Você está aqui: Página Inicial > DGCOM > Defeso Eleitoral > defeso2026 > Campanha 18M: estudantes dos cursos de licenciatura produzem vídeo para combater violência e feminicídio
conteúdo

Campanha 18M: estudantes dos cursos de licenciatura produzem vídeo para combater violência e feminicídio

CAMPUS

Inspiradas/os pelo 18M e atentas/os à necessidade de manter essa discussão ativa ao longo de todo o ano, estudantes dos cursos de licenciatura idealizaram uma nova campanha estudantil de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres.
publicado: 12/05/2026 13h37, última modificação: 31/07/2026 10h40

O campus Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) integrou, no mês de março, o 18M, conjunto de ações institucionais voltadas ao enfrentamento do feminicídio em nossa sociedade. A programação contou com rodas de conversa, instalações artísticas e apresentações culturais, promovendo reflexões e debates sobre a violência contra a mulher. 

Inspiradas pelo 18M e atentas/os à necessidade de manter essa discussão ativa ao longo de todo o ano, estudantes dos cursos de licenciatura idealizaram uma nova campanha estudantil de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A principal ação da iniciativa é a produção de um vídeo gravado e editado pelo próprio grupo discente, utilizando notícias recentes e dados estatísticos sobre o tema no Brasil.

A iniciativa foi pensada inicialmente pela estudante da Licenciatura em Física, Camila Fernandes. Ela destaca que ser docente é uma atividade profissional que vai além do domínio de conteúdos teóricos. “É entender que o mundo entra na sala de aula todos os dias — e que realidades como a violência contra a mulher e o feminicídio também fazem parte desse contexto”.

Além de Camila, a gravação contou com o apoio das estudantes Maiara Lima e Caroline Santos, colegas do mesmo curso, e da estudante de Licenciatura em Geografia, Juliana Queiroz, responsável pela direção do vídeo.

“Sou uma mulher que está tentando viver e que é atravessada por violências. Nos últimos meses, venho tentando me recuperar de anos de abuso e sei como é importante falar sobre isso. Mesmo pequenas fagulhas podem acender reflexões em quem está passando por situações semelhantes, ajudando a buscar proteção e saída”, desabafa Caroline. Ela também ressalta a importância de que pessoas que não vivenciam essas situações sejam capazes de compreender e acolher aquelas que vivenciam, fortalecendo redes de apoio.

Sobre as ações promovidas por estudantes dos cursos de licenciatura, por meio do Diretório Acadêmico, Juliana afirma que elas buscam “fomentar debates críticos sobre questões sociais, raciais e econômicas, que também atravessam o acesso e a permanência dos estudantes. Iniciativas como essa dão voz às mulheres que enfrentam diariamente diversas formas de violência. Precisamos, enquanto sociedade, ampliar ações de conscientização e educação, construindo espaços mais seguros e equitativos.”

Já Maiara ressalta que, como futura professora, deseja contribuir para a formação de pessoas críticas e conscientes, capazes de reconhecer e combater violências estruturais. “Participar desse vídeo foi uma forma concreta de começar a exercer esse papel.”

Camila conclui esclarecendo que as estudantes que estão à frente da campanha compreendem que a violência contra a mulher é uma realidade recorrente e que o silêncio não é uma opção. "A formação docente, nesse sentido, se articula diretamente com o compromisso social. Educar é, também, reconhecer, problematizar e transformar. É não se calar diante da dor. É formar sujeitos críticos, conscientes e humanos. Porque a escola não está separada da sociedade. E quem educa também luta. Somos mulheres e exigimos respeito. O mês de março passou, mas a luta contra o feminicídio continua".

 

(*) Arte: estudantes da campanha