem o protagonismo apenas de pessoas brancas, de histórias contadas por brancos, por quem colonizou e não histórias contadas pela população negra e indígena, então é uma responsabilidade institucional legal e mais do que isso, social, para que os nossos estudantes negros, negras, indígenas, entre outras representações étnicas, se sintam representados no espaço que historicamente foi apenas protagonizado por pessoas brancas”, concluiu.

Essa necessidade de representatividade foi pensada na programação do evento que teve em sua conferência de IMG_0545.JPGabertura a Profª Drª Sônia Guimarães, primeira mulher negra a obter o título de doutora em física no Brasil e a primeira mulher negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Durante a conferência, Sônia contou a respeito de sua trajetória acadêmica e apresentou outras cientistas negras brasileiras “Cada vez que você tenha mais mulheres, você vai puxando mais mulheres, com o tempo essas mulheres vão chegando em posições de comando. Enquanto só tiver homens nessas posições de comando, eles vão ficar segurando as coisas para si mesmos e nunca que a gente vai conseguir chegar a nenhuma posição, a nada de importante” afirmou a pesquisadora, ressaltando a importância de inspirar as novas gerações de estudantes “ Eu só consegui perceber isso agora que eu tenho dado palestras por vários estados do país, as meninas já me conhecem, eu nunca vi as pessoas na vida, mas elas sabem da minha história e é uníssono, todas elas dizem “você me incentiva, você me representa, você me dá vontade de chegar aonde você chegou”. É muito importante porque você fica ouvindo na tua carreira, na tua vida, você não vai conseguir, é muito difícil, mas ela conhece alguém que conseguiu, e pensa por que eu não vou? ”.

Além dos convidados externos, o cronograma do Novembro Negro também trouxe a vivência da população em situação de rua da região com a presença de servidores e usuários do Centro POP de Eunápolis, o trabalho de servidores docentes: Aldemir Inácio de Azevedo, Eliana Sausmickt, Jean Cristina Rios, Leonardo Chagas e Mariana Fernandes e servidores técnicos-administrativos: Ana Julia Paulina de Oliveira e Cristiane Queiroz  (membros da Comissão de Implementação do NEABI), e as apresentações dos estudantes do campus, orientados pela professora Rosicler Sauer. 

A celebração do dia da Consciência Negra foi uma demarcação que segue com o trabalho constante para o enfrentamento do racismo, como afirmou Mariana Fernandes “ Que o IFBA seja um meio, uma instituição que contemple essas realidades, na ruptura e no enfrentamento de todo o processo racista que já está instituído no nosso país, a ideia é que a gente possa ter, representação de identidade e pertencimento neste espaço e para além dele. O racismo mata, o racismo silencia por isso que é necessário que seja uma discussão da pauta, não só de militância, mas principalmente de uma responsabilidade institucional que os espaços escolares precisam dar conta".

Para Sônia Guimarães, que relata enfrentar diariamente o racismo estrutural, o caminho é continuar a luta “Continuar essa luta, mostrando para as meninas que elas têm que ir para as exatas, fazendo com que mulheres fiquem em posições de comando que hoje pertencem a esses homens machistas e racistas, temos que continuar esse trabalho de base para que as meninas cheguem as exatas e para que as mulheres que já estão nessa área cheguem as posições de comando. Nós temos que colorir, mudar o gênero dessas pessoas do comando para que o comando também tenha diversidade de gênero e de cor de pele”.